Google reduz taxas na Play Store, mas usuários criticam restrições no Android
Por Marcelo Fischer Salvatico • Editado por Bruno De Blasi |

O Google anunciou nesta quarta-feira (4) mudanças estruturais nas taxas da Play Store e nas regras de distribuição de aplicativos no Android. A atualização reduz custos para desenvolvedores e encerra a disputa judicial com a Epic Games, mas gerou críticas da comunidade sobre o risco de o sistema se tornar um ecossistema fechado.
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O pacote de novidades inclui o programa "Registered App Stores", que promete facilitar o sideloading (instalação de apps fora da loja oficial). A iniciativa oferece um fluxo de instalação simplificado para lojas de aplicativos de terceiros que cumprirem requisitos de segurança do Google.
Novas taxas e cronograma
Na vertente financeira, o Google separou a taxa de serviço da taxa do sistema de faturamento. A cobrança padrão para compras no aplicativo (IAP) cai para 20% em novas instalações.
Desenvolvedores que optarem pelo faturamento do próprio Google pagarão uma taxa adicional de 5% em mercados específicos, mas estão livres para usar sistemas de cobrança próprios.
A empresa também introduziu programas de incentivo de qualidade (Apps Experience e Level Up) que reduzem a taxa de serviço para 15% para novas instalações de apps. Assinaturas recorrentes terão a taxa fixada em 10%.
O novo modelo comercial e de distribuição entra em vigor de forma escalonada. Estados Unidos, Reino Unido e o Espaço Econômico Europeu recebem as alterações até 30 de junho. A implementação para o resto do mundo, que inclui o mercado brasileiro, está prevista apenas para 30 de setembro de 2027.
O histórico de fechamento
A exigência de verificação para desenvolvedores e lojas terceiras motivou reações negativas imediatas nas redes sociais. Em resposta ao anúncio do presidente do Ecossistema Android, Sameer Samat, no X (antigo Twitter), usuários acusaram a empresa de restringir a flexibilidade histórica do sistema.
Usuários argumentaram que a principal vantagem do Android é ser uma plataforma aberta e que a verificação de desenvolvedores cria um "jardim murado".
Durante a discussão, movimentos organizados também ganharam tração, com o compartilhamento de portais como o "keepandroidopen.org" cobrando a manutenção do Android aberto.
O debate sobre o controle do ecossistema acompanha a evolução do Android. A base do sistema operacional, o Android Open Source Project (AOSP), é de código aberto.
No entanto, o Google transferiu gradualmente recursos essenciais para o funcionamento dos apps, como APIs de localização e notificações, para o pacote proprietário Google Mobile Services (GMS). A nova exigência de registro para lojas terceirizadas formaliza uma barreira para a distribuição independente, consolidando o Google como principal filtro de segurança e acesso aos dispositivos.
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