Será que o Nubank vale mesmo US$ 30 bilhões?

Será que o Nubank vale mesmo US$ 30 bilhões?

Por Fernando D´Angelo | 22 de Junho de 2021 às 10h00
Divulgação/Nubank

Na última semana assisti a muitas discussões a respeito do aporte de US$ 500 milhões que o Warren Buffet fez no Nubank e seu valor de mercado que, agora, gira em torno dos US$ 30 bilhões.

Os 3 principais questionamentos que eu ouvi levantando dúvidas sobre essa valorização do Nubank foram:

  1. O Nubank possui muito poucos serviços ofertados, e são bem limitados. Tanto para empresas, quanto para pessoas físicas, há poucas opções de serviços e produtos.

  2. O Nubank não atende a todas as segmentações de clientes. Hoje o Nubank atende ao público mais simples, mas o que dá mais dinheiro para os bancos são os produtos mais complexos, como seguros, por exemplo. Então, como o Nubank será tão lucrativo se os ganhos estão nos serviços adicionais?

  3. O Nubank tem um caminho longo pela frente, e está indo bem devagar em lançamento de novos produtos e serviços.

Em resumo, como um banco tão limitado como o Nubank, apesar de ser um banco promissor, pode valer tanto quanto um Santander ou metade do valor do Itaú, maior banco do Brasil? Porque o Nubank é agora a sétima startup mais valiosa do mundo?

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Eu não sou um expert em estratégias de negócios, mas arrisco alguns palpites a respeito e afirmo que sim, o Nubank vale US$ 30 bilhões de dólares ou mais.

Antes de tudo é importante entender que o que torna uma startup valiosa é o seu hype e o quão promissora ela é. E o Nubank está na crista da onda.

Mas minha opinião é muito mais ligada a uma visão tecnológica do que de negócios, e espero que leve novos argumentos para as discussões de grupos no WhatsApp.

Ao escolher atender a uma segmentação específica de usuários, que necessitam de produtos básicos e simples, o Nubank mira a sua estratégia na grande massa mundial de clientes. Afinal, conta bancária e cartão de crédito são similares em qualquer parte do mundo. Este argumento é corroborado com diversos artigos que afirmam que o grande objetivo de Warren Buffet com o Nubank é sua internacionalização.

De brinde, ao renegar segmentos mais exigentes e aparentemente mais lucrativos, o Nubank simplificou e barateou os custos dos sistemas e investimentos de TI, e facilitou muito a exportação de seu sistema para outras partes do mundo. Eu gosto de pensar que o Nubank usou o princípio de Pareto lindamente ao abrir mão de 20% do público e com isso simplificar 80% de seus processos e sistemas.

Mas mais do que processos e sistemas simples, o Nubank conseguiu ofertar para o público uma experiência única e encantadora ao trazer, com ineditismo, um app com uma interface de visualização de gastos do cartão de crédito super simples de entender. O aplicativo também permite a criação de um cartão de crédito virtual para compras online e possibilita que os clientes limitem o valor do crédito para evitar fraudes e roubos ou auxiliar no uso consciente do crédito.

E para coroar a estratégia do Nubank, tudo isso foi aliado a um banco 100% digital e sem agências, reduzindo os custos a níveis impossíveis para os bancos tradicionais. E voilà! Lucrar ofertando serviços e produtos simples em larga escala se torna uma mina de ouro para o Nubank.

Se meus palpites estão certos, os passos sugeridos por Peter Diamandis no seu livro “Abundância 360º” estão sendo devidamente seguidos. E, mais uma vez, vão demonstrar o potencial do crescimento exponencial frente a corporações mais tradicionais e presas a paradigmas e estruturas mais antigas, físicas e lineares.

Mas o que realmente importa nos grupos de WhatsApp é se o Nubank vai ou não vai aderir ao Apple Pay, né? Bom...imagino que será na mesma época em que o McDonalds irá abolir a carne de seu cardápio.

*Artigo produzido por colunista com exclusividade ao Canaltech. O texto pode conter opiniões e análises que não necessariamente refletem a visão do Canaltech sobre o assunto.

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