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Poluição luminosa só aumenta e coloca meio ambiente em risco

Por  • Editado por Luciana Zaramela | 

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Mia de Jesus/Unsplash
Mia de Jesus/Unsplash

Um levantamento feito pelo IDA (International Dark-Sky Association) alerta que, a cada ano, aumenta em 2% a taxa de poluição luminosa — ou seja, a  presença inadequada de luz artificial no ambiente noturno, uma iluminação excessiva, mal direcionada ou desnecessária que interfere na visibilidade do céu estrelado e afeta o ambiente.

As consequências da poluição luminosa, caso as medidas necessárias não sejam tomadas, envolvem a redução do espectro azul e, o aumento da emissão de CO2 e impactos diretos na fauna e na flora. Com isso, o efeito também pode diminuir a qualidade de vida e o conforto visual dos seres humanos. 

O engenheiro da fabricante de luminárias Novvalight, Filippo Centemero, teme que esse problema ambiental tenha que ser confrontado de imediato: “Ao contrário de muitas outras formas de poluição, podemos reduzir esse impacto usando a tecnologia existente. Não é sobre desligar todas as luzes, e sim seguir os princípios para uma iluminação responsável”, afirma.

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Filippo também aponta que é necessário levar em consideração a luz emitida vertical e horizontalmente, como fachadas de edifícios iluminados, outdoors digitais e janelas de escape de luz. "É fundamental que empresas de iluminação tomem medidas reais em relação ao uso de luminárias e lâmpadas com soluções eficientes para o ser humano e o meio ambiente", opina.

Desperdício de luz

O Dark-Sky atribui à poluição luminosa o resultado da dependência cada vez maior do mundo em relação à luz elétrica externa, algo que tem acontecido há mais de 200 anos. O instituto aponta que quando as pessoas foram ao espaço pela primeira vez, tornou-se dramaticamente evidente o quanto os humanos estavam alterando o céu noturno, já que as cidades são facilmente visíveis a partir da Estação Espacial Internacional (ISS) à noite.

Décadas depois, os astronautas da ISS observaram o aumento da poluição luminosa à medida que as cidades se espalhavam cada vez mais. "As cidades são responsáveis ​​pela maior parte da poluição luminosa, uma vez que têm o maior número de luzes desprotegidas e de cores inadequadas, enviando luz para cima, para o céu, em vez de para baixo, para a segurança humana", afirma o instituto, em comunicado.

O alerta é que a maior parte da luz à noite é desperdiçada, e embora as luzes da rua possam ser adaptadas para serem compatíveis com o céu escuro, a maioria das cidades ainda não conseguiu isso. É importante observar o impacto dos outdoors eletrônicos, por exemplo, que tomam conta das avenidas.

"Os perigos relacionados à segurança decorrentes da pouca visibilidade à noite são causados ​​por luzes ofuscantes. Mas existem soluções fáceis: proteger as luzes para reduzir o brilho, diminuir a intensidade das luzes para fornecer a quantidade certa de luz e desligar as luzes quando não forem necessárias", aconselha um relatório da James Madison University (EUA).

Poluição luminosa x meio ambiente

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Essa iluminação excessiva atrapalha os animais noturnos, desorientando-os em relação à migração, alimentação, reprodução, o que pode levar a perturbações nos ecossistemas e afetar a biodiversidade. Muitas espécies de animais e plantas dependem da variação natural de luz e escuridão para regular seus processos biológicos, e a poluição luminosa perturba esses padrões.

Outro problema atrelado à iluminação excessiva é o desperdício significativo de energia, que contribui para o aumento da demanda por eletricidade e leva a uma pegada ambiental mais ampla e desencadeia o efeito estufa, além do esgotamento de recursos naturais.

Mas o impacto da poluição luminosa não afeta apenas a natureza: os humanos também não escapam, já que a exposição à luz artificial durante a noite pode afetar os ritmos circadianos, resultando em distúrbios do sono, alterações hormonais e problemas de saúde relacionados, como diabetes e obesidade.

Fonte: International Dark-Sky Association, James Madison University