Com lucro recorde, Meta inicia a demissão de 8 mil funcionários nesta semana
Por Marcelo Fischer Salvatico |

A Meta deve iniciar nesta quarta-feira (20) uma nova rodada de demissões em massa que atingirá cerca de 8 mil funcionários, o equivalente a 10% do seu quadro global. A companhia também cancelou 6 mil vagas que estavam abertas, elevando o impacto total da reestruturação para 14 mil posições.
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A decisão ocorre enquanto a empresa redireciona seus recursos para financiar investimentos de até US$ 145 bilhões em infraestrutura de inteligência artificial (IA) previstos para 2026.
Em um memorando interno obtido pela agência Reuters e compartilhado com os funcionários na última segunda-feira (18), a diretora de recursos humanos da Meta, Janelle Gale, detalhou os planos para a reestruturação.
A empresa passará por uma mudança organizacional para operar com uma estrutura mais horizontal, com times menores e maior velocidade de execução, o que inclui a eliminação de diversos cargos de gerência.
Segundo a agência de notícias, além dos cortes, 7 mil funcionários serão transferidos para novas iniciativas voltadas para fluxos de trabalho de IA, como as divisões Applied AI Engineering (AAI) e Agent Transformation Accelerator (ATA) XFN. O objetivo dessas equipes é criar agentes autônomos capazes de realizar tarefas atualmente feitas por humanos.
No total, entre demissões e transferências, cerca de 20% da força de trabalho da empresa será afetada pelas mudanças.
A Reuters também revelou que os funcionários na América do Norte foram orientados a trabalhar de casa nesta quarta-feira, dia em que as notificações de desligamento devem ocorrer. A companhia contava com 77.986 colaboradores no final de março e já prevê rodadas adicionais de cortes para o final deste ano.
Aposta bilionária e insatisfação interna
O movimento atual contrasta com o desempenho financeiro da controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp. A companhia registrou receita recorde de US$ 56,31 bilhões no primeiro trimestre de 2026.
Os cortes visam compensar o aumento das despesas de capital projetadas para o ano, com foco principal em data centers e chips para o treinamento de modelos de IA.
As mudanças organizacionais geraram forte reação interna. De acordo com a Reuters, funcionários têm protestado com panfletos nos escritórios e mensagens de revolta na plataforma de comunicação corporativa Workplace. Durante semanas após os primeiros rumores sobre os cortes, trabalhadores passaram a responder às postagens de executivos com fotos de elefantes, exigindo que a liderança abordasse o "elefante na sala" sobre as demissões.
A insatisfação aumentou recentemente após a instalação de um software de rastreamento de uso de mouses nos computadores corporativos. A ferramenta serve para treinar a IA da empresa a replicar interações humanas com a máquina. Mais de mil funcionários assinaram uma petição solicitando o encerramento do projeto, apontando que os executivos ignoraram preocupações graves sobre privacidade e consentimento.