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Visitamos o iSOC: por dentro do maior centro de segurança da América Latina

Por  • Editado por Bruno De Blasi | 

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Divulgação/SegurPro
Divulgação/SegurPro

Imagine uma sala repleta de telas gigantes, onde dezenas de operadores acompanham em tempo real o que acontece em milhares de pontos espalhados pelo Brasil.

O cenário lembra filmes de ação e de ficção científica, com direito a salas de “força-tarefa” separadas por vidros espelhados unidirecionais – daqueles em que quem está dentro vê tudo fora, mas quem está fora não vê nada dentro. 

O Canaltech visitou a sede da SegurPro, em São Paulo (SP), para conhecer o iSOC – Intelligent Security Operations Center. Inaugurado em 2020, o local é considerado o maior centro de controle da América Latina, e o primeiro do tipo a entrar em operação globalmente pela companhia.

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Mas, ao contrário do caos frenético retratado em Hollywood, a experiência no local é de processos bem definidos

O ambiente é organizado e mais silencioso do que se espera, focado no que a empresa chama de “Segurança Híbrida”: um conceito que tenta unir a vigilância física tradicional com análise massiva de dados.

O conceito de Segurança Híbrida

A ideia por trás do iSOC não é apenas gravar imagens, mas interpretá-las. Segundo Gustavo Ushimaru, diretor de Negócio e Tecnologia da SegurPro, a segurança moderna não se sustenta apenas com um vigilante na portaria ou com uma câmera na parede. “A segurança híbrida é uma solução na qual a gente envolve tecnologia na ponta, pessoas e plataformas", afirma.

Na prática, isso significa que os 1.496 pontos monitorados pela empresa — que vão de bancos a centros logísticos — alimentam uma plataforma centralizada.

O sistema utiliza inteligência artificial (IA) para filtrar o que é relevante, reduzindo o número de alarmes falsos que chegariam aos operadores humanos.

"Quanto mais a gente conseguir usar a tecnologia para tratar esse alarme, melhor. Às vezes, sei que aquilo não é um alarme baseado numa imagem que estou vendo e consigo tratar isso com IA", completa o executivo.

Gadgets: de "olho mágico" a neblina artificial

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Durante a visita, tivemos acesso a algumas das tecnologias utilizadas na ponta da operação. Alguns itens parecem de filme de ação, desenhados para situações específicas onde a presença humana seria arriscada ou ineficiente. 

Entre os destaques, estão uma “bola extintora”, que, ao ser arremessada em um foco de incêndio – como um barril em chamas – explode e apaga o fogo rapidamente. 

Ainda na parte de extintores, vimos também um modelo em bastão – uma versão “de bolso” – bem fácil de carregar e que pode evitar princípios de incêndio. 

O item que mais pareceu “coisa de filme” foi o botão de pânico, em que ao apertar, o usuário pode compartilhar sua localização em tempo real e equipes de segurança podem resolver a ocorrência. É útil principalmente para casos de sequestro ou até acidentes, em que pegar o telefone pode ser difícil. 

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Vimos também um vídeo de simulação do gerador de neblina, que, em poucos segundos, deixa mínima a visibilidade dentro de algum ambiente fechado com uma fumaça densa. 

Por fim, dos diversos tipos de câmeras que possuem na operação, a que mais chamou atenção foi uma bem discreta, menor que um olho mágico de porta, quase imperceptível mas que grava em alta qualidade.

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IA que prevê comportamento

Além dos equipamentos físicos, outro grande trunfo do monitoramento atual é a análise comportamental. O sistema tenta identificar padrões suspeitos ao invés de esperar por um crime ou ocorrência. 

Gustavo cita o exemplo de rondas virtuais em comércios de rua. "Se o cliente quer saber se tem alguém rondando a frente da loja, o sistema notifica. Por exemplo, uma moto que deu três ou quatro voltas no quarteirão", detalha.

A IA identifica a anomalia (o veículo passando repetidamente) e alerta o operador no iSOC, que pode acionar a polícia ou um vigilante local antes que uma abordagem aconteça.

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O uso de IA no setor reflete uma tendência de mercado. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Sistemas Eletrônicos de Segurança (ABESE), a adoção de Inteligência Artificial em soluções de segurança cresceu de 54% para 64,3% em apenas um ano no Brasil.

Dados além da segurança

A integração dos dados do iSOC é utilizada também para a logística de grandes eventos. Durante o festival The Town e no GP de Fórmula 1, ambos em Interlagos, a tecnologia foi usada para gestão de multidões. 

Analistas identificaram, através de mapas de calor e fluxo de pessoas, que determinados acessos estavam congestionados. "A gente sentou com o cliente para propor uma melhoria no layout. Às vezes, a gente precisa segurar um pouco o pessoal no fundo para que a frente ande", conta Gustavo.

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Apesar de todo o aparato tecnológico e do crescimento da automação, a visita ao iSOC reforça que o fator humano segue indispensável. A tecnologia filtra e agiliza, mas a decisão final e a inteligência emocional para lidar com crises ainda dependem de pessoas capacitadas operando os sistemas. 

"Não adianta trazer a tecnologia se, na ponta, nossos funcionários não souberem entregar o serviço", finaliza o diretor.

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