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Por que a Anthropic e o governo dos EUA estão em conflito? Entenda o caso

Por  • Editado por Bruno De Blasi |  • 

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Marcelo Fischer/Canaltech
Marcelo Fischer/Canaltech

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou o banimento da tecnologia da Anthropic em agências federais na última sexta-feira (27). A decisão ocorreu após a desenvolvedora do modelo Claude recusar as exigências do Pentágono para permitir o uso irrestrito de sua inteligência artificial (IA) em operações militares.

Mas o governo continuou utilizando a tecnologia. Horas após o anúncio do veto, o Comando Central dos EUA utilizou as ferramentas da Anthropic para auxiliar em ataques aéreos no Oriente Médio, incluindo análises de inteligência e simulações de cenários de combate, segundo o The Wall Street Journal. 

O embate abriu espaço para concorrentes, como a OpenAI, assumirem os contratos governamentais. Ao mesmo tempo, a repercussão do conflito impulsionou o aplicativo Claude ao topo dos mais baixados na App Store norte-americana.

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Entenda abaixo por que a Anthropic entrou em conflito com o governo Trump.

O limite ético imposto pela Anthropic

O conflito escalou durante a última semana de fevereiro de 2026, quando o Secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, estabeleceu um prazo para a Anthropic remover suas restrições de segurança. O CEO da empresa, Dario Amodei, recusou o pedido do Pentágono para permitir "qualquer uso legal" da tecnologia.

A Anthropic mantém cláusulas contratuais rigorosas que proíbem o uso de seus sistemas para vigilância doméstica em massa e para o desenvolvimento de armas totalmente autônomas. 

Em comunicado repercutido pela Forbes, Amodei afirmou que os sistemas de IA de fronteira atuais não são confiáveis o suficiente para alimentar armamentos autônomos e declarou que a empresa não fornecerá produtos que coloquem combatentes e civis em risco. 

A recusa levou Hegseth a classificar a startup como um "risco à cadeia de suprimentos", forçando fornecedores militares a abandonarem a tecnologia.

A pressão do Pentágono gerou mobilização de profissionais de tecnologia. Funcionários do Google e da própria OpenAI assinaram uma carta aberta em apoio à decisão da Anthropic, pedindo a manutenção das restrições éticas em contratos militares.

Concorrentes assumem o espaço

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Com o rompimento das negociações entre o governo e a Anthropic, a OpenAI aproveitou a oportunidade para fechar um contrato com o Departamento de Defesa. Ainda na sexta-feira (27), o CEO Sam Altman anunciou o acordo para o uso de seus modelos em redes classificadas das Forças Armadas dos EUA.

Altman afirmou que a OpenAI mantém restrições semelhantes às da Anthropic, proibindo vigilância em massa e exigindo supervisão humana no uso de força. 

A empresa argumentou que sua arquitetura de implementação via nuvem (API) impede a integração direta da IA em sistemas de armas ou sensores operacionais. A flexibilidade da desenvolvedora do ChatGPT garantiu a continuidade do acesso ao orçamento militar norte-americano.

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Uso militar após banimento

Apesar do bloqueio presidencial, que estipulou um período de transição de seis meses para o fim do uso do Claude, a ferramenta permanece ativa em frentes operacionais. 

O The Wall Street Journal revelou que comandos globais dos EUA utilizam o modelo da Anthropic em operações contínuas contra o Irã, poucas horas após o veto de Trump. 

O uso do Claude por órgãos de inteligência norte-americanos ocorre de forma classificada desde 2024, incluindo aplicações em operações recentes na Venezuela.

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Claude no topo das lojas virtuais

A postura firme da Anthropic gerou uma resposta direta do mercado consumidor. O aplicativo do Claude saltou para a primeira posição na App Store dos EUA no sábado (28), superando o ChatGPT e o Google. 

Dados da consultoria Sensor Tower e da própria Anthropic confirmam um aumento de 60% no número de usuários gratuitos no país e um recorde de acessos diários na plataforma. 

No Brasil, o ChatGPT continua na liderança e o Claude não figura entre os 20 aplicativos mais populares.

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