Funcionários de Google e OpenAI criticam parceria de IA com governo dos EUA
Por Marcelo Fischer Salvatico • Editado por Bruno De Blasi |

Funcionários do Google e da OpenAI publicaram uma carta aberta nesta segunda-feira (2) para criticar a pressão do governo dos Estados Unidos pelo uso de inteligência artificial (IA) para fins militares.
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O documento, intitulado "We Will Not Be Divided" ("Não Seremos Divididos", em inglês), reúne assinaturas de trabalhadores que pedem às lideranças das empresas que recusem as demandas do Departamento de Guerra americano.
A carta conta com 867 signatários ligados ao Google, sendo 866 funcionários atuais, e 100 assinaturas de colaboradores da OpenAI. O texto afirma que o Pentágono negocia com as duas companhias para que elas aceitem termos contratuais que a concorrente Anthropic recusou recentemente.
A principal exigência dos trabalhadores é a manutenção das "linhas vermelhas" no desenvolvimento da tecnologia. O grupo pede que os modelos de IA não sejam liberados para uso em vigilância em massa doméstica e em “sistemas de matança” autônoma sem supervisão humana.
A organização da carta permite que funcionários atuais e antigos assinem anonimamente, mas exige a verificação de todas as assinaturas antes da publicação.
O processo de validação é feito por meio de envio de link para o e-mail corporativo ou formas alternativas de comprovação de vínculo empregatício, como o envio de uma foto do crachá de trabalho.
De acordo com o documento divulgado no site notdivided.org, o governo tenta dividir as empresas ao criar o medo de que a concorrente cederá às pressões governamentais. Os funcionários defendem que a carta serve para criar um entendimento compartilhado e solidariedade entre as equipes na indústria de IA.
Anthropic e o governo dos EUA
A mobilização dos funcionários ocorre após o governo dos Estados Unidos, sob a administração de Donald Trump, tomar medidas punitivas contra a Anthropic.
O Departamento de Defesa ameaçou invocar a Lei de Produção de Defesa para forçar a empresa a fornecer seus modelos de IA para as Forças Armadas e adaptá-los às necessidades militares.
Além disso, o governo ameaçou rotular a companhia como um "risco à cadeia de suprimentos". A ação ocorreu em retaliação à recusa da Anthropic em violar suas políticas internas para o uso da tecnologia. A designação oficial de risco aconteceu na última sexta-feira (27), horas antes do início de operações de combate e ataques dos EUA ao Irã.
O cenário gerou tensão no setor de tecnologia e impulsionou a adesão de mais trabalhadores às petições. A pressão interna no Google também aumentou após relatos de que a empresa negocia a implantação do modelo Gemini em um sistema classificado do Pentágono.
Outros grupos da indústria ampliaram as críticas de forma paralela. A coalizão "No Tech For Apartheid" publicou uma declaração exigindo que empresas de infraestrutura em nuvem, como Amazon, Google e Microsoft, recusem termos do Pentágono que viabilizem a vigilância em massa ou usos abusivos de IA.
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