Apple 'castiga' equipes que não usam IA o suficiente no trabalho
Por Marcelo Fischer Salvatico |

A Apple começou a penalizar equipes internas com baixo uso de ferramentas de inteligência artificial (IA). Segundo relatos divulgados nesta segunda-feira (13), times receberam uma cota diária de até US$ 300 em tokens para usar o Claude, da Anthropic, e os que ficam muito abaixo do limite têm pedidos de reposição de vagas negados pela alta liderança.
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“Vá descobrir como obter mais vantagem da IA primeiro”, é o que os diretores escutam ao pedir por mais funcionários em suas equipes.
A informação veio a público por meio de um post no X (antigo Twitter) da conta Midnight Capital LLC, que afirmou ter recebido o relato de um funcionário da Apple. A empresa não confirmou oficialmente a prática.
A medida indica que o uso da IA deixou de ser opcional nas rotinas da companhia e passou a ser um critério avaliado pelo comando da empresa.
Segundo a Anthropic, o Claude Code, solução da empresa voltada para times de desenvolvimento de software, custa, em média, entre US$ 100 e US$ 200 por desenvolvedor ao mês, na versão Sonnet 4.6. Uma cota diária de US$ 300 representa, portanto, um valor consideravelmente acima desse parâmetro, o que sinaliza uma expectativa de uso intensivo.
Tradução: "Um amigo na Apple me disse que nas últimas semanas a equipe deles teve acesso ao Claude com um orçamento de tokens de US$ 300/dia. Isso é [a área de] aquisição global no lado de negócios, não de engenharia. Também estou ouvindo que, quando diretores pedem para preencher vagas, a liderança sênior está perguntando como é o uso de IA da equipe. Se o uso de tokens é baixo ou inexistente, a resposta está sendo cada vez mais: vá descobrir como obter mais vantagem da IA primeiro. Loucura.".
Como funciona na prática
O mecanismo de penalização não é automático: times que não utilizam a cota disponível ficam em desvantagem na hora de solicitar novas contratações.
De acordo com o relato publicado, quando diretores pedem reposição de pessoas, a liderança sênior questiona como a IA está sendo usada pela equipe, e o consumo baixo de tokens tem sido citado como fator para negar esses pedidos.
O caso é mais abrangente do que a área de engenharia. O funcionário que relatou a situação trabalha no time de compras globais, na área de negócios da Apple, o que indica que a exigência vai além dos times de desenvolvimento.
Siri com Gemini
Em janeiro, Apple e Google anunciaram uma colaboração plurianual: a próxima geração dos Apple Foundation Models — base dos recursos do Apple Intelligence, incluindo a Siri — será construída sobre os modelos Gemini e a infraestrutura de nuvem do Google.
A nova versão da Siri, prevista para chegar ainda em 2026, terá capacidade de entender o contexto da tela do dispositivo, realizar ações dentro de aplicativos, gerar conteúdo, incluindo imagens, pesquisar na web e resumir informações. O assistente também ganhará um aplicativo dedicado no iOS 27, com histórico de conversas e suporte a agentes externos como o ChatGPT e o próprio Claude.