Decisão da Justiça sobre greve dos Correios já tem data para sair

Por Redação | 15 de Setembro de 2020 às 19h45
Elza Fiuza/Agência Brasil

Com contingente funcional parado desde o dia 17 de agosto, os Correios anunciaram nesta terça-feira (15) que aguardam decisão judicial sobre a greve para normalizar as atividades operacionais. Nas últimas quatro semanas, a empresa registrou  mais de 187 milhões de cartas e encomendas entregues em todo o país.

Segundo nota divulgada pela empresa (que você pode ler no final desta notícia), as negociações ocorrem desde julho último. Com o objetivo de manter a saúde financeira da estatal,  eles envolviam cortes de privilégios e “adequação à realidade do país”. O julgamento da ação de dissídio coletivo está marcado para a próxima segunda-feira (21).

No texto divulgado, os Correios afirmam que os termos exigidos pelos funcionários para a retomada regular das atividades põem em risco a economia que vinha sendo aplicada. A diretoria da estatal afirma que registrou um prejuízo acumulado de R$ 2,4 bilhões. Com os cortes em diversos benefícios, vistos como excessivos pelos executivos da companhia, era esperada uma economia de cerca de R$ 800 milhões anuais. Segundo a estatal, esse valor, em três anos, seria suficiente para cobrir o déficit financeiro atual.

Os Correios estão em greve desde o último dia 17 de agosto (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

A empresa lamenta ainda o contexto da pandemia, e afirma que a explosão do e-commerce – o comércio eletrônico, que depende exclusivamente do serviço de transporte e logística para a entrega de mercadorias, – seria uma forma de “alavancar o negócio em um dos poucos setores com capacidade para crescer neste período.”

Privatização

Segundo a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (Fentect), parte dos trabalhadores decidiu cruzar os braços em protesto contra a proposta de privatização da estatal e pela manutenção de benefícios trabalhistas. Os funcionários pedem também reajustes salariais.

A categoria afirma dentre as medidas promovidas pela diretoria dos Correios, houve um corte de 70 benefícios da classe. Isso inclui itens como vale-alimentação, auxílio-creche e reduções de até 30% no adicional de risco. Houve reclamações de descontos indevidos nos pagamentos, bem como valores maiores a serem pagos no uso dos planos de saúde. Isso acabou prejudicando os funcionários que recebem o piso salarial da categoria, fazendo que a cobertura se tornasse impagável.

Além disso, a Fentect contraria a diretoria dos Correios, ao afirma que, em vez de déficit, a estatal, na verdade dá lucro. A entidade denuncia também uma discrepância elevada entre os salários da diretoria e dos funcionários, com alguns militares nos postos de chefia da estatal chegando a receber salários de até R$ 46 mil, enquanto trabalhadores de carreira ainda recebem R$ 1,7 mil por mês.

Confira abaixo a nota da íntegra divulgada pela diretoria dos Correios:

"Correios aguardam decisão da justiça para retomar sua qualidade operacionalNo início de julho desse ano, os Correios tentaram negociar com as entidades representativas dos empregados os termos do Acordo Coletivo de Trabalho 2020/2021. Em continuidade às ações de fortalecimento de suas finanças e consequente preservação de sua sustentabilidade, a empresa apresentou uma proposta que visa a adequar os benefícios dos empregados à realidade do país e da estatal. A economiaanualprevista com a redução dos privilégios é da ordem de R$ 800 milhões, valor que bastaria para,em apenas 3 anose com fluxo estável de receitas,cobrir o prejuízo acumulado de R$ 2,4 bilhões.

Em contraposição, os sindicatos exigiram a manutenção dos termos determinados nodissídio anterior, recusando-se a abrir mão dos privilégios concedidos em tempos de prosperidade ou, ainda,como solução para findargreves antes estas corroessem ocaixa da empresa de forma irreversível. Sobre o assunto, a empresa defende ser imprescindível que acordos coletivos reflitam o contexto em que são produzidos. Ao mesmo tempo em que devem manifestar a disponibilidade da empresa em repartir lucros com seus empregados, não podem contribuir para a sua falência ou a acumulação de prejuízos.

É evidente, portanto,que não há margem para propostas incompatíveis com a situação econômica atual da instituição e do país, o que excluí de qualquer negociação a possibilidade de conceder reajustes.Ademais, é preciso ressaltar que, na última década, os reajustes salariais dos empregados dos Correios superaram o do trabalhador médio: enquanto o salário mínimo aumentou 104%, os vencimentos de um carteiro, por exemplo, subiram 117%.

Além de afetar a imagem da instituição e de seus empregados perante a sociedade, asparalisaçõesda maior companhia de logística do Brasil, sobretudo no contexto atual, trazemprejuízos financeiros não só à própria estatal: inúmeros empreendedores brasileiros de todo porte contam com o bom funcionamento da empresa para manterem seus negócios ativos.

Em consonância comas determinações do Ministério da Economia referentes às empresas públicas, os Correios têm promovidocontenções de despesas e o saneamento de suasfinanças com a transparência de sempre, rejeitando qualquer alternativa que não garanta as melhores práticas de administração e governança da empresa, especialmente diante da perda de parcelas de mercado e frente ao cenário danoso causado pela pandemia.Em um cenáriono qualo desemprego cresce aceleradamente e as incertezas impostas pela  crise não apontamqualquer perspectiva, é um feito hercúleo manter uma empresa de porte nacional funcionando sem sacrificar, sobretudo,os empregos de seus trabalhadores.

Enquanto luta paraatravessar acrise sem precedentes que assola o mundo, a empresa busca alavancar seu negócio em um dos poucos segmentos com capacidade de crescer em meio ao cenário de pandemia e isolamento social: o e-commerce.Para isso, os Correios seguem trabalhando para reduzir os efeitos da paralisação parcial em curso: durante fins de semana e feriados, empregados das áreas administrativa e operacional têm unido forças para garantir a entrega de milhões de objetos. Nas últimas quatro semanas,as ações previstasno plano de continuidade dosnegócios possibilitaram quemais de 187 milhões de cartas e encomendas foram entregues em todo o país

Os Correios têm buscado encontrar o equilíbrio entre a recuperação financeira após anos de dilapidação dos seus recursos e a manutenção de empregos, salários e direitos dos seus empregados.Após sofrerempor longos anos com afalta de governança e a corrupção,os Correios tiveramseuhistórico agravado severamente porsucessivas greves.

Para que a empresa permaneça firme no caminho da recuperação econômica, os errosdas gestões passadasexigem, hoje,medidas duras e sacrifícios.Mais do que nunca, os Correios precisam de capital para investir e competir em pé de igualdade com as outras empresas do ramo, que se reinventam sempre no ritmo do mercado.A transformação da cultura de consumo global aponta para uma urgente necessidade de adaptação e inovação.Só assim será possível aos Correiosse estabeleceremcomo a melhor opção do mercado, competindo de forma igualitáriacom outros gigantes logísticose, por fim,garantiremsua sustentabilidade.

A empresa aguarda o retorno dos trabalhadores que aderiram ao movimento paredistaantes do julgamento do dissídio coletivo, marcadopara o próximo dia 21/09:cientes da sua responsabilidade para com a sociedade, eles são indispensáveis para aprestação de serviços essenciais à população em um momento tão delicado para o país e o mundo.

Fonte: Agência Brasil  

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.