Microrganismos teriam favorecido a formação de cordilheiras há 2 bilhões de anos

Microrganismos teriam favorecido a formação de cordilheiras há 2 bilhões de anos

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 30 de Novembro de 2021 às 18h40
Francesco Ungaro/Pexels

Uma pesquisa liderada pela Universidade de Aberdeen revelou como a explosão da vida marinha há 2 bilhões de anos pode ter contribuído para formação das cordilheiras com conhecemos hoje. O estudou analisou 20 cadeias montanhosas pelo mundo e relacionou a morte de pequenos organismos, como o plâncton, com o soterramento do fundo dos oceanos por carbono — hoje, pico destas montanhas.

A formação das cadeias montanhosas é geralmente explicada pela colisão entre placas tectônicas, mas o novo estudo apontou que a formação destas grandes estruturas geológicas pode ter sido desencadeada pela abundância de nutrientes nos oceanos, há 2 bilhões de anos.

A Cordilheira dos Andes observada do espaço, uma das mais extensas cordilheiras do planeta (Imagem: Reprodução/Bob Behnken)

A pesquisa analisou 20 cadeias montanhosas do mundo, incluindo áreas como as Montanhas Rochosas, os Andes e Svalbard, além da Europa Central, Indonésia e Japão. "O carbono adicional permitiu a deformação mais fácil da crosta, de uma maneira que construiu cinturões de montanhas”, explicaram os pesquisadores.

Este processou favoreceu a formação das montanhas às margens das placas tectônicas modernas e teria começado há 2 bilhões de anos, na metade do Paleoproterozóico. O carbono biológico de plânctons e bactérias teria adicionado grandes quantidades de grafite (uma forma de carbono) ao xisto no fundo dos oceanos.

Distribuição global de rochas ricas em carbono orgânico (Imagem: Reprodução/John Parnell et al.)

Com isso, as rochas se tornaram mais quebradiça e, portanto, mais uma maior facilidade para se empilhar. Segundo os pesquisadores, em 100 milhões de anos, a maior parte das cadeias montanhosas começaram a surgir nestas partes “amolecidas” da crosta — e as montanhas mais recentes seguiriam o mesmo padrão.

Do oceano ao topo do mundo

O geólogo John Parneel, principal autor do estudo, explicou que, em última análise, a pesquisa revelou como a vida foi uma peça fundamental para a formação das montanhas. “Demonstrando que a Terra e sua biosfera estão intimamente ligadas de maneiras não compreendidas anteriormente", acrescentou.

Microrganismos como os plânctons desempenham um papel fundamental na formação das cadeias de montanhas (Imagem: Reprodução/Colleen Durkin/Moss Landing Marine Lab)

Estudos anteriores diziam que as placas tectônicas precisam ser enfraquecidas pelo grafite para, então, formar montanhas. No entanto, como este enfraquecimento se dava, era um mistério. Todas as 20 cordilheiras analisadas continham xisto preto indicando uma alta concentração de grafite — aparentemente originado da vida.

A explosão da vida marinha há 2 bilhões de anos teria sido uma consequência de quando bactérias fotossintetizantes passaram a lançar uma grande quantidade de oxigênio na atmosfera, favorecendo formas de vidas unicelulares como os plânctons.

O carbono nas rochas teria facilitado o enrugamento da crosta terrestre, resultando nas montanhas (Imagem: Reprodução/Unsplash/Jeremy Bishop)

Os pesquisadores também observaram que apenas uma pequena quantidade de biomassa teria sido necessária para amolecer as bordas das placas tectônicas. Em cadeias de montanhas com sedimentos paleoproterozóicos, eles encontraram apenas 10% de carbono — algumas vezes, mais de 20%.

Esta seria mais uma evidência de como tudo na Terra possui uma íntima relação em sua formação, como é o caso da contribuição destes pequenos organismos para o surgimento destas grandes estruturas geológicas que são as cordilheiras.

Fonte: Communications Earth & Environment; Via ScienceAlert

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.