Guia Bolso e o movimento open banking

Por Stephanie Kohn | 05 de Abril de 2018 às 16h20

Em 2012, Thiago Alvarez e Benjamin Gleason decidiram encabeçar uma missão: organizar a vida financeira dos brasileiros. Cerca de dois anos depois, o Guia Bolso nascia como um aplicativo de controle financeiro que faz conexão com contas de bancos e baixa automaticamente todas as informações de gastos e rendas dos usuários. Cinco dias após o lançamento, o aplicativo se tornou o primeiro app brasileiro na lista da App Store, da Apple. Ele ultrapassou o Tinder e confirmou a estratégia dos criadores: dinheiro é de fato uma preocupação no Brasil.

Até aquele momento, no entanto, eles não pensavam em monetizar o app. “A ideia era entender o usuário primeiro, entender as finanças dos brasileiros e para isso precisávamos expandir a base”, comentou Inajá Azevedo, diretor de tecnologia em entrevista exclusiva ao Canaltech.

Pouco tempo depois, em 2015, eles lançaram a ferramenta Saúde Financeira, que permite ao usuário saber como ele está cuidados do seu dinheiro e somente em 2016 que o app passou a vender produtos em sua plataforma, monetizando o modelo de negócio. “Vimos que 1/3 dos usuários deviam no cheque especial e/ou cartão de crédito e entendemos que era a hora de dar um passo a frente”, disse o diretor. Por meio de um comparador, o consumidor consegue checar as taxas de empréstimo pessoal dos diversos bancos da plataforma, escolher a mais barata e fechar o negócio via aplicativo mesmo.

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O marketplace de empréstimos criado dentro do Guia Bolso acabou virando o Just, uma plataforma independente de crédito pessoal. Atualmente, a taxa final (Custo Efetivo Total ou CET) varia de 1,9% a 8,2% ao mês, de acordo com o perfil do solicitante. Os juros oferecidos a cada cliente depende de diversas informações, tais como suas finanças pessoais e histórico de crédito. A avaliação é feita conforme a política de crédito da instituição financeira parceira, a solicitação demora 5 minutos e o dinheiro cai na conta do consumidor em até 30 horas, mediante a aprovação.

“A nossa primeira aposta de produto não era crédito e sim investimento, mas ao analisar a realidade do brasileiro entendemos que oferecer crédito pessoal teria um impacto maior nas finanças dos consumidores. O Just surgiu quando percebemos que outras fintechs de crédito não tinham uma experiência totalmente digital. Ele foi quase como um case que criamos no marketplace, mas que cresceu tanto que acabou ganhando um site independente do Guia Bolso, apesar de ainda estar disponível dentro do Guia Bolso também”, explicou.

A ideia de oferecer investimentos aos consumidores ainda está de pé, assim como cartão de crédito, seguro e demais serviços. Mas não se engane, o Guia Bolso não quer competir com bancos ou outras fintechs como a Nubank, por exemplo, ele quer ser apenas o marketplace, o local em que os consumidores tenham as opções de produtos financeiros baseados em seu perfil individual - isso porque eles continuam investindo forte na ideia inicial de plataforma de controle financeiro, afinal, só assim eles saberão o que seus usuários realmente precisam.

“No total são 4,5 milhões de usuários do Guia Bolso, contra 50 mil do Just, mas tudo bem as pessoas usarem mais o controle financeiro que contratar crédito pessoal. Nossa ideia é oferecer cada vez mais produtos que atendam mais pessoas, seja cartão de crédito, investimento, seguro ou qualquer outra coisa. Esse é o movimento do open banking, o usuário ser o dono da informação e escolher o serviço que quer usar."

O open banking é um modelo de negócios no qual os bancos abrem as plataformas digitais próprias para que aplicações de terceiros – fintechs – ofereçam serviços aos correntistas, integrados à instituição financeira. Bancos e fintechs usam APIs para viabilizar os serviços.

"A instituição financeira ou fintech que não entender o Open Banking vai ficar de fora desse momento. É o empoderamento do consumidor no mercado financeiro”, finalizou.

Sobre o Guia Bolso

Em cinco anos, o Guia Bolso já levantou R$ 215 milhões em rodadas de investimento, sendo a maioria de empresas de fora do Brasil. Atualmente trabalham 240 pessoas no aplicativo, sendo que 80 delas foram contratadas no início do ano para compor, em sua grande maioria, o time de desenvolvedores. Ou seja, vem novidade por aí.

Quer saber mais sobre o mundo das fintechs e a tendência de open banking? Leia mais de nossos conteúdos nos links abaixo:

https://canaltech.com.br/busca/?q=especial+fintechs

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