Pandemia faz vendas online crescerem 100% no Brasil em junho; entenda

Por Rui Maciel | 03 de Agosto de 2020 às 14h45
Reprodução

Puxada pela pandemia da COVID-19, o uso do e-commerce continua em alta. Segundo dados do índice MCC-ENET - desenvolvido pelo Comitê de Métricas da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (camara-e.net), em parceria com o Movimento Compre & Confie - as vendas do setor mais que dobraram em junho de 2020. Em comparação ao mesmo período do ano passado, a alta foi de 110,52%.

Outros dados chamaram a atenção no documento: 18,2% de consumidores realizaram ao menos uma compra online entre o trimestre de abril a junho, o que representa alta de 5,9%em relação ao trimestre anterior (12,3%); além disso, foi registrado um novo recorde no índice de participação do e-commerce no varejo restrito no mês de maio: 12,6%.

"Com a chegada de uma pandemia no Brasil, podemos afirmar que estamos vivendo uma mudança de era no comércio eletrônico brasileiro, com a antecipação de patamares de vendas que certamente só seriam registrados a daqui a cinco anos", afirma André Dias, coordenador do Comitê de Métricas da camara-e.net e diretor-executivo do Compre & Confie. "O mercado realmente passou por uma grande transformação, com vendas de categorias de produtos de consumo diário e entrada de novos consumidores no varejo digital".

Outra métrica avaliada pelo MCC-ENET revela que, no trimestre de abril a junho de 2020, 18,2% dos internautas brasileiros realizaram ao menos uma compra online. Observa-se uma alta de 5,9% em relação ao trimestre anterior (12,3%). Já na comparação com o mesmo período em 2019 houve crescimento de 8,1%.

Queda nas vendas no mês a mês

Se as vendas no e-commerce apresentaram aumento quando comparadas ao mesmo período do ano passado, o mesmo não aconteceu no mês a mês, quando foi registrada uma queda de 13,11% em relação a maio de 2020. No entanto, segundo Dias, trata-se de um movimento esperado: "Esta queda em junho é natural do setor de vendas online, pois o mês de maio será sempre fortemente impulsionado pelas vendas do Dia das Mães. Na avaliação do acumulado do ano, por sua vez, a variação continua positiva: 59,88%".

Ao traçar a comparação do crescimento por região, em junho de 2020, em relação ao mesmo mês do ano anterior, o cenário ficou da seguinte forma: Nordeste (159,49%); Norte (118,65%); Sudeste (112,68%); Sul (79,52%); e Centro-Oeste (68,12%). Já no acumulado do ano, a configuração ficou da seguinte forma: Nordeste (86,62%); Norte (67,81%); Sudeste (57,59%); Centro-Oeste (56,60%); e Sul (47,74%).

Home office e informática lideram entre as categorias

Como já esperado em tempos de distanciamento social, a composição de compras realizadas online tiveram segmentos referentes ao home office na liderança. Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação responderam por 39,3% das vendas; móveis e eletrodomésticos ficaram na segunda colocação, com 23,6%. Já tecidos, vestuário e calçados aparecem em terceiro, com 13,4%. Na sequência, outros artigos de usos pessoal e doméstico (10,2%); artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (8,5%); hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (3%); e, por último, livros, jornais, revistas e papelaria (2%). Esse indicador também segue a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE.

Produtos relacionados a home office estiveram entre os mais vendidos no e-commerce brasileiro no último trimestre

Faturamento e participação no varejo

Assim como as vendas online de junho frente a maio tiveram queda, o faturamento do setor, nessa mesma base comparativa, também variou negativamente: -6,91%. Já o acumulado do ano segue positivo: 59,71%. Na métrica regional, junho de 2020 ante o mesmo mês do ano passado ficou da seguinte forma: Nordeste (165,44%); Norte (132,04%); Sudeste (107,35%); Centro-Oeste (75,72%); e Sul (71,93%). No acumulado do ano, seguindo a mesma configuração, os dados foram: Nordeste (95,24%); Norte (67,90%); Sudeste (55,65%); Centro-Oeste (47,75%); e Sul (43,87%).

Com novo recorde, no mês de maio, o e-commerce representou 12,6% do comércio varejista restrito (exceto veículos, peças e materiais de construção). No acumulado dos últimos 12 meses, nota-se que a participação desta modalidade junto ao varejo corresponde a 7,1%. Vale destacar que esse indicador foi feito a partir da última Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE, divulgado no dia 8 de julho.

Metodologia do MCC-ENET

Os índices mensais vêm da comparação dos dados do último mês vigente em relação ao período base (média de 2017). Para compor o índice, o Compre & Confie coleta 100% de todas as vendas reais de grande parte do mercado de e-commerce brasileiro, utilizando adicionalmente processos estatísticos para composição das informações do mercado total do comércio eletrônico brasileiro. Também são utilizadas informações dos indicadores econômicos nacionais do IBGE, IPEA e FGV.

O MCC-ENET traz uma visão completa a respeito do e-commerce no país a partir da análise das seguintes variáveis: percentual nacional e regional de vendas online, faturamento do setor e tíquete médio. Outras métricas analisadas mensalmente são participação mensal do e-commerce no comércio varejista e crescimento do setor no varejo restrito e ampliado, além da distribuição das vendas por categoria. Por último, a penetração de internautas que realizaram ao menos uma compra trimestralmente pela internet também está contemplada no índice.

Não estão contabilizados no MCC-ENET dados dos sites MercadoLivre, OLX e Webmotors, além do setor de viagens e turismo, anúncios e aplicativos de transportes e alimentação, pois ainda não são monitorados pelo Compre & Confie.

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