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Mudanças climáticas podem resultar na sexta extinção em massa no planeta

Por| Editado por Luciana Zaramela | 02 de Agosto de 2022 às 17h40

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Reprodução/Pixabay
Reprodução/Pixabay

Cientistas alertam que as mudanças climáticas podem ser mais extremas e catastróficas do que se esperava, e até mesmo mais rápidas. E o que é pior: eles alegam que a comunidade científica não tem levado tais questões tão a sério quanto deveria. Diversos estudos mostram que as previsões quanto ao aumento de temperatura global tendem a ser otimistas demais, e que novas extinções em massa podem ocorrer mais rápido do que as anteriores.

Publicado na revista científica PNAS, um desses estudos afirma que a população humana deve se preparar para cenários mais pessimistas causados pelo aquecimento global. Os pesquisadores responsáveis notam que especialistas vêm estudando o impacto de aquecimentos de 1,5 °C e 2 °C acima de temperaturas medidas em 1850, antes da industrialização, mas que não preveem o fim da humanidade — "apenas" um sobrecarregamento da economia global.

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Estudando cenários

O problema, segundo eles, é o viés gerado por eventos como o acordo climático de Paris, assinado por quase todos os países do mundo, que procura manter o aumento da temperatura abaixo de 2 °C nesse século, ou, com sorte, 1,5 °C. Calha aos governos mostrar o que mudanças causadas por aumentos como esses causam, mas os mesmos preferem se afastar de previsões muito extremas.

Isso, dizem os pesquisadores, impede uma gestão de riscos mais assertiva e sensata, ainda mais quando há uma falta de estimativas em relação a aumentos de temperatura de até 3 °C comparado com sua probabilidade. Previsões baseadas em modelos climáticos colocam cerca de 2 bilhões de pessoas em regiões com médias anuais de 29 °C até 2070. Atualmente, isso só acontece no Saara e na costa do Golfo.

Além de impactos na vida cotidiana, temperaturas altas como essas podem afetar o funcionamento de contenções nucleares e laboratórios de contenção que abriam patógenos perigosos. Liberar radiação ou doenças por problemas de infraestrutura pode ter consequências muito catastróficas. Crises alimentares, financeiras e conflitos bélicos também podem ser problemas indiretos causados pelo aumento das temperaturas globais.

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Com isso em vista, os cientistas pedem ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas que seja feito um relatório especial sobre mudanças climáticas mais catastróficas, o que pode ajudar na consideração de medidas de emergência, como bombeamento de gases refrigerantes na atmosfera, e na conscientização do público: embora assustadores, a perspectiva de cenários mais extremos pode fazer com que ações sejam tomadas com maior antecedência, talvez até mesmo os evitando.

Próxima extinção em massa?

E isso não afeta apenas nós, humanos: um estudo publicado no periódico Biogeosciences, em junho, prevê que as mudanças climáticas podem acabar gerando a sexta extinção em massa do planeta em período menor do que as anteriores. Quando há aumentos de temperatura, as espécies animais precisam se adaptar para conseguir sobreviver: um aumento rápido torna isso muito mais difícil.

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A última grande extinção ocorreu num período de aproximadamente 60.000 anos: embora o estudo tenha descoberto que extinções de massa ocorreram com variações maiores de temperatura do que se pensava — 9 °C para aquecimento e 7 °C para resfriamento —, a emissão de combustíveis fósseis pode fazer com que a extinção ocorra em apenas algumas centenas de anos, matando animais pela falta de tempo para adaptação.

Há o perigo, ainda, de atingirmos pontos de inflexão, ou seja, eventos em que o aumento de calor desencadeia eventos naturais que aumentam ainda mais a temperatura, como emissões de metano vindas do derretimento de calotas polares ou florestas emitindo carbono ao invés de absorvê-lo. Em suma, os cientistas concordam em uma coisa: estudar melhor as consequências dos cenários mais pessimistas é fundamental.

Fonte: Biogeosciences, PNAS