Cofundador "anônimo" da Apple diz ainda ter 10% da empresa; conheça Ronald Wayne
Por Marcelo Fischer Salvatico |

Ronald Wayne, o terceiro cofundador da Apple, saiu da empresa 12 dias após ajudar na sua criação, em abril de 1976, e recebeu US$ 800 pela desistência da sociedade.
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Cinquenta anos depois, aos 91 anos, ele afirma ao portal PCMag que nunca vendeu sua participação de 10%, e que, do ponto de vista dele, ainda é dono dessa fatia.
Se a tese fosse válida juridicamente, ele teria direito a cerca de US$ 378 bilhões, considerando a capitalização atual da empresa, de aproximadamente US$ 3,78 trilhões.
A declaração foi feita em entrevista publicada nesta terça-feira (7), no contexto dos 50 anos da Apple. "Nunca vendi meu interesse na Apple para ninguém, em nenhum momento, por nenhum valor", disse Wayne à PCMag.
Segundo ele, o cheque de US$ 800 que recebeu era uma "gorjeta" pelo trabalho prestado nos primeiros dias da empresa, não um pagamento pela cessão de participação.
O que dizem os registros
A versão de Wayne contradiz o que está documentado. Segundo o AppleInsider, Wayne concordou formalmente com o valor de US$ 800 ao se desvincular da sociedade original com Jobs e Wozniak.
Um ano depois, em 1977, quando Mike Markkula transformou a parceria em corporação, Wayne recebeu cerca de US$ 1,77 mil adicionais, parte de um pagamento de US$ 5.308,96 feito por Markkula para encerrar quaisquer reivindicações futuras dos três fundadores originais. O valor está registrado no livro "Apple Confidential 2.0", de Owen W. Linzmayer.
O próprio Wayne descreveu, na entrevista à PCMag, que saiu da Apple por temer ser responsabilizado pelas dívidas da empresa. Era o único dos três sócios com patrimônio, como casa, carro e economias, enquanto Jobs e Wozniak tinham pouco a perder financeiramente.
Quem foi Wayne na fundação da Apple
Wayne trabalhava com Jobs na Atari quando foi convidado a entrar na sociedade. O papel dele era o de alguém com mais experiência para mediar conflitos entre os dois Steves e desempatar decisões.
Foi Wayne quem convenceu Wozniak a aceitar que os circuitos que ele projetava seriam propriedade da empresa, condição que desbloqueou a fundação da Apple Computer Company, em 1º de abril de 1976.
Além de mediador, Wayne criou o primeiro logotipo da empresa: uma ilustração em estilo vitoriano com Isaac Newton sentado sob uma macieira, com a frase retirada de um poema de Wordsworth. O design foi substituído em 1977 a pedido de Jobs, que o considerou complexo demais. Wayne também redigiu o contrato de parceria original e o manual de instruções do Apple I.
A vida depois da Apple
Após deixar a empresa, Wayne continuou na Atari até o final dos anos 1970 e depois trabalhou no Laboratório Nacional Lawrence Livermore. Tentou abrir uma loja de selos, mas encerrou o negócio depois de sucessivos assaltos.
Em 1994, vendeu o contrato de fundação da Apple por US$ 500 para um colecionador. Esse mesmo documento foi leiloado em 2011 na Sotheby's por US$ 1,59 milhão.
Wayne publicou uma autobiografia em 2011, intitulada "As Aventuras do Fundador da Apple", na qual afirma não ter arrependimentos.
Hoje mora em Pahrump, Nevada, e mantém um site onde vende cópias autografadas do logotipo original. Admite não usar produtos da empresa, tem um computador Dell e só recebeu um iPhone de presente, há cerca de seis anos.
Sobre a fortuna que deixou para trás, escreveu no livro: "Se eu tivesse ficado na Apple, provavelmente teria me tornado o homem mais rico do cemitério."