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Jornal revela suposto esquema na Binance para driblar regras nos EUA

Por| 17 de Outubro de 2022 às 20h20

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Binance
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O momento é de turbulência para uma das maiores corretoras de criptomoedas do mundo, a Binance. O governo dos Estados Unidos vêm pressionando a companhia chinesa, e aumentando as investigações sobre atividades suspeitas de lavagem dinheiro. Some isso ao fato de, recentemente, uma ponte blockchain ligada à empresa ter sido invadida e quase R$ 3 bilhões terem sido levados por cibercriminosos. Agora, a empresa de jornalismo Reuters acusa o grupo asiático de tocar um esquema para driblar regras financeiras nos Estados Unidos.

A reportagem caiu como uma bomba no mercado cripto na manhã desta segunda-feira (17), nas páginas da Reuters. Com o título “Como o CEO e assessores da Binance conspiraram para evitar reguladores nos EUA e nos Reino Unido”, a matéria foi construída a partir de entrevistas de 30 ex-funcionários, consultores e parceiros de negócios, além da leitura e análise de milhares de mensagens, e-mails e documentos da empresa, datados de 2017 ao início de 2021.

Segundo o texto, em 2018 o CEO da Binance, Changpeng Zhao, criou uma nova corretora em solo estadunidense, a Binance.US, como uma “distração” para os reguladores, enquanto o grupo principal mantinha seu crescimento agressivo, ignorando até mesmo os altos e baixos da grande volatilidade do mercado cripto.

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A própria Reuters revelou no começo do ano que a Binance teria fracos controles antilavagem de dinheiro e dificultaria a transparência das informações de transações diante dos reguladores. Embora isso supostamente tenha catapultado seu uso, também é atrelado a negociações duvidosas em criptomoedas que movimentaram nada menos do US$ 2,35 bilhões (R$ 12,4 bilhões) em ativos, todos ligados a atividades de cibercriminosos, traficantes de drogas e fraudadores.

Turbulência na Binance dos EUA e no Reino Unido

O texto da Reuters também destaca problemas internos na Binance.US, principalmente no que diz respeito à operação de conformidade das atividades da empresa. Quase metade da equipe desse setor se demitiu no meio deste ano após à chegada de um novo chefe nomeado por Zhao, de acordo com quatro pessoas que trabalharam na companhia.

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Segundo essas fontes, o grupo saiu porque o novo líder teria pressionado um registro de usuários tão rápido que não seria possível realizar verificações adequadas de lavagem de dinheiro. O Departamento de Justiça dos EUA vem investigando se a Binance violou a Lei de Sigilo Bancário, que exige que das corretoras de criptomoedas o registro no Departamento do Tesouro e cumprimento dos requisitos antilavagem de dinheiro.

Outra parte da reportagem mostra que, em 2020, Zhao também teria assinado um plano com um executivo da Binance para, supostamente, dificultar a implementação de novas regras e a revisão de finanças ilícitas na plataforma de criptoativos da companhia no Reino Unido.

O que diz a Binance?

Em uma extensa nota publicada online, o próprio CEO da Binance, Changpeng Zhao, assinou o comunicado, em que ele diz estar defendendo sua própria família. “(...)Nos últimos dois anos, trabalhamos com as autoridades globais para apreender ativos de organizações criminosas em todo o mundo. Meus filhos não são do interesse público e estes repórteres estariam conscientemente colocando-os em perigo ao publicar informações sobre eles. Isto denota falta de princípios e é intolerável”, disse.

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Sobre o cumprimento de regras de conformidade, Zhao disse: “Somente no último ano, contratamos mais de 4.000 novos funcionários, muitos dos quais nas áreas de compliance, investigações e segurança. Hoje, a Binance é uma empresa muito diferente do que era quando foi fundada. Temos trabalhado lado a lado com reguladores de todo o mundo para reestruturar nossa organização e atualizar nossos sistemas”.

“Nossa equipe de segurança e conformidade global, líder nesta indústria, tem mais de 500 funcionários em todo o mundo e inclui profissionais com experiência como reguladores, investigadores seniores de empresas de análise de blockchain e agentes da lei que lideraram algumas das maiores investigações relacionadas a crimes cibernéticos. No entanto, esse é um esforço que nunca termina, por isso continuamos investindo para estabelecer uma estrutura de compliance em que os usuários possam confiar”, continuou.

Já a respeito da suposta lavagem de dinheiro na plataforma da corretora, a Binance disse o seguinte: “Existe um grande mito sobre a criptomoeda ser uma ferramenta de criminosos. A Reuters informou que a Binance foi usada como canal para a lavagem de pelo menos US$ 2,35 bilhões em fundos ilícitos, mas falhou em 1) fornecer detalhes de como esse número foi calculado e 2) ressaltar o fato de que isso representa menos de 0,1% do total fundos que fluem através da Binance desde 2019. Apesar do número da Reuters ser muito exagerado, ainda indicaria que a Binance é uma das instituições financeiras mais eficazes em manter fundos ilícitos fora de sua plataforma. Temos tolerância zero para atividades criminosas”.

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Enquanto isso, as investigações continuam, assim como a expansão da Binance na América do Sul, inclusive no Brasil. Seguimos acompanhando os próximos capítulos.