Como as fintechs estão rompendo nossos tabus com o dinheiro

Por Colaborador externo | 06 de Outubro de 2017 às 11h16

* Por Adriano Meirinho

Podemos gostar da ideia de ter dinheiro e do que ele compra, mas já ficou claro o quanto os brasileiros estão insatisfeitos com bancos, não gostam de lidar com contas, fazer investimentos, financiar ou conseguir um cartão de crédito.

Lidar com o dinheiro é muito mais visto como uma obrigação do que como uma atividade satisfatória do cotidiano. E não é para menos: filas, burocracia, falta de transparência, lerdeza, mau atendimento, taxas e juros bancários altíssimos - esses e outros sintomas estão em praticamente todas as instituições ligadas ao nosso dinheiro.

Para romper com todos esses tabus já internalizados em nossas mentes, nasceram as fintechs.

Fintech, a tecnologia a favor do nosso dinheiro

Desmontando os padrões tradicionais de movimentar o dinheiro, as Financial Technologies são tecnologias aplicadas dentro do segmento de serviços financeiros para otimizar e agilizar processos, democratizando o acesso aos serviços financeiros com custos/taxas inferiores aos modelos tradicionais e, em sua maioria, já arcaicos.

Alguns exemplos famosos disso são os pagamentos e transferências online, como por meio do Paypal, empréstimos e financiamentos a partir do Crowdfunding e bancos sem agência, como o Neon e disrupções no modelo de cartões de crédito, como o Nubank.

Normalmente especializadas em um único segmento de mercado ou até em um só produto, as fintechs conseguem entregar serviços de melhor qualidade, menor preço e trazer mais satisfação aos clientes.

O movimento disruptivo das fintechs

Segundo uma matéria da Forbes, o investimento em fintechs foi de 930 milhões de dólares em 2008 para mais de 12 bilhões em 2015. No Brasil já são mais de 244 fintechs com recursos de fundos de investimento que já passam os 1 bilhão de dólares.

Os benefícios? Menos burocracia, custos menores e mais comodidade para abrir uma empresa, fazer transações bancárias, receber um cartão de crédito, conseguir um financiamento, comprar online, entre outras coisas.

Usando tecnologias como as bitcoins (criptomoedas), blockchain, automatização, aplicativos e softwares, as fintechs estão rompendo com grandes corporações a favor de um atendimento rápido, centrado no usuário e flexível às mudanças de cada tempo. Bom atendimento, transparência e pulsão disruptiva a mudanças que beneficiam o cliente, esse tem sido o principal resultado das fintechs.

Os bancos ainda continuam sendo "o mal necessário" e aquilo que permite o empréstimo de crédito financeiro por meio das fintechs, pois estão sujeitos às normas do Banco Central, que exerce papel de controlador monetário. O que assusta e concorre com essas instituições, entretanto, é a falta de medo das startups de correrem riscos (menores, em proporção aos bancos) em favor da inovação e o quanto isso tem dominado o mercado para serviços mais específicos.

O Instituto Data Popular apontou um volume de sub-bancarizados e desbancarizados de cerca de 50 milhões de brasileiros, ou quase 40% da população adulta. Diante de um cenário de fechamento de mais de 60 mil postos bancários físicos só em 2017 e da falta de disposição para investir na abertura de novas agências e correspondentes, quem vai atender as dezenas de milhões de pessoas que não tem e não querem ter uma conta bancária?

Como cofundador de uma fintech e entusiasta de um mercado financeiro mais fácil, transparente, barato, seguro e acessível, essa é a minha aposta.

* Adriano Meirinho é CMO do Celcoin, aplicativo que transforma os smartphones de micro e pequenos empreendedores em "maquineta" de pagamentos de boletos e recargas de créditos.

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