COVID-19 | Como fica o varejo?

Por Stephanie Kohn | 19 de Março de 2020 às 06h00
DW

O Google Retail preparou um material, baseado em relatórios e análises de diversas instituições e mídias, para entender o comportamento e movimentos de mercado em países que enfrentam o coronavirus há mais tempo. O objetivo é oferecer informações de suporte sobre o tema no Brasil, além de auxiliar marcas a enfrentar o momento.

"Não há nenhum dado ou fator que garanta que o comportamento no Brasil será o mesmo de outros Países. Os dados a seguir servem como fonte de consulta", diz o material.

De acordo com relatórios da McKinsey, Bain & Company e informações da Bloomberg, o efeito atual na economia global (SITREP) está classificado em 5, sendo esse o primeiro estágio de contingência, com mercados importantes reagindo fortemente ao surto.

E o impacto estimado no PIB Global (Produto Interno Bruto) é de -4% a -23% dependendo da velocidade da recuperação. Para se ter ideia, a China teve queda de 14% no PMI (Purchasing Managers Index) em fevereiro, indicador chave para medir negócios e economia.

Com isso, há 53% de chance de haver uma recessão econômica nos Estados Unidos no próximo ano. Mas, de acordo com o relatório, o impacto na economia global depende da trajetória da doença, principalmente nos países em expansão.

Global | Cases de varejistas

No varejo físico, segundo a NYT, Retaildive, Exame, Mintel Consumer Market News e um relatório da eMarketer, a queda no fluxo de pessoas nas lojas devido às recomendações de isolamento social foi de 9%. Varejistas como Nike e Apple fecharam lojas físicas para reduzir riscos para funcionários e clientes. A Starbucks, por exemplo, passa a operar no modelo “Grab and Go” (pegar e ir) ao invés de “Sip and Stay” (tomar e ficar). Também surgiram demandas por novos formatos de entrega, sem contato pessoal, em varejistas que continuaram abertos.

Já o varejo online, segundo essas instituições, teve aumento nas vendas em diversas categorias incluindo alimentos. As comidas não-perecíveis são as mais consumidas devido ao comportamento de estoque. Outras categorias com aceleração foram higiêne e limpeza.

Brasil | Impacto macro para os varejistas

Para as instituições financeiras Goldman Sachs e JP Morgan, com o câmbio mais alto, os varejistas de roupas, calçados e esportes são mais prejudicadas por causa do COGS (Cost of goods sold ou Custo dos produtos vendidos) importado da Ásia. Centauro, Renner e Hering são algumas delas. Já com o PIB menor, os varejistas de consumo discricionário em geral, como Via Varejo, Magalu, B2W serão as mais prejudicadas.

Todo o mercado brasileiro será afetado nesse momento, com aumento do custo de capital que impacta negativamente nas ações das empresas. Já a redução de crédito impacta mais fortemente varejistas mais alavancados como Via Varejo.

Como é fácil de imaginar, a quarentena deve aumentar o consumo online e as mais beneficiadas serão empresas com alto percentual das vendas online, como B2W, MELI, Magalu. Por outro lado, shoppings terão redução ou suspensão de circulação o que deve afetar empresas como Centauro, C&A, Renner e Riachuelo.

A disrupção da cadeia de suprimento, devem afetar principalmente varejistas de moda, que tem a maior parte do inventário vindo de importação e varejistas de eletro, que tem boa parte dos componentes vindo da Ásia. Em relação a estoques, varejistas que dependem mais de sellers menores que trabalham com baixo nível de estoque podem ser mais impactados, como MELI e B2W.

China | Impacto sobre comportamento

As indústrias mais impactadas no curto prazo foram aquelas que envolveram um contato humano como alimentação, entretenimento (cinema, teatro, museu, show), viagens, salão de beleza e ginástica, de acordo com o Kantar WeChat Survey. Os bens menos essenciais ou supérfluos também sofreram impactos negativos como moda, cosmético, luxo e bebidas. E o grupo de bens duráveis, como automóvel ou eletrodomésticos, perderam prioridade.

Com o fim da epidemia, as indústrias que devem se recuperar mais rapidamente são as de lazer como restaurantes, entretenimento e viagens. Os itens de cuidados com a saúde, alimentos e bebidas seguirão aquecidos. E a indústria de moda também deve ter voltar a esquentar ao longo do tempo. Já os bens duráveis vão permanecer inalterados por mais um tempo.

Dicas para as marcas

O material do Google ainda coletou dicas de como as marcas devem agir neste momento: Comunicar claramente aos consumidores mudanças na operação; não permitir qualquer tipo de comunicação ou alteração de preço oportunista, trazer mais opções de pagamento e linhas de crédito para viabilizar as pessoas em momentos desafiadores e mostrar o cuidado com o Ponto Físico.

As sugestões foram tiradas da Propmark, Marketingdive e Warc.

Para checar outras tendências, acesse COVID-19 no Google Trends.

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