Pesquisadores da UFRN desenvolvem fogão solar capaz de assar 9 bolos em 1h30

Por Ares Saturno | 26 de Junho de 2018 às 13h44

O laboratório de máquinas hidráulicas do curso de Engenharia Mecânica da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveu um fogão que funciona por aquecimento solar. O projeto é ministrado pelo professor Luiz Guilherme Meira de Souza, especialista em energia solar.

Com intuito de ser o mais acessível que puder, o fogão solar é construído com sucata e outros materiais baratos. Segundo o pesquisador, ele pode ser um substituto viável para o fogão a gás que temos comumente em casa, como uma forma de economia. O preço do botijão de gás foi reajustado acima do índice da inflação no último ano e chega a consumir mais de 40% da renda mensal de famílias de baixa renda, que geralmente já sofrem de problemas alimentares por falta de recursos financeiros, o que leva ao adoecimento e baixa qualidade de vida.

O funcionamento do fogão solar se baseia na captação do calor do sol, que é aumentado por efeito estufa e direcionado para aquecer os alimentos. Com apenas R$ 150, o valor aproximado de duas recargas de botijão de gás ou menos que um único botijão cheio, é possível construir o equipamento que, na UFRN, assou nove bolos ao mesmo tempo em um período de uma hora e meia. Feito com uma estrutura em fibra de madeira (MDF), espelhos e uma placa de metal, o forno possui uma combinação de resina sintética com malha de ferro que direciona o calor. O projeto é objeto de mestrado do engenheiro Mário César de Oliveira Spinelli, que disse em entrevista à BBC: "A grande questão era: com essa área tão grande será que a gente vai conseguir assar todos os alimentos? Porque a carga também era muito grande. E a gente colocou e foi perfeito. Vimos que era viável"

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Nove bolos em 1h30 sem gastar nada de gás (Foto: Mário César de Oliveira Spinelli / UFRN)

O desafio, agora, é tirar o invento dos corredores da instituição acadêmica para inserir a tecnologia onde ela é mais necessária: na casa de quem precisa. O engenheiro mestrando Pedro Henrique de Almenida Varela, que construiu um forno solar com sucatas de pneus e latinhas de cerveja para a UFRN, onde foram assados bolos, pizzas e  lasanha, comentou: "Quando eu fiz o primeiro bolo, eu comi e fiquei realizado. Porém, é uma decepção ser mais um projeto que ficou na prateleira da universidade. Mas só em saber que dá certo, deixa a pessoa com a sensação de que é uma alternativa viável feita com produtos que estavam sendo descartados". Ele explica também que em países dos continentes africano e asiático já é comum que os governos incentivem a adoção de fogões solares pelas populações mais pobres, o que diminui o consumo de lenha e o impacto ambiental.

Fogão solar feito de restos de pneus usados e latinhas vazias (Foto: Pedro Henrique de Almenida Varela / UFRN)

"A energia solar é uma energia social porque está disponível para todos, mas é a que menos tem investimentos porque o modelo de sociedade que nós temos sempre busca concentrar a energia e produzir pra vender e nosso trabalho não está na geração de energia pra vender", justifica o professor Luiz Guilherme, que dedicou 40 anos de sua vida para a pesquisa de energia solar, 37 deles em parceria com a UFRN.

Fonte: BBC Brasil

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