Parler: CEO da rede social conservadora é demitido

Parler: CEO da rede social conservadora é demitido

Por Rui Maciel | 04 de Fevereiro de 2021 às 11h35
Reprodução/Parler

John Matze, o CEO da rede social conservadora Parler, anunciou na última quarta-feira (3) aos seus funcionários que ele foi demitido pelo conselho da empresa na semana passada. As informações são do canal Fox Business.

Em um memorando enviado aos colaboradores da plataforma, Matze diz:

"Em 29 de janeiro de 2021, o conselho do Parler, controlado por Rebekah Mercer decidiu encerrar imediatamente minha posição como CEO da Parler. Eu não participei dessa decisão. Eu entendo que aqueles que agora controlam a empresa fizeram alguns comunicados aos funcionários e terceiros que, infelizmente, criaram uma confusão e me levaram a fazer esta declaração pública.

Nos últimos meses, encontrei resistência constante à minha visão de produto, minha forte crença na liberdade de expressão e minha visão de como o Parler deve ser gerenciado. Por exemplo, defendi mais estabilidade do produto e o que acredito ser uma abordagem mais eficaz para moderação de conteúdo.

Trabalhei horas intermináveis ​​e lutei constantes batalhas para fazer o Parler funcionar. Mas, neste ponto, o futuro do Parler não está mais em minhas mãos. Quero agradecer aos funcionários e aos apoiadores do Parler por seu trabalho incansável e devoção à empresa. Eles são um grupo incrível de pessoas diversificadas, trabalhadoras e talentosas e tenho o maior respeito por eles. Muitos deles se tornaram minha segunda família".

O Parler é uma rede social bastante popular entre a extrema-direita e que ganhou os holofotes após a invasão do Capitólio, ocorrido no último dia 06 de janeiro, por partidários de Donald Trump. O episódio tinha como objetivo impedir a certificação da vitória do democrata Joe Biden como o novo presidente dos EUA pelo Congresso e Senado e resultou na morte de cinco pessoas.

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O Parler passou a ser investigaoa quando surgiram evidências de que os invasores da casa legislativa dos EUA haviam usado a plataforma - assim como outras redes sociais - para coordenar o ataque. A empresa que administra o app é financiada por Rebekah Mercer, uma filantropista conservadora, cuja família estava entre os apoiadores mais influentes de Donald Trump, então candidato à presidência em 2016.

Fora do ar

Com boa parte da opinião pública condenando a invasão e diante das evidências do uso do Parler para o ato, Apple e Google - sob pressão - resolveram remover a rede social de suas lojas de aplicativos. A justificativa era de que os administradores da plataforma permitiam - ou não conseguiam controlar - conteúdos que incitavam a violência, o que burlava suas regras de uso.

A coisa degringolou de vez quando a Amazon Web Services removeu o Parler de seus serviços de hospedagem na nuvem. Além disso, outras empresas de cloud computing também se recusaram a receber a rede social. Com isso, ela ficou fora de maneira definitiva.

Matze tentou reagir, afirmando que o Parler estaria de volta no final de janeiro. Para isso, ele tentou utilizar provedores de serviços, digamos, alternativos. Isso inclui uma empresa de tecnologia russa, que dá acesso a outros sites de extrema-direita, que promovem racismo e teorias da conspiração.

John Matze: o CEO do Parler foi demitido da rede social conversadora depois que ela foi banida por AWS, Apple e Google (Imagem: Fox Business)

O Parler ganhou ampla popularidade entre os usuários de extrema-direita e foi amplamente baixado nos últimos meses, quando outras redes sociais (finalmente) passaram a reprimir com mais força conteúdos que promoviam o ódio, a desinformação eleitoral e incitação à violência. A plataforma registrou milhões de downloads após a derrota de Trump nas eleições presidenciais de novembro e chegou a ficar em primeiro lugar na App Store. Ela ficou ainda mais popular depois que o ex-presidente dos EUA foi banido de forma definitiva do Twitter.

Matze surgiu como uma estrela da mídia conservadora em meio ao caos em torno do Parler. Com a rede social retirada do ar pela Amazon, ele fez aparições regulares no noticiário para defender a liberdade de expressão. Ainda no memorando enviado aos funcionários, ele afirma que tirará algumas semanas de folga antes de procurar um novo empreendimento.

“Depois disso, estarei em busca de novas oportunidades onde minha perspicácia técnica, visão e as causas pelas quais sou apaixonado serão exigidas e respeitadas. Quero agradecer a todas as pessoas do Parler que apoiaram a mim e à plataforma. Este tem sido o verdadeiro sonho americano: uma ideia de uma sala de estar a uma empresa de valor considerável. Não estou dizendo adeus, apenas um até breve"

Com informações do Business Insider

Fonte: Fox Business  

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