Conheça os 10 maiores fracassos da história da Microsoft

Por Sérgio Oliveira | 02 de Janeiro de 2014 às 13h00

Querendo ou não, quando se fala em tecnologia invariavelmente o assunto gira em torno de empresas como Apple, Google, Facebook e, principalmente, Microsoft. Não é à toa: a companhia fundada por Bill Gates e Paul Allen já está aí há bons 28 anos e conseguiu construir um modelo de negócio extremamente lucrativo.

Mesmo com a competição cada vez mais acirrada, a Microsoft continua dominando cerca de 80% do mercado de computadores com o Windows e sua suíte de aplicativos voltados para escritório, o Office. É de se esperar que, para se manter à frente de tantos clientes, a empresa tenha pouquíssimo espaço para falhas. Mas isso não quer dizer que elas nunca existiram. Pelo contrário.

Separamos nesta lista os 10 maiores desastres da Microsoft em suas quase 3 décadas de existência. Confira-os!

10. Windows Mobile

"Filho" do Windows CE, um sistema operacional que nunca ninguém ouviu falar, o Windows Mobile nasceu para dominar o emergente mercado de smartphones que começara a surgir no ano de 2000.

No início, o sistema obteve um relativo sucesso e chegou a dominar cerca de 47% do mercado em 2007, quando a Apple anunciou o iPhone. À época, Steve Ballmer chegou a debochar do anúncio feito por Jobs, dizendo que aquele era o telefone mais caro do mundo. Ballmer, que tinha sua ponta de razão, acabou mordendo a língua, já que após 2007 a Microsoft viu sua participação no segmento mobile minguar ano após ano.

Apesar de ser substancialmente mais caro que qualquer outro dispositivo móvel, o iPhone e o iOS mostraram aos usuários que eles poderiam fazer muito mais com um smartphone do que estavam habituados. Seu sistema mais enxuto, a vasta biblioteca de apps e tela capacitiva escancararam as limitações e defeitos do Windows Mobile. Apesar dos esforços da Microsoft, o Windows Mobile perdeu sua capacidade de se reinventar ao passo que perdeu o apoio dos desenvolvedores. Nem o lançamento de duas versões cheias de melhorias e suporte a tela capacitiva conseguiram mantê-lo vivo. De 2007 para 2011 a participação de mercado do sistema caiu de 47% para míseros 3%.

Com sua experiência sofrível exposta pelo iPhone, era hora do Windows Mobile sair de cena e da Microsoft começar tudo do zero, mais uma vez.

O Windows Mobile dominou o mercado de smartphones por um bom tempo, mas o lançamento do iPhone em 2007 expôs todas as suas limitações e levou a Microsoft a descontinuá-lo.

O Windows Mobile dominou o mercado de smartphones por um bom tempo, mas o lançamento do iPhone em 2007 expôs todas as suas limitações e levou a Microsoft a descontinuá-lo.

9. Microsoft Bob

A Microsoft trouxe o usuário leigo para perto de si quando lançou sua interface gráfica no Windows 3. Com ela, não seria mais preciso decorar comandos, tampouco entender de programação para manusear o sistema operacional. Mas, em 1995, a Microsoft acreditou que aquilo não era suficiente e lançou o Microsoft Bob.

Desenvolvido para simplificar a utilização do Windows ao extremo, o Bob adicionava uma nova roupagem ao Windows para que pudesse ser utilizado por usuários com pouca ou nenhuma experiência com computadores. A ideia era transformar o Windows em um ambiente familiar a qualquer pessoa e fazer com que o uso do computador fosse algo natural como, por exemplo, executar tarefas dentro de casa. Se tudo isso soava interessante no papel, na prática foi um completo desastre.

A interface, que empolgava à primeira vista, se mostrou chata e irritante com o tempo. Além disso, por exigir um hardware que a maioria dos computadores não possuía na época, foi muito criticada pela mídia especializada. Quem comprou, reclamou do Bob e quem não comprou e ouvia os relatos, se assustava com o preço pedido por ele: US$ 100.

As vendas, que foram fracas desde o início, afundaram completamente quando o Windows 95 chegou ao mercado 5 meses após o lançamento do Bob. O Windows Explorer, que simplificava drasticamente a utilização do novo sistema operacional, e as demais inovações multimídia foram suficientes para dizimar o Bob, que foi descontinuado dois anos após seu lançamento. Seu fracasso foi tão flagrante que até os funcionários da Microsoft admitiram o fiasco.

Para atrair o usuário leigo, o Bob transformava o Windows numa casa e adotava uma abordagem de utilização orientada a tarefas ao invés de programa. A ideia, no entanto, não vingou e ele foi descontinuado 2 anos após o lançamento.

