Físicos teóricos preveem colapso da humanidade em 40 anos

Por Felipe Demartini | 30 de Julho de 2020 às 14h25
Free-Photos/Pixabay

A humanidade como a conhecemos pode ter menos de 40 anos restantes, caso não haja uma mudança drástica nos padrões de consumo e preservação do meio-ambiente. A conclusão está em uma pesquisa que prevê um colapso total da nossa sociedade devido à combinação de fatores como a destruição das florestas, o crescimento populacional e o ritmo acelerado de consumo de recursos naturais.

O estudo dos físicos teóricos Gerardo Aquino e Mauro Bologna saiu na revista Nature Scientific Reports e não vê alternativa que não envolva uma mudança drástica, dramática e imediata nos padrões de consumo atuais e nas políticas de proteção do meio-ambiente. De acordo com eles, o principal motivador do colapso será a destruição das florestas, cuja ausência fará com que a Terra não mais seja capaz de sustentar o tamanho da humanidade.

Na visão dos especialistas, o ritmo atual de destruição das matas deve levar ao desaparecimento completo das florestas entre 100 a 200 anos no futuro. Entretanto, muito antes disso, os sistemas de suporte de vida no planeta devem receber o impacto da redução da natureza em termos de produção de oxigênio, reservas de carbono, regulação do ciclo hídrico e conservação do solo. Esse processo também levaria à extinção de espécies e mudanças ambientais que reduziriam a quantidade de comida disponível, daí a ideia de que temos poucas décadas de estimativa para a nossa própria sobrevivência.

(Foto: Markus Spiske/Pexels)

“Não é realista imaginar que a sociedade humana só será afetada quando a última árvore for cortada”, afirma o estudo. De acordo com os autores, também é improvável a sobrevivência humana diante das condições atuais, que reduziram a extensão das florestas de 60 milhões de quilômetros quadrados, há 200 anos, para 40 milhões de quilômetros quadrados hoje.

Ápice evolutivo

Um avanço tecnológico magnífico poderia mudar um pouco o cenário, mas novamente, os especialistas enxergam como improvável a relação entre o tempo que nos resta e o necessário para desenvolver tais sistemas. Entra em jogo aqui, também, uma contradição, já que na visão dos especialistas, essa mesma evolução também leva a um maior consumo de recursos naturais, com a diferença de que eles são usados de maneira otimizada.

Sem uma mudança drástica nos padrões de consumo e exploração ambiental, aliada a medidas de controle populacional, apenas a chamada Esfera Dyson poderia ser a solução — um conceito que, quando lido rapidamente, soa como algo saído de um filme de ficção científica. O conceito fala sobre uma megaestrutura que seria construída ao redor do Sol para acumular a energia produzida por ele, uma quantidade tão absurda que substituiria completamente qualquer necessidade de produção adicional.

Essa seria a conclusão direta da escala Kardashev, uma medida desenvolvida pelo astrônomo russo Nikolai Kardeshev em 1964, que associa o nível de avanço tecnológico de uma civilização de acordo com a quantidade de energia que ela consegue produzir. E na visão do teórico, se uma sociedade é capaz de acumular completamente a produção de sua estrela, ela transcende as limitações do próprio planeta. Algo que, como dá para imaginar, a humanidade ainda está bem longe de alcançar.

Na visão de Aquino e Bologna, o mais provável é que a humanidade não esteja viva para testemunhar tamanho avanço tecnológico, pois as chances de um colapso são 90% maiores que as de sobrevivência. Mesmo a mudança completa citada pelos físicos não será suficiente para reverter a situação, mas sim, dará tempo o bastante para que esse patamar seja alcançado.

A fala dos dois, entretanto, soa quase utópica: “uma redefinição em nosso modelo de sociedade de forma que privilegie o interesse do ecossistema sobre o interesse individual dos habitantes”. Essa, no final, acaba sendo a maior esperança atual caso a teoria dos especialistas esteja correta.

Fonte: Vice, Nature

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