Atendimento psicológico na web: já existem sessões de orientação online!

Por Rafael Romer | 17 de Maio de 2013 às 14h47
photo_camera reprodução google

Ao invés de facilitar nossa vida, o mundo moderno às vezes parece encurtar o tempo que temos disponivel para tarefas diárias. Isso é particularmente verdade em grandes centros urbanos, onde a rotina de trabalho, o deslocamento de um lugar para o outro e a grande quantidade de informação ao nosso redor costumam sobrecarregar nossos nervos, levando até ao stress, alguma vezes.

Nessas situações, muitas pessoas buscam algum apoio através de aconselhamento com psicólogos, na tentativa de reduzir o impacto negativo desta correria ou de outros problemas pessoais. Ainda assim, muitas vezes fica difícil para encaixar mais uma atividade, mesmo que benéfica, na rotina.

O aconselhamento psicológico online é uma realidade relativamente recente, aprovado pela primeira vez pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) em 2005. Mas com o avanço do número de usuários da internet no Brasil e da banda larga, que permite conexões melhores via web, está ganhando cada vez mais espaço. "O aconselhamento psicológico online é recomendado e reconhecido pelo Conselho Federal de Psicologia, mas apenas para tratar problemas específicos, de forma breve e focada, como conflitos emocionais, mudança ou adaptação ao emprego, estresse, perda de um ente querido, problemas conjugais, entre outros", explica a psicóloga e membro da Sociedade Internacional pela Saúde Mental Online, Patrícia Mesquita.

O atendimento é geralmente realizado através de e-mail ou do Skype, por texto, voz ou vídeo, e são previamente agendados com os psicólogos. A recomendação é que o paciente sempre procure realizar as consultas em um lugar reservado e em computadores seguros, para garantir a privacidade da consulta e das informações.

Sobre o fato de que a prática deixa de lado alguns elementos tradicionalmente analisados em consultas psicológicas, como gestos e linguagem corporal, Patrícia explica que o objetivo da terapia online não é transferir o formato presencial para o virtual, mas construir aos poucos um ambiente virtual que possa acolher pacientes ligados à tecnologia e ávidos por praticidade, independentemente de onde estiverem.

Para Luiz Berni, do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, o atendimento online, principalmente no caso do e-mail, recupera outra dimensão importante para o tratamento psicológico, que é a da escrita. "Isso exige uma capacitação diferenciada por parte do profissional. Assim, embora se perda a corporalidade, ganha-se a perenidade da informação perpetuada pelo texto escrito", afirma.

Berni explica que, no entendimento do CRP, as abordagens online são consideradas tão relevantes quanto quaisquer outras, e que pacientes revelam bem-estar assim como nos consultórios presenciais. "Entendemos que, nos próximos anos, deverá haver uma expansão do campo na medida em que mais pessoas começam a partilhar do ciberespaço", diz.

Ainda assim, o psicólogo atenta para as mesmas questões de restrições para o atendimento online, que não é indicado para qualquer caso. "Os estudos científicos realizados, principalmente fora do país, indicam que o trabalho on-line não é indicado para casos graves que possam precisar de um atendimento presencial e que possam exigir um acolhimento especial", explica. Além disso, é importante notar que o CFP limita esse tipo de encontro a 20 sessões, de acordo com a resolução mais recente sobre o assunto.

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