Publicidade

Caso Theranos: Elizabeth Holmes é condenada a mais de 11 anos de prisão

Por  | 

Compartilhe:
Reprodução
Reprodução

Ela chegou a ser comparada com Steve Jobs e era vista como a mais promissora empreendedora de sua geração. Elizabeth Holmes, 38 anos, foi de admirada executiva e cientista a acusada em um dos maiores escândalos da história do mercado de tecnologia. Na sexta-feira (18), foi condenada a mais de 11 anos de prisão, após ser julgada por fraudar investidores enquanto administrava a startup de testes de sangue Theranos.

A sentença do juiz Edward Davila, em San Jose (Califórnia) prevê 11 anos e três meses de prisão, com mais três anos de supervisão após a liberdade de Holmes. Ela foi condenada por três acusações de fraude contra investidores e um por conspiração.

Antes do anúncio de sua sentença, Holmes apareceu chorando no tribunal em San Jose e disse: “adorei a Theranos. Foi o trabalho da minha vida”, disse, segundo a CNN. “As pessoas com quem tentei me envolver com a Theranos foram as pessoas que mais amei e respeitei. Estou arrasada com minhas falhas.”

Canaltech
O Canaltech está no WhatsApp!Entre no canal e acompanhe notícias e dicas de tecnologia
Continua após a publicidade

Ela também pediu desculpas aos funcionários, investidores e pacientes da Theranos. "Me desculpe. Dei tudo o que tinha para construir nossa empresa e salvá-la. Eu me arrependo de minhas falhas com cada célula do meu corpo.”

Vale lembra que, em julho, o COO da Theranos, Ramesh Balwani, foi considerado culpado de todas as 12 acusações, em um julgamento separado, e pode pegar até mais de 20 anos de prisão — que também era previsão para Holmes. Balwani deve ser sentenciado em 7 de dezembro.

Ascensão e queda da Theranos

A Theranos prometia revolucionar a Saúde com o uso de uma tecnologia capaz de detectar as mais variadas doenças a partir de apenas uma gota de sangue. E essa promessa era muito bem contada por uma bela e promissora cientista de 19 anos. Em 2003, Holmes largou os estudos na Universidade de Stanford para se dedicar a um projeto que, desde seu anúncio, já causava grande barulho no mercado.

A Theranos logo conseguiu levantar US$ 945 milhões (mais de R$ 5 bilhões) junto a investidores famosos, como Rupert Murdoch e Larry Ellison. No auge de sua popularidade, a empresa de Holmes chegou a ter valor de mercado de US$ 9 bilhões (R$ 48 bilhões). Holmes se tornou uma celebridade, e chegou a ser comparada com Steve Jobs.

Mas… tudo começou a desmoronar em 2015, quando uma investigação do Wall Street Journal descobriu que a empresa havia realizado poucos dos exames das centenas de testes que oferecia em seu dispositivo proprietário de análises sanguíneas, o que tornava a precisão dos resultados bastante questionável. Além disso, a matéria revelou que a Theranos usava aparelhos fabricados por companhias tradicionais no setor de exames de sangue.

Em 2016, a Theranos anulou dois anos de resultados de exames de sangue e passou as investigações do governo estadunidense começaram a apertar o cerco sobre suas atividade. Em 2018, Holmes e a Theranos sofreram acusações de “fraude maciça” por parte da Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos. Na época, a executiva e a empresa não admitiram ou negaram as alegações, e a Theranos se dissolveu na sequência.

Em seu julgamento, Holmes alegou que estava em meio a um relacionamento abusivo de uma década com seu então namorado e COO da Theranos, Ramesh “Sunny” Balwani, enquanto dirigia a empresa. Ela afirmou que Balwani tentou controlar quase todos os aspectos de sua vida, incluindo sua alimentação, sua voz e sua imagem, isolando-a dos outros.

Continua após a publicidade

“Os efeitos da conduta fraudulenta de Holmes e Balwani foram abrangentes e graves”, escreveram os promotores federais em um processo judicial de novembro sobre a sentença de Holmes. “Dezenas de investidores perderam mais de US$ 700 milhões (quase R$ 4 bilhões) e vários pacientes receberam informações médicas não confiáveis ​​ou totalmente imprecisas dos testes defeituosos da Theranos, colocando a saúde desses pacientes em sério risco.”