Segurança no Pix: ajuste contra golpes se torna obrigatório nesta segunda (2)
Por Marcelo Fischer Salvatico |

A partir desta segunda-feira (2), todas as instituições financeiras que operam no Brasil são obrigadas a utilizar o sistema de rastreamento estendido do Pix. A atualização nas diretrizes do Mecanismo Especial de Devolução (MED), determinada pelo Banco Central (BC), visa aumentar a efetividade na recuperação de valores desviados em golpes digitais.
A funcionalidade estava em vigor desde novembro de 2025, mas sua adesão por parte dos bancos era facultativa até o momento.
Com a obrigatoriedade, o sistema financeiro unifica o combate à tática de pulverização de recursos, método comum onde criminosos transferem o dinheiro roubado rapidamente entre diversas contas "laranjas" para dificultar a recuperação.
Como funciona o rastreamento estendido
O modelo anterior do MED possuía uma limitação técnica que permitia o bloqueio de recursos apenas na primeira conta de destino do dinheiro. Se o golpista transferisse o valor segundos depois para uma segunda ou terceira conta, o mecanismo perdia a eficácia e a vítima dificilmente recuperava o montante.
Agora, com a implementação total das novas regras, o sistema utiliza a tática "follow the money" (siga o dinheiro). A ferramenta marca a transação suspeita e rastreia o caminho dos recursos, permitindo que os bancos congelem os valores em qualquer etapa da cadeia de transferências.
A mudança técnica responde a um cenário crítico de segurança pública. Dados do Banco Central indicam que fraudes via Pix geraram um prejuízo de R$ 4,9 bilhões em 2024, um aumento de 70% em relação ao ano anterior. Além disso, estatísticas de mercado apontam que a taxa de recuperação de valores contestados em 2025 girou em torno de apenas 9%.
O que muda para o usuário?
Para o cliente, não há alteração na interface dos aplicativos ou necessidade de ativar configurações adicionais, uma vez que a proteção é sistêmica. O procedimento de denúncia permanece o mesmo.
Caso seja vítima de golpe ou fraude, o usuário deve acionar o MED o mais rápido possível através da área Pix do app da sua instituição financeira. As regras do BC determinam que os bancos ofereçam esse acesso de forma destacada e permitam a contestação sem necessidade de interação humana imediata.
É importante ressaltar que o MED continua exclusivo para casos de fraudes, golpes ou crimes comprovados. A ferramenta não cobre transferências realizadas por engano, como erros de digitação de chave, ou desacordos comerciais entre pessoas físicas.
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