"Design viciante": União Europeia acusa TikTok de violar leis do bloco
Por Marcelo Fischer Salvatico • Editado por Bruno De Blasi |

A Comissão Europeia divulgou nesta sexta-feira (6) conclusões preliminares de que o design do TikTok é "viciante" e viola a Lei de Serviços Digitais (DSA) do bloco. De acordo com o comunicado oficial, a plataforma da ByteDance não avaliou adequadamente os riscos que seus recursos representam para a saúde física e mental dos usuários, especialmente crianças.
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A investigação, iniciada em fevereiro de 2024, focou em funcionalidades centrais do aplicativo. O documento cita especificamente a "rolagem infinita" (infinite scroll), a reprodução automática de vídeos (autoplay) e o sistema de recomendações hiperpersonalizado como elementos problemáticos.
Segundo a Comissão, essas características exploram vulnerabilidades psicológicas. O órgão afirma que, ao oferecer recompensas constantes com novos conteúdos, "certos recursos de design do TikTok alimentam a necessidade de continuar rolando e colocam o cérebro dos usuários em 'modo piloto automático'".
Isso, segundo a análise, pode levar a comportamentos compulsivos e reduzir o autocontrole dos usuários.
Ferramentas de proteção questionadas
As autoridades europeias também criticaram as ferramentas de proteção oferecidas pela rede social. A avaliação preliminar indica que os limites diários de tempo de tela são ineficazes, pois são "fáceis de dispensar" e não geram atrito suficiente para interromper o uso excessivo.
A Comissária Europeia Henna Virkkunen foi enfática sobre a responsabilidade da empresa. "O vício em mídias sociais pode ter efeitos prejudiciais nas mentes em desenvolvimento de crianças e adolescentes", alertou Virkkunen no comunicado oficial.
Ela também reforçou a posição rígida do bloco: "A Lei de Serviços Digitais torna as plataformas responsáveis pelos efeitos que podem ter sobre seus usuários. Na Europa, aplicamos nossa legislação para proteger nossas crianças e nossos cidadãos online".
Multa e defesa
O TikTok contestou as acusações. Um porta-voz da empresa declarou que as conclusões apresentam uma "descrição categoricamente falsa e inteiramente sem mérito" da plataforma. A companhia afirmou ainda que tomará as medidas necessárias para se defender.
Agora, a empresa tem o direito de responder formalmente às conclusões por escrito. Caso a infração seja confirmada ao final do processo, a Comissão Europeia pode aplicar uma multa de até 6% do faturamento global anual do TikTok — um valor que pode atingir a casa dos bilhões.
A investigação também abrange o chamado "efeito toca do coelho" (rabbit hole effect), onde algoritmos conduzem usuários a conteúdos cada vez mais extremos, e a verificação de idade na plataforma.
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