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Por que a tarifa dinâmica de apps de transporte mudou de foco e irrita usuários?

Por  • Editado por Bruno De Blasi | 

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Erick Teixeira/Canaltech
Erick Teixeira/Canaltech

A tarifa dinâmica se consolidou como padrão nos aplicativos de mobilidade urbana na última década, mas sua função original mudou. O que antes servia para equilibrar a oferta de motoristas com a demanda de passageiros, hoje atua como uma ferramenta de otimização de margem de lucro para as plataformas.

A análise é do country manager da inDrive no Brasil, Stefano Mazzaferro. Em entrevista ao Podcast Canaltech, o executivo explica que o mecanismo sofreu alterações significativas e opera com falta de transparência na formação dos preços.

Segundo Mazzaferro, a equação matemática direta para incentivar o deslocamento de motoristas para áreas de alta demanda deu lugar a algoritmos complexos.

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"Tornou-se uma caixa preta. É um algoritmo muito baseado em IA e machine learning que opera de forma completamente automatizada", afirma Mazzaferro. "As empresas na indústria estão utilizando dessa ferramenta não só para reequilibrar o marketplace, mas também para otimizar a própria receita".

Essa mudança de diretriz técnica resulta em um descompasso percebido pelo usuário final. Muitas vezes, o aumento do preço pago pelo passageiro não é repassado proporcionalmente ao motorista, gerando atrito nas duas pontas do serviço.

O executivo aponta que essa imprevisibilidade — tanto no valor da corrida quanto no tempo de espera — é o principal fator de insatisfação atual no mercado.

Subordinação algorítmica

A discussão sobre a precificação automática esbarra no conceito de gestão do trabalho. Em diversas jurisdições, incluindo diretivas da União Europeia, cresce o debate sobre a "subordinação algorítmica".

Neste cenário, o algoritmo assume o papel de gestor, definindo tarefas, remuneração e avaliando a performance do trabalhador sem intervenção humana direta.

No Brasil, o debate sobre a regulação dos aplicativos segue aquecido, buscando um equilíbrio entre a flexibilidade do trabalho e a proteção social.

Mazzaferro destaca que a tecnologia de inteligência artificial é irreversível no setor, mas que o modelo de negócio precisa oferecer opções. A inDrive, por exemplo, opera com um sistema de negociação direta, onde o passageiro sugere um valor e o motorista pode aceitar ou contrapropor.

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"A tecnologia da inDrive está baseada na relação humana natural para fazer que as pessoas tenham liberdade de escolha. A gente controla muito pouco da experiência", finaliza o executivo.

Confira a entrevista completa no Podcast Canaltech:

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