Conheça o projeto LandSat, há 50 anos fotografando a Terra e suas mudanças

Conheça o projeto LandSat, há 50 anos fotografando a Terra e suas mudanças

Por Wyllian Torres | Editado por Léo Müller | 11 de Agosto de 2021 às 14h50
NASA

Lançado ao espaço em 23 de julho de 1972, o Landsat 1 foi o primeiro satélite civil de observação contínua da Terra. Graças a ele, hoje temos uma compreensão única do planeta. O programa é uma fonte de resolução espacial da superfície terrestre, onde os novos registros podem ser comparados com os anteriores. Assim, é possível visualizar as mudanças provocadas por ações naturais e humanas ao longo de quase cinco décadas em atividades.

O projeto surgiu em 1970 em parceria da NASA com a United States Geological Survey, uma instituição científica e multidisciplinar dedicada ao mapeamento dos recursos naturais e dos desastres que nos ameaçam. O programa foi inicialmente chamado de Earth Resources Technology Satellite (ERTS), mas, em 1975, foi renomeado como LandSat. O primeiro satélite do projeto (ERTS-1 ou LandSat-1) operou por cinco anos e registrou mais de 300 mil imagens, com vastas coberturas da superfície terrestre.

Programa LandSat e seu legado (Imagem: Reprodução/NASA)

Desde que o primeiro satélite foi lançado, em 1972, mais oito LandSat foram enviados à órbita terrestre para dar continuidade ao programa de observação da Terra, cada um deles passando por melhorias e atualizações. Em cinco décadas de operação, os satélites produziram mais de 9 milhões de imagens — as quais serviram como fonte para mais de 18.000 pesquisas científicas. O programa ainda continua a fornecer imagens visualmente impressionantes e com grande valor científico do nosso planeta, sendo que o LandSat-9 se encontra em seus últimos ajustes para ser lançado no próximo mês.

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Os sensores LandSat possuem uma resolução espacial moderada, o que significa que não é possível, por exemplo, ver as casas individualmente (como no Google Maps), mas permite visualizar mudanças e padrões em grande escala — seja uma geleira diminuindo de tamanho ou rodovias construídas por nós. Em outras palavras, as imagens são grosseiras o suficiente para uma cobertura global, mas detalhadas na medida exata para apontar os processos em escala humana sobre a superfície terrestre.

Concepção artística do LandSat-9 que será lançado em setembro de 2021 (Imagem: Reprodução/NASA)

Concurso de melhores fotos do LandSat

Para comemorar os 50 anos de atividade do programa LandSat, o Earth Observatory, da NASA, está promovendo um concurso virtual para que o público escolha as melhores fotos de todos os tempos. No entanto, apenas as cenas mais marcantes dos últimos 20 anos foram selecionadas. As votações, que estão em sua segunda rodada, seguem abertas até o próximo dia 10 de agosto. Para votar, clique aqui.

O visitante tem 16 opções de imagens para votar, distribuídas nas categorias: Terra, Água, Gelo e Neve e Impacto Humano — entre as quais, selecionamos as cinco mais marcantes, em nossa opinião.

Os ventos desencadeiam o crescimento da lagoa

(Imagem: Reporodução/Joshua Stevens/NASA Earth Observatory)

Esta imagem é o registro do Delta do rio Atchafalaya, em Louisiana, registrada pelo LandSat em 8 em 1º de dezembro de 2016. As cores, no entanto, são artificiais, pois, conforme explica o Earth Observatory, isto enfatiza a diferença entre a terra e água, além de permitir que os observadores percebam os sedimentos transportados pelos rios. Entre 1982 e 2016, o programa LandSat registrou cerca de 10 mil imagens dessa região, algumas delas usadas em pesquisas que analisaram o papel do vento na expansão do lago na início do delta do rio Mississippi.

Planalto Central da Sibéria

(Imagem: Reprodução/Joshua Stevens/NASA Earth Observatory)

A imagem acima, registrada em 29 de outubro de 2020 pelo LandSat-8, revela parte do Planalto Central Siberiano localizado no Círculo Polar Ártico. Os padrões de listras se retorcem e giram ao redor das colinas. Nas mais íngremes, as listras formam curvas estreitas que espiralam do topo da colina ate sua base. As causas para esses desenhos "naturais" variam de acordo com a estação.

Delta de Yukon-Kuskokwim

(Imagem: Reprodução/Joshua Stevens/NASA Earth Observatory)

O Delta de Yukon-Kuskokwim é formado pelo despejo das águas e sedimentos do rio Yukon no Mar de Bering, no Alasca. Esta imagem foi registrada em 19 de maio deste ano pelo LandSat-8. As cores forem realçadas para demarcar as diferentes coberturas, como a vegetação viva da região.

Fazendas de ginseng no norte da China

(Imagem: Reprodução/Joshua Stevens/NASA Earth Observatory)

Este é o registro de uma plantação de ginseng — uma espécie parecida com o gengibre —, feito pelo LandSat-8 em 25 de setembro de 2017. A imagem revela as várias cores das estruturas da plantação. Plantações assim precisam ser cobertas por plásticos, pois a planta não sobrevive à luz solar direta.

Onde as baterias surgem

(Imagem: Reprodução/Lauren Dauphin/NASA Earth Observatory)

O registro, feito em 4 de dezembro de 2018 pelo LandSat-8, revela os cubículos coloridos no Salar de Atacama, uma planície de sal cercada por montanhas no Chile. Trata-se do maior reservatório de lítio do mundo — principal componente das baterias que alimentam carros, celulares e outros tipos de aparelhos eletrônicos. Ali, as máquinas bombeiam a salmoura rica em lítio abaixo da superfície para poços de evaporação. As diferentes cores são explicadas pelas diferentes etapas do processo de evaporação.

Fonte: ScienceAlertUSGS, NASA

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