Para atrair o usuário leigo, o Bob transformava o Windows numa casa e adotava uma abordagem de utilização orientada a tarefas ao invés de programas. A ideia, no entanto, não vingou e ele foi descontinuado 2 anos após o lançamento.

8. Internet Explorer 6

Se até hoje muitos usuários consideram o Windows XP o melhor sistema operacional feito pela Microsoft, o mesmo não pode ser dito do seu navegador nativo, o Internet Explorer 6. Sua interface renovada e maior suporte às regras e propriedades CSS deixaram webdesigners eufóricos no pré-lançamento em 2001, mas o cenário de otimismo não durou muito.

Quando a Microsoft liberou o IE6 o que se viu foi um navegador cheio de vulnerabilidades e falhas de segurança, que demoravam anos para serem corrigidas. O prometido suporte ao CSS também foi pífio e por muitas vezes hacks tiveram que ser feitos para que as páginas aparecessem minimamente apresentáveis no navegador.

O IE6 é tão ruim que até abril de 2014 receberá atualizações para corrigir falhas de segurança e o seu maior legado é o terror difundido entre webdesigners e programadores que ainda se preocupam se seus sites funcionarão corretamente nele ou não. Não raramente é possível encontrá-lo em listas que reúnem "os piores produtos de tecnologia de todos os tempos" que o adjetivam de "o software menos seguro do planeta".

7. Clippy

Os milhões de dólares investidos pela Microsoft no Bob não poderiam ser jogados no lixo assim, de uma hora para outra. Pelo menos esse foi o pensamento da companhia que, após o fracasso do Bob, resolveu reutilizar suas tecnologias em outros produtos. E foi nesse contexto que surgiu o Clippy.

As intenções eram boas e o Clippy pretendia ajudar o usuário na utilização dos aplicativos do Office, que fora remodelado e tivera várias novas funcionalidades incorporadas na sua então nova versão de 1997. Mas, na prática, a coisa fugiu ao controle e o Clippy ficou mais parecido com aquele seu colega chato que sempre aparece nos momentos mais incovenientes, faz os comentários mais irritantes que se pode imaginar e, na tentativa de ajudar, só atrapalha.

Não demorou muito para que os usuários começassem a reclamar dele e a pedir por sua desativação. A Microsoft ainda insistiu na ideia em mais uma versão do Office e só decidiu por desativar o recurso 10 anos após seu lançamento - tempo suficiente para o Clippy ser classificado como "um dos maiores erros de design de software dos anais da computação" pela Smithsonian Magazine, "um dos 50 piores inventos da história" pela Time e inúmeras paródias serem feitas sobre ele.

6. Tablet PC

Engana-se quem pensa que a ideia dos tablets foi uma invenção da Apple e de Steve Jobs. Nove anos antes de Jobs anunciar o iPad para o mundo, Bill Gates subia ao palco da Comdex, em Las Vegas, para anunciar o futuro na forma do Tablet PC. "[O Tablet PC] se tornará a mais popular forma de vender computadores nos Estados Unidos", previu Gates à época.

O cenário não poderia ser mais favorável: a Microsoft tinha parceiros como Acer, Toshiba e Compaq dispostos a fabricar o novo conceito de hardware e o recém-lançado Windows XP. Protótipos chegaram a ser exibidos durante a conferência e, após alguns meses, uma versão do Windows XP exclusiva para o Tablet PC com reconhecimento de voz, rotação de tela e teclado na tela foi lançada. Nada poderia dar errado. Mas deu!

Na prática o Tablet PC mostrou-se caro e as adaptações promovidas pela Microsoft no Windows XP não funcionavam muito bem. Suas funcionalidades eram limitadas e, na maioria das vezes, os recursos não funcionavam da forma que deveriam. Aos poucos os parceiros foram desaparecendo e o último a pular fora do barco foi a HP. Apesar da previsão de Gates estar correta, o Tablet PC nunca emplacou e até hoje a Microsoft luta para ser relevante nesse segmento do mercado. Mas, ao que tudo indica, as coisas não vão bem e a companhia continua cometendo os mesmos erros do passado.

Bill Gates acertou na previsão, mas falhou ao tornar os Tablet PCs em um dispositivo acessível ao usuário comum.

Bill Gates acertou na previsão, mas falhou ao tornar os Tablet PCs em dispositivos acessíveis ao usuário comum.

5. Zune

Se por um lado a Microsoft conseguiu prever o futuro com os Tablet PCs, o mesmo não pode ser dito no ramo de MP3 Players. Lançado em 2006, o Zune chegou à festa da música digital 5 anos atrasado - tempo mais que suficiente para a Apple dominar o mercado com o iPod.

