Luiza Trajano recebe troféu e debate legado do Magalu na Gramado Summit
Por Elisa Fontes |

Manter a tradição diante de tantas transformações no varejo é um desafio diário e um pilar que explica os quase 70 anos de história do Magazine Luiza. No palco principal da Gramado Summit 2026, Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração da empresa foi entrevistada pelo CEO e fundador do evento, Marcus Rossi e falou para um plateia lotada sobre os valores que guiam o Magalu e a integração físico-digital do comércio varejista.
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O painel "A construção de um legado visto de dentro" aconteceu na última quinta-feira (7) no Serra Park, espaço de eventos da cidade de Gramado. Esse ano, o Magalu Cloud, braço de tecnologia de nuvem da varejista, foi mais uma vez um dos principais patrocinadores da edição, e o Canaltech cobriu a feira como media partner oficial. Temas como inteligência artificial, a potência do ser humano, o futuro da criação de conteúdo e dos negócios dominaram os debates ao longo dos três dias da Gramado Summit.
No mesmo dia, Luiza Helena recebeu o primeiro Troféu Octávio Rossi da Câmara de Vereadores de Gramado, premiação criada para reconhecer empreendedores ligados à inovação no Brasil.
Empatia no balcão e o foco no consumidor final
Para explicar os valores que levaram o Magalu a se tornar uma potência, Luiza Helena relembrou a origem de sua visão de negócios: o balcão de uma loja em Franca (SP), cidade onde a empresa nasceu em 1957. Foi ali que aprendeu a empatia, a capacidade de sair do próprio ponto de vista para entender o do cliente, segundo ela.
"É você trocar de papel com o outro, entrar no mundo do outro, e não no seu mundo. Porque ou você faz isso, ou você não vende", afirmou.
Esse princípio se desdobrou, ao longo do painel, em uma afirmação direta sobre o papel de qualquer empresa que depende do consumidor final. "Todos nós, nesta sala, vivemos do consumidor final. Pode fazer a conta: é a indústria, é o serviço, é você. É o consumidor final que comprou de alguém que ganhou o dinheiro e que veio aqui [para o evento]", disse ela. Segundo a empresária, quem está nessa posição não pode “ser metido”.
A aposta em experiência no varejo físico
Perguntada sobre o fim das lojas físicas no varejo, Luiza foi enfática ao dizer que não acredita nessa previsão. O próprio Magalu, com 1.240 lojas espalhadas pelo país, começou a apostar em modelos diferentes do convencional e abriu recentemente a Galeria Magalu, que ocupa o antigo espaço da Livraria Cultura na Avenida Paulista, em São Paulo, como exemplo desse caminho.
A megaloja preserva o ambiente histórico da livraria, com um teatro reformado, uma galeria com as principais marcas do Ecossistema do Magazine Luiza e uma programação dedicada aos influenciadores durante o dia. "É o antigo com o novo, é o digital com o físico", descreveu. Mas, ela deixou claro que o modelo não é uma referência única para toda a rede: "Ninguém está falando que precisa ser igual. Mas a tendência é levar experiência, levar coisas diferentes que vendem".
Gestão familiar e redes sociais como canal de escuta
A questão da sucessão e da convivência entre família e gestão profissional também foi um dos temas debatidos no painel. Luiza explicou que o Magazine Luiza tem acordos familiares estabelecidos há décadas: “Ninguém tira dinheiro, ninguém tira férias à vontade. Nós levamos o ritmo profissional. Agora, sempre tem o jeito familiar ser, que a gente não quer perder”, explica.
Além disso, Luiza também contou que sempre usou as redes sociais para acompanhar reclamações de clientes. Ela mantém um time de oito pessoas dedicadas a tratar casos que chegam pelos seus perfis e afirmou que responde pessoalmente quando necessário.
"Quem te faz famoso é a pessoa que está na ponta", disse, reforçando que o reconhecimento da marca depende mais da resolução de problemas do consumidor do que de qualquer estratégia de comunicação. Essa preocupação, segundo ela, vem desde a época em que estava à frente da empresa, nos anos 1990, quando deixava seu telefone particular em encartes de oferta distribuídos nas lojas.
Troféu Octávio Rossi: homenagem ao legado no varejo
Em sessão solene no Plenário Júlio Floriano Petersen, a Câmara Municipal de Gramado entregou pela primeira vez o Troféu Octávio Rossi. A premiação leva o nome do pioneiro do turismo gramadense — avô de Marcus Rossi —, que morreu em 2023 aos 94 anos.
Luiza Helena Trajano recebeu o troféu na categoria nacional. Em seu discurso, ela atribuiu sua ligação com Gramado à Gramado Summit e lembrou o papel do turismo na geração de emprego.
O segundo homenageado foi Gregório Nardini, fundador da Planne, plataforma de e-commerce para atrações turísticas, reconhecido pela contribuição ao ecossistema de inovação local. Ele foi o primeiro vencedor da Batalha de Startups da Gramado Summit, em 2017.
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