Diretor da Samsung é indiciado por violar leis trabalhistas na Coreia do Sul

Por Felipe Demartini | 27 de Setembro de 2018 às 13h13
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O diretor da Samsung, Lee Sang-hoon, foi indiciado nesta quinta-feira (27) por violar leis trabalhistas na Coreia do Sul, ao impedir a formação de sindicatos de funcionários da empresa e dificultar a entrada de trabalhadores em uniões já existentes. Ele é acusado junto a outros 31 executivos da companhia, incluindo outros membros do quadro de diretoria.

De acordo com as informações das autoridades sul-coreanas, uma operação de sabotagem foi realizada em todas as unidades da companhia do país para desestimular a filiação dos funcionários da Samsung aos sindicatos. Dos 200 mil trabalhadores da empresa no país, apenas 300 teriam se unido a organizações desse tipo após ameaças de corte de benefícios, demissões e rompimentos de contratos com parceiros e fornecedores que estimulassem a sindicalização.

Tais atos estariam sendo realizados desde 2013, quando Lee ainda era diretor financeiro da Samsung. Na ocasião, ele teria tentado sabotar e impedir a criação de um sindicato de funcionários da empresa, em ações que, para as autoridades sul-coreanas, podem ser comparadas aos atos de uma organização criminosa por utilizar recursos da própria Samsung e abranger todas as suas unidades de negócio.

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Lee Sang-hoon, um dos principais diretores da Samsung, durante anúncio do Galaxy S6 na Malásia (Imagem: K.Kiat Photography)

Para Kim Soo-hyun, procurador geral e responsável pelo caso, a política de tolerância zero a sindicatos é antiga e atinge todos os setores da Samsung na Coreia do Sul. Os mais de 30 indiciamentos divulgados nesta quinta fazem parte de um processo ainda em andamento, que deve contar com mais acusações e envolver, também, diretores e executivos de parceiros comerciais e de fornecimento da fabricante.

O processo representa mais um capítulo na longa novela de acusações e condenações relacionadas à corrupção e favorecimento que vêm atingindo o coração da Samsung ao longo dos últimos anos. A empresa, inclusive, se viu envolvida no processo de impeachment e prisão da ex-presidenta Park Geun-hye, acusada, entre outros crimes, de receber suborno de grandes companhias do país e atuar como uma figura decorativa, agindo sob as ordens e influência de Choi Soon-sil, ligada a um culto religioso.

Por conta desse envolvimento, o vice-diretor da Samsung, Lee Jae-yong (conhecido no Ocidente, também, como Jay Lee) foi condenado a cinco anos de prisão por acusações de corrupção, tráfico de influência, suborno e outros crimes. Em fevereiro, ele teve a pena reduzida pela metade e foi solto, cumprindo o restante de sua sentença em liberdade condicional.

Fonte: Bloomberg

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