Como faremos pagamentos em 5 anos?

Por Colaborador externo | 02.08.2017 às 21:05
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Por Cleber Martins*

Os meios de pagamento estão em constante mudança. São criptomoedas, wearables, NFC, Internet das Coisas, Machine Learning, Big Data, entre muitas outras tecnologias inovadoras que têm transformado a forma como vivemos, consumimos e nos relacionamos.

Entre os desafios da aplicabilidade dessa sopa de letrinhas e palavras em inglês, uma tendência muito discutida é a de um mundo cashless – ou seja, sem dinheiro em papel. Uma pesquisa do banco holandês ING, realizada em 13 países europeus, EUA e Austrália no início de 2017, aponta que 34% dos europeus, 38% dos americanos e 24% dos australianos estão prontos para viver em um mundo sem notas e moedas. Sabemos que esta é uma tendência a caminho – ainda muito distante, mas possível.

No entanto, até lá, nossos pagamentos ainda passarão por muitas reviravoltas. Algumas mais próximas que outras. Como serão, então, os pagamentos em 5 anos? Essa é uma pergunta difícil de responder, mas vou arriscar alguns palpites.

De acordo com uma pesquisa da We are Social em parceria com a Hootsuite, divulgada no início de 2017, 50% da população mundial já é usuária de internet e esse número tende a aumentar cada vez mais. Por isso, não há dúvidas: o futuro é digital. Ospagamentos por celular via NFC, por exemplo, estão mais próximos da realidade. A Near Field Communication é uma tecnologia que permite a troca de informações entre dispositivos sem a necessidade de cabos. Se o consumidor tiver seus cartões cadastrados em uma carteira virtual, por exemplo, já há lugares onde basta tocar o smartphone em um sensor para finalizar a compra.

Quer um exemplo prático? O Bilhete Único da cidade de São Paulo permite a recarga via smartphone que possua a tecnologia NFC. Você paga pelos créditos em um aplicativo e, após a aprovação, basta encostar o cartão no celular e ele reconhece a recarga imediatamente. Isso economiza o tempo das pessoas, que não precisam mais parar em um terminal, inserir o cartão na máquina de recarga e aguardar que ele libere os créditos. Em 5 anos, ou até menos, isso não soará tão revolucionário quanto parece hoje.

Não só o smartphone, mas todo tipo de dispositivo será, em breve, um meio de pagamento – é a era da Internet das Coisas. Relógios, televisores, carros, óculos... as opções são incontáveis. Um estudo da Ovum, em parceria com a ACI Worldwide, aponta que 49% das organizações nos EUA já estão desenvolvendo ou planejam oferecer capacidades de pagamento integradas a novos dispositivos. Em cinco anos nós provavelmente andaremos por aí não apenas sem dinheiro – o que já é bastante comum –, mas também sem nossos cartões.

As Redes Sociais também são um importante canal. Elas mudaram nosso modo de comprar. A Pesquisa Nacional de Varejo, realizada pelo Sebrae, aponta que os canais preferidos dos e-commerces para concretizar as vendas já são as Redes Sociais. E elas têm se movimentado para abraçar essa tendência.

O app Telegram, por exemplo, permitirá pagamentos via bots, aplicações que simulam interações humanas de forma automatizada. O usuário pedirá um produto ou serviço ao robô, que computará a venda e disponibilizará o botão “pagamento”, onde serão pedidas informações de cartão, endereço de entrega e confirmação de compra. Algo bastante semelhante também está em desenvolvimento para o Messenger, app de conversação do Facebook. O Whatsapp, por sua vez, integrará, na Índia a funcionalidade de pagamento entre pessoas – um tipo de carteira virtual, por meio da qual será possível transferir valores para qualquer um, sem a intermediação de instituições financeiras.

Em alguns anos, esse tipo de sistema será incrementado com Machine Leaning, a tecnologia de análise de dados que alimenta soluções voltadas para inteligência artificial. Imagine, então, um bot inteligente, que conhece seus gostos e hábitos de consumo, capaz de realizar um atendimento e venda personalizados, com sugestões de preços, produtos e formas de pagamento que sigam os seus gostos e costumes. Quase mágico, não? Talvez até um pouco preocupante.

É por essas e outras que a segurança também será ponto crucial dessa evolução. Cada vez mais será preciso investir em tecnologias de prevenção à fraude na Internet das Coisas e na proteção dos dados considerados Big Data. Afinal, toda essa exposição online faz usuários e empresas mais vulneráveis. E a última coisa que nós queremos é que nossas informações caiam em mãos erradas.

Como comentei, é impossível dizer com precisão como faremos pagamentos em 5 anos, mas uma coisa é certa: usaremos menos dinheiro em papel - e até menos o cartão de crédito em sua versão física. O futuro é, cada vez mais, dos dispositivos e redes que nos conectam ao mundo virtual. E não há como fugir disso.

*Cleber Martins é diretor de soluções de risco de pagamento da ACI Worldwide.