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Contas lucram US$ 1 mi no Polymarket com ataque dos EUA ao Irã

Por  • Editado por Bruno De Blasi | 

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Marcelo Fischer/Canaltech
Marcelo Fischer/Canaltech

Apostadores da plataforma de mercado de previsões Polymarket lucraram milhões de dólares apostando corretamente na data dos bombardeios dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no último fim de semana. 

O volume financeiro negociado ultrapassou a marca de US$ 529 milhões (cerca de R$ 2,75 bilhões) em contratos relacionados às datas dos ataques. A movimentação levantou suspeitas de uso de informações privilegiadas por parte de contas recém-criadas que anteciparam os bombardeios.

Uma análise da empresa de dados de blockchain Bubblemaps identificou seis perfis que lucraram cerca de US$ 1 milhão apostando que os EUA atacariam o Irã até 28 de fevereiro. 

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As carteiras digitais foram criadas no mesmo mês e nunca tiveram outras apostas na plataforma. Parte dos contratos foi adquirida por centavos horas antes dos primeiros relatos de explosões na capital iraniana.

Outro caso envolve o usuário registrado como "Magamyman", que faturou mais de US$ 553 mil em apostas ligadas ao regime iraniano. O perfil apostou na queda do líder supremo Ali Khamenei pouco antes da confirmação de sua morte por um ataque israelense. O histórico da conta mostra histórico de vitórias em contratos específicos sobre os bombardeios de Israel e dos EUA no Oriente Médio.

O padrão de lucros altos associados a eventos de geopolítica tem precedentes documentados em plataformas de apostas. 

Em janeiro de 2026, contas com comportamento análogo lucraram apostando na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro. Em fevereiro, autoridades de Israel indiciaram um reservista militar e um civil por utilizarem dados confidenciais para lucrar aproximadamente US$ 150 mil com operações de segurança no Polymarket.

Como funcionam os mercados de previsão

Plataformas como Polymarket e Kalshi operam como bolsas de valores, mas negociam as probabilidades de eventos futuros em vez de ações de empresas. 

Os usuários apostam uns contra os outros sobre desfechos de eleições, indicadores econômicos e conflitos militares. Cada contrato possui valor entre US$ 0 e US$ 1, flutuando conforme o volume de apostas direcionadas a um cenário específico. Se a previsão do usuário se concretiza, o contrato retorna US$ 1; em caso de erro, o valor vai a zero.

A Kalshi, regulada nos Estados Unidos e cofundada pela brasileira Luana Lopes Lara — a bilionária mais jovem do mundo sem herdar herança —, possui políticas restritivas em comparação aos concorrentes. A empresa suspendeu as apostas sobre a saída de Khamenei e anunciou o reembolso das taxas, afirmando que suas diretrizes proíbem contratos liquidados com base em mortes.

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O Polymarket opera com sede no exterior e exige apenas uma carteira de criptomoedas para acesso. O modelo permite um alto nível de anonimato para os usuários, o que dificulta o rastreamento da origem das informações e incentiva participantes bem informados a agirem com antecedência no mercado.

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