Tarifas dos EUA já começaram a afetar os preços de produtos, diz CEO da Amazon
Por Marcelo Fischer Salvatico • Editado por Bruno De Blasi |

O CEO da Amazon, Andy Jassy, afirmou à CNBC que as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já refletem o preço final de diversos itens vendidos na plataforma.
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A declaração ocorreu durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, e marca uma mudança de tom em relação ao cenário observado em 2025, quando a gigante do varejo não registrou altas significativas.
Segundo o executivo, o “colchão” que protegia os preços deixou de existir. A Amazon e seus vendedores terceirizados anteciparam a compra de estoques para evitar novas taxas, mas esse suprimento extra se esgotou no segundo semestre do ano passado.
Fim da margem de manobra
Jassy explicou que, em um setor com margens operacionais de um dígito médio, como o varejo, um aumento de 10% nos custos — taxa mínima imposta por Trump sobre quase todas as importações — elimina as opções das empresas.
"Você começa a ver algumas das tarifas se infiltrando em alguns dos preços", afirmou Jassy à CNBC. O executivo detalhou que os vendedores enfrentam um dilema: repassar os custos para o consumidor, absorver o prejuízo para manter o volume de vendas ou buscar um meio-termo.
Em abril de 2025, o CEO já havia alertado que muitas empresas "não têm uma margem extra de 50% disponível" para lidar com o cenário tarifário. Agora, com os estoques renovados sob a nova política fiscal, o repasse tornou-se inevitável para muitos comerciantes.
Mudança de comportamento
Apesar de Jassy descrever o consumidor como “bastante resiliente”, o impacto nos preços alterou a dinâmica de compras na plataforma. A Amazon notou uma tendência de “trade down”, onde os clientes trocam produtos premium por versões mais baratas e dedicam mais tempo à caça de ofertas.
Além disso, há uma retração na compra de itens de maior valor, com os consumidores adiando aquisições que não são urgentes.
Batalha judicial
O cenário econômico é agravado também pela incerteza jurídica. As tarifas, implementadas com base em poderes de emergência presidencial, são alvos de questionamentos legais.
A Suprema Corte dos EUA, atualmente, analisa a legalidade dessas medidas após ações movidas por pequenas empresas, adicionando uma camada de instabilidade ao planejamento de varejistas.
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