Demanda por PCs aumenta, mas remessas caem no 1º tri devido ao COVID-19

Por Rui Maciel | 13 de Abril de 2020 às 12h10

Contrariando trimestres anteriores, a demanda por PCs (e por dispositivos eletrônicos em geral) teve um surpreendente aumento no primeiro trimestre deste ano. Segundo um relatório da Canalys, o COVID-19 foi um dos fatores responsáveis por esse crescimento. Mas, ironicamente, a pandemia também está causando um declínio nas remessas de equipamentos para as lojas.

De acordo com a consultoria especializada em inteligência de mercado, a demanda por PCs continua alta, mas as fabricantes não conseguem produzir e enviar equipamentos o suficiente para suprir a necessidade de consumidores e empresas.

O interessante aqui é que o COVID-19 é o responsável por essas duas situações: demanda e escassez. Isso porque, de acordo com o IDC, fabricantes e varejistas de PCs não estavam preparados para a pandemia e, prevendo queda nas vendas, elas começaram o ano com um baixo suprimento de processadores, como foi o caso da Intel. Logo, quando a crise do coronavírus ganhou o mundo, era tarde para que as fábricas chinesas dispusessem de peças e mão de obra necessárias para dar conta dos pedidos. Mesmo quando as empresas no país asiático retomaram sua produção, elas o fizeram, compreensivelmente, em um ritmo mais lento. Logo, as fabricantes de computadores não têm equipamentos o suficiente para atender a todos que desejam adquiri-los.

O resultado, segundo relatório do Canalys, é que todas as fabricantes, com exceção da Dell sofreram uma diminuição no número de remessas no primeiro trimestre de 2020. A Lenovo permanece no topo dessa relação, com quase 12,9 milhões de unidades de PCs vendidas, mantendo uma participação de 23,9% do mercado. E, ao que tudo indica, quem mais sofreu com a pandemia foi a Apple, que registrou uma queda de 21% em relação ao mesmo período do ano passado. Fora que o alto preço de seus equipamentos pode estar jogando contra a empresa, em um momento de incertezas no mercado de trabalho, quando as pessoas evitam grandes gastos.

Ainda que os números desse primeiro trimestre sejam aimadores, a IDC não está tão animada para o mercado de PCs para os próximos trimestres. Ainda que a produção das fabricantes consiga acompanhar os pedidos atuais, é improvável que o aumento da demanda continue nos outros meses desse ano. Até porque é bem possível que o mundo enfrente uma recessão das grandes, com empresas fechando e pessoas perdendo seus empregos. Logo, as prioridades, compreensivelmente, serão outras.

Fonte:  SlashGear  

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