Alunos criam "mundo pré-pandemia" em ensino à distância com ajuda do Minecraft

Por Rafael Arbulu | 27 de Abril de 2020 às 20h45
Divulgação/Minecraft

Com a COVID-19 sem dar sinais de descanso durante a pandemia, escolas e universidades que adotaram a metodologia de ensino à distância (EAD) se vêem cada vez mais obrigadas a criarem formas de manter os alunos imersos em suas aulas. Uma medida adotada pelo Serviço Social da Indústria (SESI) foi apostar nos videogames para inserir desafios educativos, especificamente, o título Minecraft.

A instituição organiza o “Desafio Mundo em Ação! Prevenção e Educação”, em que parte das atividades envolvem desenvolver, dentro da versão educativa de Minecraft (Minecraft Education Edition) uma espécie de “mundo antes da pandemia". Alunos deverão, antes de começar a criar no jogo, pesquisar sobre diversos temas de interesse, como os impactos atuais da doença e quais alterações de comportamento provoca na população.

Versão educacional do Minecraft vem sendo usada pelo SESI para criar desafios mais interativos aos seus alunos

“A vontade de trabalhar com o Minecraft surgiu com o desafio de manter os estudantes focados e interessados nas aulas, mesmo à distância, uma dificuldade que todas as escolas devem estar enfrentando nesse momento”, afirma Perla Amorim, especialista da área de educação no departamento nacional do SESI. A ideia, segundo Perla, é que todas as áreas do conhecimento sejam trabalhadas com a utilização dessa plataforma de jogo com muita criatividade.

A ação do SESI conta com o apoio da BigBrain, uma parceira da Microsoft, dona do Minecraft, para a indústria educacional. O interessante é que, para essa atividade, o aluno se vê mais livre para executar suas próprias criações e trabalhos. Como ele acaba solto da rotina comum da sala de aula, assume o protagonismo das “lições”, o que, pelo entendimento do SESI, deixa-o mais imerso nos temas propostos. É seguro dizer que, por causa disso, os trabalhos saem melhor pesquisados e mais fundamentados. O vídeo abaixo, do canal oficial da versão educativa do jogo no YouTube, mostra alguns alunos aplicando seus conhecimentos no jogo:

O uso do Minecraft Education Edition pelo SESI não é novidade — a instituição já aplicava o jogo em seus laboratórios de informática. O ineditismo, porém, vem da necessidade de se criar um ambiente interativo dentro da casa do aluno, de modo a manter a qualidade das aulas. Para isso, o SESI criou um manual de instalação para o uso do game em casa. “Pedimos a construção de uma cidade pós pandemia, como forma de o aluno pesquisar e se inteirar sobre o cenário atual, além de entender melhor sobre sua própria cidade. Tudo isso, neste primeiro momento, é feito sem a mediação do professor, portanto os estudantes completam os passos do desafio sozinhos”, complementa Perla.

Futuramente (o SESI não informou uma previsão exata), a ideia é integrar todo o material dos alunos por dentro de um “mundo de base” compartilhado ou dentro de um servidor específico ou discutido via Microsoft Teams, com participação de professores. "Os docentes são sempre incentivados a acessarem à comunidade Minecraft, com isso eles conseguem conversar com docentes do mundo inteiro e ter mais ideias de como utilizar a ferramenta dentro da sala de aula. Isso nos faz acreditar que ainda a utilizaremos em novos contextos e cenários no futuro, mesmo depois essa pandemia passar”, diz Sérgio Gotti, Gerente Executivo de Educação do SESI.

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