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Tráfego aéreo no Brasil vai mais que dobrar até 2044, diz Airbus

Por  • Editado por Bruno De Blasi | 

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Divulgação/Airbus
Divulgação/Airbus

O mercado de aviação comercial brasileiro está à beira de uma transformação significativa. Segundo dados do Global Market Forecast (GMF) da Airbus, o tráfego de passageiros no país irá mais do que dobrar nas próximas duas décadas, com previsão de atingir seu pico em 2044.

Hoje, a média de viagens per capita no Brasil é de 0,5 voo por ano — estatisticamente, cada brasileiro viaja de avião apenas uma vez a cada dois anos. A projeção da fabricante europeia indica que esse índice ultrapassará a barreira de uma viagem anual por habitante no período.

Esse crescimento será impulsionado por uma combinação de fatores: o fortalecimento contínuo do mercado doméstico, que já é robusto, e a necessária expansão de rotas internacionais e, principalmente, intra-regionais na América Latina.

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Para suportar esse volume sem explodir os custos operacionais, a renovação da frota é a chave. O vice-presidente e head de Marketing da Airbus para América Latina e Caribe, Damien Sternchuss, explicou ao Canaltech que a eficiência da aeronave é o que viabiliza esse modelo de crescimento.

"O A321neo é a aeronave mais eficiente, pois, em uma base por assento, é a que tem o menor custo. Isso ajuda a companhia aérea onde existe a demanda a acelerar o crescimento de uma forma muito sustentável", afirma o executivo.

Os modelos da família Neo entregam uma redução de até 25% na queima de combustível e nas emissões de CO₂ quando comparados às gerações anteriores.

Materiais avançados e conforto

A eficiência não vem apenas dos motores, mas da própria "casca" do avião. O A350, focado em rotas de longo curso, é um exemplo dessa evolução estrutural: mais de 70% da aeronave é construída com materiais avançados.

Desse total, 53% são compósitos, como a fibra de carbono, combinados com titânio e ligas metálicas modernas. O uso da fibra de carbono otimiza o peso, reduzindo o consumo de querosene, e elimina problemas crônicos como a corrosão e a fadiga do material, o que diminui a frequência e o custo das manutenções.

Para quem viaja, a tecnologia aparece no conforto. A cabine Airspace utiliza um sistema de pressurização e iluminação inteligente para combater o cansaço físico.

"A cabine do A350 ajuda a reduzir a sensação de altitude. Conseguimos pressurizar a cabine durante o voo um pouco mais do que os aviões tradicionais, o que ajuda o passageiro a descansar mais", detalha Sternchuss.

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O sistema de iluminação full LED também simula as fases do dia, auxiliando na regulação do ritmo circadiano (o relógio biológico) e mitigando os efeitos do jet lag em viagens longas.

Brasil como líder do combustível verde

A meta da indústria é clara: atingir a neutralidade de emissões de carbono até 2050. Para isso, o Combustível Sustentável de Aviação (SAF) é a peça fundamental.

Atualmente, todas as aeronaves da Airbus saem de fábrica certificadas para voar com uma mistura de até 50% de SAF. O objetivo é que, até 2030, essa compatibilidade chegue a 100%.

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É aqui que o Brasil ganha protagonismo global. O país possui um histórico consolidado no desenvolvimento de biocombustíveis desde a década de 1970 e uma disponibilidade massiva de biomassa.

Essa combinação coloca o Brasil em uma posição estratégica para liderar a produção de SAF em larga escala, transformando a matriz energética da aviação mundial nas próximas décadas.

Confira a entrevista completa no Podcast Canaltech:

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