Abuso de autoridade? CEO da Razer é denunciado por ex-funcionários

Por Fidel Forato | 05 de Dezembro de 2019 às 21h05
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Companhia conhecida por seus acessórios desenhados para gamers, como mouses, teclados, mousepads e headsets, a Razer e seu CEO, Min-Liang Tan, estão envoltos de uma série de denúncias trabalhistas, feitas por ex-funcionários. Tan, executivo que figura entre as 50 pessoas mais ricas de Cingapura, com uma fortuna estimada US $ 1,6 bilhão, segundo a Forbes, recentemente, foi aclamado pelos meios de comunicação como o bilionário mais jovem daquele país.

Durante os quase 15 anos à frente da Razer, tudo parecia promissor para o CEO, mas a série de denúncias reveladas pela Kotaku, mostram que na verdade, Tan estava criando um ambiente de trabalho hostil para seus colaboradores, em toda a empresa, de acordo com 14 ex-funcionários da companhia. Entre as acusações estão histórias de Tan gritando, jogando objetos, ameaçando funcionários e se comportando de maneira hostil.

Em algumas das denúncias, Tan foi descrito pelos funcionários como um "ditador". Essa é uma descrição que o CEO afirmou ter usado para si mesmo, embora a tenha contextualizado de uma maneira diferente, como uma forma de explicar que era ele que estava no comando da empresa.

CEO da Razer é alvo de acusações trabalhistas (Fonte: Business Insider/ Lianhe Zaobao)

Entenda as denúncias

Segundo as denúncias relatadas pela Kotaku, um funcionário alegou ter testemunhado o CEO ameaçar socar outro empregado no rosto. Outra queixa relata que Tan jogou um objeto na direção de funcionários com raiva - mesmo que o material em questão não tenha atingido ninguém.

Outros dois se referiram ao CEO como "verbalmente abusivo". Além de várias situações descritas em que ele falava inúmeros palavrões, dentro do escritório, enquanto conversava com funcionários. Em alguns casos, os denunciantes alegaram que a porta era mantida aberta nessas situações para "publicamente envergonhar" o funcionário.

Em depoimento, Tan negou essas alegações em parte, afirmando não ter jogado objetos na direção dos funcionários e nem os ameaçou, mas confirmou ter jogado possíveis objetos "na parede ou no chão" para demonstrar insatisfação. "Fiz declarações com o objetivo de 'não me faça dar um soco na cara' ou 'mandarei meus robôs assassinos atrás de você', mas essas declarações foram todas figurativas ou de brincadeira", afirmou o CEO da Razer.

"Se um produto não atender aos meus padrões, eu posso expressar insatisfação, inclusive elevando minha voz", completa o executivo. Segundo um representante da Razer, "a maioria, se não todos", dos casos em que Tan gritou com um funcionário ocorreu "em um ambiente de portas fechadas, direcionado aos erros e questões em questão e com o objetivo de fornecer feedback sincero e direto para melhorar o trabalho e não para envergonhar o funcionário."

Mais casos

Um funcionário alegou que ocorreram demissões, em 2013, pelo fato dos funcionários serem francos quanto à incapacidade da empresa de atingir as metas de vendas solicitadas pelo executivo, dentro do orçamento. Outros disseram que foram convidados a trabalhar durante as férias programadas, mesmo que a Razer negue ter solicitado isso aos contratados.

Em mais denúncias, alguns funcionários descreveram situações em que outros empregados foram demitidos "por capricho" ou sem aviso prévio. Como quando Tan demitiu o diretor de marketing, Greg Agius, pelo fato do CEO não configurar na lista das Empresas Mais Inovadoras do site Fast Company de 2014.

Outros disseram que tinham medo de serem demitidos se não trabalhassem por tempo suficiente. Nesse aspecto, alguns contratados estimaram trabalhar mais de 60 ou até 100 horas por semana em determinadas ocasiões. Alguns funcionários também alegam que, às vezes, passavam à noite no escritório, no caso de Tan ligar inesperadamente, se precisasse de algo. Segundo os depoimentos, eles temiam ser demitidos, caso ninguém atendesse o telefone.

Conhecida companhia de produtos para gamers é alvo de denúncias trabalhistas

Justificativas

"Quando se trata de lançamentos ou eventos de produtos, muitos de nossos funcionários trabalham horas adicionais para se preparar", defendeu um representante da Razer. "Isso é comum em uma startup de tecnologia. No entanto, essas são tipicamente janelas curtas que não duram mais que alguns dias. Além disso, não se espera que os funcionários trabalhem de 60 a 100 horas semanais ou durmam durante a noite no escritório."

"Embora a grande maioria de nossa equipe esteja feliz e engajada, é inevitável que um pequeno número fique descontente e infeliz", afirmou a Razer em relação às denúncias. O executivo inclui em sua defesa que a empresa emprega aproximadamente 1.300 pessoas na Califórnia, Cingapura, China, Taiwan, Alemanha, Turquia e outros escritórios.

Além disso, a Razer afirma ter implementado cursos de treinamento em RH ao longo dos anos para todos os funcionários, mas não confirmou se Tan participou de algum curso neste tema em específico.

Atualização: Por e-mail, a Razer comunicou ao Canaltech sobre o caso do ex-diretor de marketing, Greg Agius, que encabeça as denúncias:

"As alegações publicadas na matéria refletem reivindicações de um processo atual movido por um ex-funcionário descontente, cujo emprego foi rescindido por má conduta, incluindo desonestidade. A Razer não pode comentar sobre questões referentes a um litígio em andamento."

Fonte: Kotaku; Tweak Town

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