É difícil aceitar que o Zune fracassou, principalmente porque o dispositivo era bem acabado e contava com um ecossistema bem arquitetado. No entanto, apesar de tecnicamente não dever nada em relação ao iPod, ele jamais ultrapassou os dois dígitos em participação no mercado por não oferecer um algo a mais que o diferenciasse do concorrente. Sem esse diferencial, só havia um motivo capaz de levar alguém a comprar o dispositivo da Microsoft em detrimento ao da Apple: se afastar do ecossistema da Maçã.

Foram 5 anos de luta e agonia até que, em 2011, a Microsoft decidiu por um fim no Zune e anunciou que nenhum novo dispositivo da linha seria lançado. A marca permaneceu e foi utilizada por alguns anos no software para reprodução de mídia para computador e no Windows Phone até se transformar em Xbox Music.

Apesar do seu fracasso, há quem diga que o único problema do Zune foi o bad timing da Microsoft e que teríamos presenciado uma enorme batalha entre os dois caso tivessem sido lançados na mesma época.

O Zune não devia em nada para o iPod e seu único pecado foi ter chegado tarde à festa - cinco anos após o iPod.

O Zune não devia em nada para o iPod e seu único pecado foi ter chegado tarde à festa - cinco anos após o iPod.

4. MSN Smart Watch

A ideia de relógios inteligentes não é nova e ela surgiu lá atrás com o SPOT. A tecnologia, que utilizava ondas de rádio FM, prometia trazer informações como previsão do tempo, preço de alimentos, placares de jogos de futebol e até e-mails a eletroeletrônicos dos mais diversos tipos. O número de adeptos só crescia e a Microsoft viu a oportunidade de lançar o seu próprio dispositivo inteligente em 2004, o MSN Smart Watch.

A ideia era deixar os usuários a par de tudo sem a necessidade de estar atrelado a um computador. Com o relógio, eles poderiam verificar seus e-mails, agendar compromissos e até consultar a situação do trânsito antes de arriscar uma viagem no feriadão. Por muito tempo ele foi promovido por ninguém menos que Bill Gates, que fazia questão de utilizá-lo em diversas ocasiões. No entanto, apesar das sucessivas tentativas de emplacá-lo, o Smart Watch não engrenou. E os motivos foram vários.

No início os usuários conseguiram ignorar o fato do Smart Watch ser grande, pesado e desajeitado. Afinal de contas, suas funcionalidades deveriam se sobressair diante de tudo aquilo. Mas não, elas não se sobressaiam. Além de precisar ser recarregado todo santo dia, o Smart Watch não funcionava adequadamente em lugar algum e se fosse necessário viajar com ele, a Microsoft exigia que o usuário informasse para onde estava indo para que o relógio funcionasse "adequadamente" lá. Fora isso, ele não se conectava à internet para obter as informações, mas sim à MSN Network, uma ideia megalomaníaca da Microsoft para construir sua própria internet. A MSN Network não só era instável, como também exigia uma assinatura anual no valor de US$ 59 aos seus usuários.

Desencorajados, cada vez menos consumidores buscavam o MSN Smart Watch e ele sucumbiu em 2008 após todo o estoque sumir das prateleiras e a Microsoft se pronunciar afirmando que não havia planos de uma nova versão do relógio supostamente inteligente.

Por muito tempo Bill Gates foi o garoto propaganda do Smart Watch. Mas o dispositivo não funcionava direito e era cheio de limitações para que os consumidores o desejassem.

Por muito tempo Bill Gates foi o garoto propaganda do Smart Watch, mas o dispositivo não funcionava direito e era cheio de limitações para que os consumidores o desejassem.

3. Windows ME

Após o lançamento do Windows 98 a Microsoft conseguira um feito e tanto: emplacara com sucesso 3 sistemas operacionais seguidos. Windows 3.1, Windows 95 e Windows 98 foram responsáveis por significativas melhorias no principal produto da companhia, que agora mirava o simbólico ano 2000 e a virada do milênio. Para comemorar, nada melhor do que uma igualmente bem sucedida quarta versão seguida do Windows. E foi assim, envolto em muita expectativa, que o Windows ME chegou ao mercado em 2000.

Visualmente o Windows ME era bastante semelhante ao Windows 98 e as diferenças eram muito sutis. No entanto, com ele a Microsoft passou a oferecer ao usuário doméstico uma nova experiência multimídia, com suporte nativo a arquivos MP3, a inclusão do Movie Maker para autoração e compartilhamento de vídeos e maior suporte a redes domésticas. Uma outra grande adição foi a aparição de um recurso que se faria presente em todas as demais versões do Windows dali para frente: a Restauração do Sistema.

