Claude Mythos: CEO da Anthropic vai à Casa Branca debater os riscos da nova IA
Por Marcelo Fischer Salvatico |

O CEO da Anthropic, Dario Amodei, se reuniu com autoridades da Casa Branca na última sexta-feira (17) para debater o Claude Mythos, novo modelo de inteligência artificial (IA) da empresa.
- Tudo sobre o Claude: conheça os modelos e recursos da IA da Anthropic
- Haiku, Sonnet e Opus: quais as diferenças entre os modelos do Claude?
A ferramenta — que não será liberada ao público — possui capacidade avançada para identificar falhas de segurança em softwares e foi classificada pela própria Anthropic como um risco sem precedentes.
Apesar dos alertas da indústria, o sistema será liberado para bancos no Reino Unido nos próximos dias. Por enquanto, apenas algumas empresas americanas possuem acesso ao Mythos.
Reunião na Casa Branca marca reaproximação
O encontro em Washington contou com a presença da chefe de gabinete do governo dos EUA, Susie Wiles, e do Secretário do Tesouro, Scott Bessent. A Casa Branca classificou a conversa como "produtiva e construtiva", com foco em equilibrar inovação tecnológica e segurança operacional.
O presidente Donald Trump, no entanto, afirmou a repórteres que não tinha ideia da presença do executivo no local.
A reunião sinaliza uma mudança de postura da administração americana em relação à Anthropic. Em março, o Departamento de Defesa dos EUA rotulou a empresa como um risco à cadeia de suprimentos.
Na sequência, Trump chegou a emitir uma diretriz proibindo o uso da tecnologia da companhia por agências federais. A restrição governamental gerou processos judiciais por parte da Anthropic contra o governo, que tramitam atualmente em cortes de São Francisco e Washington.
Por que o Claude Mythos é perigoso?
O interesse governamental e corporativo na nova IA se deve ao seu desempenho extremo na área de cibersegurança. Segundo a Anthropic, o Claude Mythos ultrapassa a habilidade humana na detecção e na exploração de vulnerabilidades críticas em sistemas computacionais.
Em testes recentes de segurança, a IA encontrou falhas de dia zero (aquelas que os próprios desenvolvedores desconhecem) em diversos sistemas operacionais e navegadores de internet. Os resultados incluem a descoberta autônoma de uma vulnerabilidade de 27 anos no sistema operacional OpenBSD e um erro de 16 anos no software de vídeo FFmpeg.
Devido ao potencial destrutivo caso a tecnologia seja utilizada por agentes maliciosos, o modelo não será lançado para o público geral.
O acesso inicial está restrito ao "Project Glasswing", uma iniciativa de segurança cibernética criada pela Anthropic que envolve gigantes da tecnologia como Amazon Web Services, Apple, Microsoft e Google para corrigir falhas de infraestrutura.
Expansão para o setor financeiro britânico
Apesar do controle rigoroso e da restrição a empresas de tecnologia nos Estados Unidos, o uso da ferramenta será expandido para instituições financeiras do Reino Unido. Bancos britânicos receberão acesso ao Claude Mythos na próxima semana para escanear suas infraestruturas de TI.
A liberação ocorre em meio a alertas de líderes financeiros do país sobre os impactos da adoção de uma ferramenta capaz de expor falhas críticas em sistemas bancários estruturais.
A Anthropic afirma que o objetivo desta distribuição controlada é utilizar a capacidade da IA de forma puramente defensiva, permitindo que as empresas identifiquem e corrijam vulnerabilidades antes que sofram ataques cibernéticos reais.