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Meta é acusada de usar IA para escolher e demitir funcionários doentes

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Marcelo Fischer/Canaltech

Vinte e seis ex-funcionários da Meta entraram com uma ação judicial contra a empresa nesta semana, acusando a companhia de usar sistemas de inteligência artificial para selecionar trabalhadores com problemas de saúde durante a onda de demissões realizada em maio.

O processo foi apresentado na segunda-feira (13) em um tribunal federal de Oakland, na Califórnia, e afirma que a Meta usou notas de produtividade e dados de uso de ferramentas de IA para compor a lista de desligamentos.

Segundo a ação, esses critérios prejudicaram de forma desproporcional funcionários que haviam tirado licença médica por conta de algum problema de saúde ou por deficiência, e gestantes.

A dona do Facebook, Instagram e WhatsApp cortou cerca de 8 mil funcionários em maio, o equivalente a 10% da força de trabalho global, dentro de uma reestruturação para concentrar recursos em IA.

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O que diz o processo

A ação, de 71 páginas, sustenta que a Meta não montou a lista de demissões a partir do julgamento de gestores que conheciam o trabalho de cada funcionário. Em vez disso, um conjunto de sistemas internos de IA teria pontuado, ranqueado e selecionado os empregados incluídos na lista.

Os processos automatizados coletam dados de desempenho, produtividade e outras métricas que não existem quando o funcionário está afastado por licença médica ou familiar.

Para pessoas com deficiência, essas métricas tendem a ser menores, argumenta a ação. O resultado, segundo os advogados dos autores, penalizou trabalhadores justamente por exercerem um direito legal.

Os 26 autores, que entraram com o processo de forma anônima, acusam a Meta de violar leis federais e estaduais contra discriminação e retaliação, além de leis recentes da Califórnia e de Nova York que exigem testes de viés em sistemas automatizados de decisão.

 

Sistemas de IA citados na ação

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Entre as ferramentas mencionadas no processo está o “Metamate", assistente de linguagem interno da empresa. A ação também cita um sistema batizado de "segundo cérebro", treinado com comunicações e documentos dos próprios funcionários, além de uma pontuação de produtividade calculada a partir de teclas digitadas, conteúdo de tela, e-mails e histórico de navegação.

Esses dados alimentavam um programa de monitoramento que a Meta havia lançado no início do ano. A ferramenta capturava atividade do mouse, mensagens e localização em dispositivos corporativos.

O CEO Mark Zuckerberg disse em uma reunião interna, segundo a revista The Information, que o objetivo era treinar os sistemas de IA da empresa a partir do comportamento de funcionários considerados de alta performance.

Casos citados no processo

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O processo detalha situações individuais para sustentar a alegação de viés. Uma cientista em licença-maternidade aprovada foi notificada da demissão dois dias antes de dar à luz.

Um engenheiro afirma ter recebido uma avaliação rebaixada por causa de um período de afastamento para tratar uma lesão.

E um gerente em licença médica foi desligado 16 dias após o início do afastamento.

Resposta da Meta

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Um porta-voz da Meta classificou as acusações como infundadas. Segundo a empresa, decisões sobre gestão de funcionários e organização interna são tomadas por pessoas, não por inteligência artificial.

O programa de monitoramento gerou protestos internos nos meses seguintes ao lançamento. Mais de 1,6 mil funcionários assinaram uma petição alegando violação de privacidade, e Zuckerberg anunciou em junho a suspensão da iniciativa.

Próximos passos e contexto da reestruturação

Os autores da ação seguem como funcionários da Meta até 22 de julho, data em que os desligamentos devem começar.

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Os advogados pedem ao tribunal uma decisão liminar para suspender a finalização das demissões enquanto o caso avança em arbitragem privada, além de uma auditoria independente sobre os sistemas de IA usados na seleção.

A empresa já havia informado que cerca de 7 mil funcionários seriam realocados para áreas ligadas à inteligência artificial antes dos cortes.

Os investimentos da companhia no setor devem somar entre US$ 115 bilhões e US$ 135 bilhões em 2026, segundo a própria empresa, incluindo um contrato de pelo menos US$ 60 bilhões com a fabricante de chips AMD.