As novidades, que não eram tão evidentes aos olhos dos usuários comuns, acabaram passando despercebidas e o que sobrou do Windows ME foram as críticas à instabilidade do sistema. Há quem diga que a Microsoft o fez às pressas para ser lançado antes da virada do milênio e outros que dizem que os novos recursos não foram suficientes para justificar um novo sistema operacional.

No fim das contas, o Windows ME foi descontinuado treze meses após seu lançamento e foi classificado como o quarto "Pior produto tecnológico de todos os tempos" pela PC World, que o etiquetou de "Windows Mistake Edition" após vários usuários relatarem "problemas para instalá-lo, fazê-lo funcionar, colocá-lo para reconhecer com outros hardwares e softwares e fazê-lo parar de funcionar".

Uns dizem que ele foi feito às pressas, outros apenas que seus recursos não justificavam seu lançamento. Independente disso, o Windows ME foi um dos grandes tropeços da Microsoft com sua linha de sistemas operacionais.

Uns dizem que ele foi feito às pressas, outros apenas que seus recursos não justificavam seu lançamento. Independente disso, o Windows ME foi um dos grandes tropeços da Microsoft com sua linha de sistemas operacionais.

2. Microsoft Kin

O eminente fracasso do Windows Mobile após 2007 fez a Microsoft refletir e, por algum motivo, chegar à conclusão que sua principal falha era a falta de integração com as redes sociais. Por este motivo, a companhia achou uma boa ideia fazer um aparelho totalmente integrado às redes sociais e que tivesse apelo entre o público jovem. E foi a partir dessa ideia em 2008 que o Microsoft Kin começou a ser desenvolvido.

Foram necessários dois anos de desenvolvimento, US$ 1 bilhão em investimentos e a aquisição da startup Danger Incorporated para fazer o Kin sair do papel e chegar às lojas em maio de 2010. A proposta do aparelho era decente e incluia integração a redes sociais como Facebook, Twitter e MySpace, armazenamento de dados na nuvem e uma loja de apps para download.

Apesar dos esforços da Microsoft em emplacá-lo, com apenas alguns dias no mercado ficou claro que o Kin havia sido lançado "capado". O design não agradava, o dispositivo não oferecia suporte a apps desenvolvidos por terceiros e a parceria estabelecida entre Microsoft e Verizon para oferecer um plano de dados para os consumidores falhou miseravelmente. O estoque encalhou como nunca se viu, a Verizon se recusou a vender o aparelho e, menos de dois meses após seu lançamento, o Kin foi descontinuado.

O Kin precisou de US$ 1 bilhão para ser desenvolvido, dois anos para ficar pronto e durou menos de dois meses no mercado. Ninguém queria comprar e nem vender o aparelho e ele foi descontinuado 48 dias após o lançamento.

O Kin precisou de US$ 1 bilhão para ser desenvolvido, dois anos para ficar pronto e durou menos de dois meses no mercado. Ninguém queria comprar e nem vender o aparelho e ele foi descontinuado 48 dias após o lançamento.

1. Windows Vista

Após o fracasso do Windows ME a Microsoft conseguiu emplacar um dos seus melhores sistemas operacionais com o Windows XP. Com o sucesso astronômico do XP, criou-se uma enorme expectativa quanto ao Windows Vista e Steve Ballmer chegou a considerá-lo o "maior lançamento da história do software". Mas não colou.

Apesar de apresentar melhorias significativas em termos de segurança, funcionalidades multimídia e uma belíssima interface do usuário, o Vista falhou antes mesmo de ser lançado. Com sucessivos adiamentos, ele passou a ser considerado o "lançamento mais atrasado da história do software" e fez com que consumidores e parceiros perdessem confiança nele.

Ao chegar às prateleiras, não demorou muito para que os consumidores pudessem descobrir que acessórios e aplicativos mais antigos não funcionavam corretamente nele. Os que conseguiram por tudo em ordem, descobriram que o sistema era lento, pesado e exigia mais do que qualquer computador poderia oferecer. As reclamações se acumularam, rapidamente ganharam força e levaram as pessoas a acreditar que não havia motivos suficientes para atualizar seus computadores para um sistema que só dava dores de cabeça. Sem vender, a Microsoft foi forçada a acelerar o desenvolvimento do que hoje conhecemos por Windows 7 e a admitir que o sistema foi um completo fracasso.

Lento e pesado, o Windows Vista acumulou inúmeras reclamações e maus comentários que até hoje fazem sua fama. Em poucos anos o software foi do céu ao inferno, passando de

Lento e pesado, o Windows Vista acumulou inúmeras reclamações e maus comentários que até hoje fazem sua fama. Em poucos anos o software foi do céu ao inferno, passando de "maior lançamento da história do software" para um dos maiores arrependimentos da história da Microsoft.

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