A importância da tecnologia para a indústria têxtil

Por Colaborador externo | 01.07.2013 às 08:30

Hélvio Roberto Pompeo Madeira*

Cada dia mais, a tecnologia utilizada pela indústria têxtil é um componente decisivo para o desenvolvimento de coleções de sucesso comercial, que atendam às necessidades e aos desejos do consumidor contemporâneo. Um consumidor cada vez mais informado e exigente, que busca roupas bonitas, modernas, confortáveis, de qualidade e com a facilidade do easy care. Tudo isto, é claro, com um preço justo e atraente.

A indústria da moda vive de novidades, da obsolescência do vestuário da estação passada e do impulso de compra do consumidor diante de uma peça que reúne os atributos que ele valoriza. Para que os designers das grifes possam executar com criatividade seu trabalho de desenvolvimento de novos produtos, é necessário que toda a cadeia produtiva esteja em constante evolução e, neste cenário, o maquinário têxtil precisa estar sempre atualizado para oferecer soluções de agilidade e inovação.

Uma das áreas que atualmente apresenta diversas novidades para a indústria têxtil é a de estamparia digital, com máquinas de alta precisão para impressão em tecidos com técnicas especiais como, por exemplo, a garment printer que imprime qualquer imagem direta na peça acabada – como uma camiseta –, sem limite de cores. A última edição da “Tecnotêxtil Brasil”, realizada em São Paulo no mês de abril, registrou crescimento de 35% da área de estamparia digital comparada com a edição anterior, realizada em 2011, comprovando o crescente vigor do segmento.

Outro setor que vem registrando forte crescimento é o de maquinário para processos de lavagem e beneficiamento do jeanswear. O jeans é a roupa mais democrática e usada em nosso país, transitando por todas as classes sociais e estilos. A moda atual valoriza peças diferenciadas, que passam por diversos processos de lavanderia e beneficiamento. As coleções em desenvolvimento destacam peças jeanswear com aspecto de couro, cores vibrantes, listras e estampas em geral. As gramaturas do denim vão das mais leves – indicadas para a confecção de tops, vestidos e saias – às gramaturas mais pesadas para jaquetas e casacos. A cartela de tons do índigo passa pelos claros, chegando ao deep blue, sempre valorizados pelos mais diferenciados efeitos de lavanderia. O denim também ganha valor agregado com a mistura de fibras e fios, como o elastano e o lyocell. Para acompanhar tanta diversidade, as empresas – desde os produtores de fibras e fios até as grifes que ditam as tendências do mercado - precisam acompanhar as inovações tecnológicas da produção tanto quanto acompanham as tendências da moda e de comportamento de compra do mercado. Além de oferecer processos com um bom custo/benefício, as empresas devem buscar também soluções que estejam em harmonia com o meio ambiente, uma vez que a sustentabilidade é cada vez mais valorizada pelos consumidores. Neste cenário, o maquinário específico para lavanderias, por exemplo, tem apresentado uma forte inovação.

Para que a indústria têxtil brasileira se torne mais competitiva, é fundamental investir em tecnologia, em maquinário apropriado para cada etapa da cadeia produtiva. As fiações precisam contar com o mais moderno equipamento para seu segmento, mas a fiação precisa ter continuidade nas malharias e tecelagens, pois os fios diferenciados oferecidos no início da cadeia precisarão ser trabalhados com maquinário de última geração na hora da produção de tecidos e malhas. O mesmo acontece com as confecções, ou seja, a cadeia produtiva precisa estar interligada e cada etapa acompanhar a evolução dos maquinários do seu segmento e das áreas afins.

Muito se fala sobre o sucateamento da indústria nacional, mas muitas empresas têxteis brasileiras investem em tecnologia e inovação, pois sabem da importância desse investimento para o seu negócio. É claro que se compararmos a quantidade de maquinários novos na indústria têxtil brasileira com a quantidade do mercado chinês, por exemplo, veremos uma grande discrepância, com os orientais bem à nossa frente. Mas já estamos muito melhor do que há alguns anos e devemos acreditar e incentivar os empresários brasileiros a investir em tecnologia de última geração para fortalecer a indústria nacional como um todo e consolidar seu importante papel no país.

O investimento em maquinário moderno é alto, mas o retorno chega rápido pela sua eficiência e pelo aumento na produção e na qualidade, diferenciais que compensam largamente o montante investido.

Durante as feiras realizadas pela FCEM - como a “Tecnotêxtil Brasil”, em São Paulo (SP), a “Febratex”, em Blumenau (SC), a “Maquintex”, em Fortaleza (CE) e a “AgresteTEX”, em Caruaru (PE) -, percebemos que os empresários brasileiros da indústria têxtil estão valorizando cada vez mais a tecnologia e o investimento em maquinário de última geração.

Outro dado interessante é que, além dos empreendedores, estamos percebendo também o aumento na visitação em nossas feiras dos técnicos e dos responsáveis pelo chão de fábrica. Eles buscam conhecimento sobre as inovações, querem aprender mais, entender como aquele maquinário pode ajudar na produção.

A cadeia têxtil é uma das mais complexas entre as indústrias de transformação pela diversidade de etapas envolvidas, mas se o movimento da busca pelas novas tecnologias for realizado simultaneamente por todos os setores, certamente alcançaremos com maior rapidez e eficiência todas as nossas metas de modernização, eficiência e lucratividade.

*Hélvio Roberto Pompeo Madeira é Diretor-Presidente do Grupo FCEM, que reúne a FCEM Feiras, Congressos e Empreendimentos, a Pompeo Stands Promocionais e a Feiratur Viagens e Turismo