O que você precisa saber sobre o GNU/Linux - Dicas para começar

Por Pedro Cipoli | 09 de Abril de 2018 às 18h40

Afinal, qual é a melhor distro Linux? A mais rápida, versátil, bonita e recheada de recursos? Será que é possível dar uma resposta objetiva a essa pergunta? Há uma boa quantidade de alternativas por aí, e experimentar até achar a melhor opção é o caminho mais promissor. Mesmo porque há tanto fatores objetivos quanto subjetivos na escolha de cada um.

Por exemplo, qual é a melhor interface gráfica, KDE ou GNOME? LXDE, Budgie, Pantheon ou Unity? E o melhor gerenciador de pacotes, apt ou pacman? E a melhor abordagem, o foco em estabilidade do Debian ou as atualizações contínuas e rápidas do Arch? Ou mesmo de suas distro “filhas”, Ubuntu e Manjaro, respectivamente?

Instalação

Vimos, em artigos anteriores, que a melhor abordagem para começar a usar uma distro Linux é, bom, usar uma distro Linux. Grande parte delas podem ser carregadas de um pendrive, permitindo que vocês as experimente sem correr o risco de perder algum dado na máquina. O próximo passo é instalar, etapa que “assusta” os novos usuários.

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Diversas distros, como o Ubuntu, fornecem a opção de instalação automatizada.

A verdade é que não é um processo tão complicado quanto parece. Assim como acontece com o Windows, o Linux trabalha com um conjunto de partições, bastando dimensionar cada uma delas de acordo com a necessidade. Essencialmente, basta uma partição raiz (conhecida como “/”, comumente sendo do tipo ext4, atualmente) e uma swap (equivalente à “memória virtual” do Windows).

Essencialmente, basta o ext4 "/" e o swap, mas é uma boa prática ter uma partição "/home".

Uma boa prática é criar uma partição “/home” separada para arquivos pessoais. Até a escolha de uma distro definitiva, é bastante comum transitar entre várias delas. Com os arquivos pessoais preservados em uma partição separada, estes não serão perdidos mesmo que você experimente uma distribuição diferente.

Distribuições mais famosas pela facilidade de uso costumam trazer processos automatizados de instalação. Aliás, permitem até manter o Windows lado a lado com ela, desde que exista espaço para o Linux. Basta ligar a máquina e escolher entre os dois, ou mesmo entre as distros Linux através do gerenciador de inicialização, como o GRUB (GRand Unifield Bootloader).

Uso diário vs experimentos

Mesmo que inicialmente encontremos uma distro que seja “a nossa cara”, acabamos olhando outras que também nos parecem interessantes. O que fazer: formatar a máquina e já instalar essa outra? Depende do uso da máquina, assim como do motivo que nos faz olhar para outra distro com bons olhos.

Por vezes o fazemos por ler pontos bastante positivos sobre essa nova distro, como este autor ao começar a usar o Manjaro, por exemplo. Outras devido a algo que começa a nos incomodar em particular.

É possível selecionar o sistema a carregar na inialização com o GRUB.

É o caso da escolha do Ubuntu pelo Unity como interface padrão. Não tanto pela alta exigência gráfica ou o funcionamento em si, mas pela busca automática na internet em diversos sites por padrão. Discussões à parte sobre se era uma violação de privacidade ou não, era algo que realmente incomodava.

Em todo caso, é importante diferenciar uma máquina de uso diário de outra voltada para testes. Especialmente, aliás, para quem faz questão de instalar uma distro Linux fisicamente.

Distros similares e interfaces

Um outro ponto que vale destacar é a facilidade com que o conhecimento de uma distro pode ser aproveitado em outro. Por exemplo, conhecer como o apt funciona no Ubuntu facilita a migração tanto para a distro “pai”, o Debian, quanto para distros “filhas”, como o Linux Mint e o elementary OS.

Uma forma fácil de ver as distros e sua hierarquia, fornecido pelo site dedoimedo.com

Outro ponto interessante de destacar é que não é necessário mudar de distro para experimentar uma interface gráfica específica. Digamos que o Ubuntu seja sua preferida, com um bom suporte de hardware e facilidade de uso, mas o Unity está deixando a desejar*. Basta optar por versões com a interface desejada: Xubuntu (Xfce), Lubuntu (LXDE), Kubuntu (KDE), e assim por diante.

Mais ainda: não é necessário nem instalar a mesma distro com uma interface diferente. É possível instalar uma interface gráfica dentro da própria distro, optando pela interface preferida na hora de efetuar o login. Uma boa opção não apenas pela simplicidade de não ter que formatar a máquina, mas também para manter as configurações atuais.

*O que mudará na próxima versão do Ubuntu, 18.04 (Bionic Beaver).

Saindo do básico

Muito do que abordamos até o momento tem como foco o usuário comum. O usuário que não está lá muito preocupado com os mecanismos internos do sistema operacional, mas sim em ligar a máquina, abrir o navegador e usar a internet. Ainda que as distros Linux sejam bastante intuitivas de usar, há benefícios diretos em aprofundar o conhecimento em qualquer uma das distros.

É possível simplificar e autoatizar bastante coisa com scripts no Terminal.

Aprender alguns comandos básicos no terminal certamente facilitam a vida. Seja na hora de compilar um pacote que não está nos repositórios oficiais, seja criar scripts que automatizam tarefas (backups, sincronização e assim por diante). É possível até converter vídeos via terminal, por exemplo.

Outras funções mais avançadas também ajudam a organizar a infraestrutura da casa. Por exemplo, criar um servidor de mídia, de arquivos com um computador antigo e sem uso. Ou criar uma máquina de compartilhamento de arquivos sincronizada com o home theater da casa (ou ainda criar um home theater com uma máquina Linux, dando alguma sobrevida àquele netbook encostado).

Às vezes, bom, temos a "tela azul da morte" do Linux. Exatamente por isso é importante ter um sistema separado de testes.

Esses são somente alguns dos exemplos, já que há todo um universo de possibilidades. O importante é começar a usar, descobrindo novas utilidades com o passar do tempo, conforme aprendemos mais e nos sentimos mais à vontade com o sistema.

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