Pesquisa revela que Bing tem ajudado pedófilos a encontrar pornografia infantil

Por Rafael Rodrigues da Silva | 10 de Janeiro de 2019 às 21h45
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O Bing, mecanismo de busca da Microsoft, sofre de um problema muito grave: a facilidade com a qual qualquer pessoa pode encontrar conteúdos de pornografia infantil. E, de acordo com uma investigação feita pela empresa de segurança online AntiToxin e contratada pelo site TechCrunch, a busca do Bing não apenas tem mostrado pornografia infantil em seus resultados, mas também tem sugerido novas pesquisas para que pedófilos tenham ainda mais facilidade em encontrar pornografia infantil.

Mas, antes de explicarmos o caso, um alerta: em hipótese nenhuma tente entrar no Bing e procurar pelos termos citados aqui na matéria. Como eles já foram reportados como termos que sugerem resultados de pornografia infantil, buscar por eles na plataforma pode colocar o seu endereço IP na lista de pedófilos em potencial da Polícia Federal e trazer alguns problemas futuros, pois a procura, armazenamento e distribuição de qualquer tipo de conteúdo de pedofilia é considerado crime inafiançável.

A pesquisa da AntiToxin descobriu o buscador da Microsoft não apenas não barrava pesquisas que claramente remetiam a pedofilia, como os termos “porn kids” e “porn CP” (CP é a sigla usada para “child pornography”, que é pornografia infantil em inglês), mas também mostrava imagens de crianças em atos sexuais até mesmo em pesquisas que nada tinham a ver com o tema.

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Resultados de pesquisa mostrados pelo Bing para o termo "child porn". Todos os retângulos laranjas são imagens explícitas de pedofilia mostrados pelo mecanismo de busca (Captura: AntiToxin)

Por exemplo, quando os pesquisadores procuraram por “Omegle Kids” (Omegle é um popular aplicativo de chat em vídeo, onde os usuários são colocados para conversar aleatoriamente entre si e não escolhem com quem vão se conectar), umas das sugestões de busca do auto-completar é “Omegle Kids Girls 13”, termo que quando procurado revela diversos resultados com imagens de pedofilia. E, se o usuário clica em alguma dessas imagens, a função de Buscas Similares do mecanismo revela ainda mais imagens de pornografia infantil.

Outro termo utilizado pelos pesquisadores foi “Omegle for 12 years old”, que ao ser digitado o recurso auto-completar do Bing sugeria uma busca por “Kids on Omegle Showing”, que revelava ainda mais resultados de conteúdo de pedofilia, com crianças nuas em posições constrangedoras e algumas até mesmo praticando atos claramente sexuais.

Essas evidências mostram claramente como a Microsoft tem falhado em moderar adequadamente os conteúdos de seu mecanismo de buscas, já que o buscador não só tem mostrado resultados de pornografia infantil, como ainda está ajudando pedófilos a encontrar ainda mais conteúdos do tipo ao sugerir novas pesquisas a eles. Em comparação, nenhum dos termos mostram resultados do tipo quando procurados no Google, que de modo geral esconde os conteúdos de pornografia e sugere sites de combate à pedofília.

Ao clicar em uma imagem de pedofilia, o Bing sugere ainda mais resultados do tipo, tornando-se uma plataforma perfeita para pedófilos (Captura: AntiToxin)

A pesquisa foi encomendada em dezembro de 2018, quando o TechCrunch recebeu uma dica anônima sobre o problema existente no Bing após publicar uma reportagem sobre grupos de pedófilos que usavam a garantida pela criptografia do WhatsApp para compartilhar conteúdos de pornografia infantil. A pesquisa conduzida pela AntiToxin vasculhou a plataforma durante os dias 30 de dezembro de 2018 e 7 de janeiro de 2019, e fez todas as buscas com a opção de “Pesquisa Segura” desligada. Apesar disso, é bom lembrar que o botão de “Pesquisa Segura” serve para proteger crianças de serem inundadas com resultados pornográficos em pesquisas que podem ser consideradas “dúbias” (como por exemplo, ao pesquisar “mulheres brasileiras” com a Pesquisa Segura ligada, o Bing nos fornece diversos resultados de atrizes e celebridades, mas ao desligar a Pesquisa Segura os resultados mostrados passam a incluir fotos sensuais de biquini e capas da Playboy), mas em nenhum momento um buscador deve fornecer resultados com conteúdo de pornografia infantil em qualquer tipo de busca, já que isso pode ser considerado como cooperar com uma prática criminosa.

Assim que recebeu os resultados da pesquisa, o TechCrunch entrou em contato com a Microsoft, explicou o problema e forneceu os resultados da pesquisa à empresa. Em resposta ao contato, Jordi Ribas, vice-presidente do Bing e de Produtos de IA da Microsoft, agradeceu pela informação, afirmando que os resultados mostrados pela ferramenta de busca são inaceitáveis e vão contra todas as diretrizes e políticas de uso da empresa, e que não só a equipe da Bing já resolveu todos os problemas apontados pelo site como uma equipe de engenheiros foi designada para investigar o mecanismo de busca e tentar descobrir se existem outros resultados que sofrem do mesmo problema.

Apesar disso, a Microsoft se recusou a divulgar quantos funcionários ela possui trabalhando atualmente para garantir que os resultados de pesquisa da plataforma estão sendo moderados corretamente, ao mesmo tempo que tentou se esquivar da culpa, atribuindo o problema a um algoritmo que indexa os conteúdos de maneira automática. Mas, quando todos os mecanismos de busca utilizam o mesmo tipo de algoritmo de indexação, e apenas o seu tem um problema com pornografia infantil, fica difícil colocar a culpa toda no computador. Além disso, a AntiToxin revelou que, ainda que a Microsoft tenha feito mesmo uma “limpa” nos resultados, alguns dos termos de busca encontrados na pesquisa ainda retornam imagens de pedofilia.

Você pode denunciar crimes como pornografia infantil na internet a patir desta ferramenta da SaferNet, uma ONG brasileira.

Fonte: TechCrunch

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