Novo ciberataque mira pessoas epiléticas com GIF que pode causar convulsões

Por Rafael Arbulu | 18 de Dezembro de 2019 às 11h38

Um novo método de ataque cibernético vem sendo empregado no intuito de atingir especificamente pessoas que sofrem de epilepsia. De acordo com a ONG Epilepsy Foundation, o ataque consiste em enviar, pelo Twitter, um GIF que reproduz luzes estroboscópicas que sirvam de gatilho para causar convulsões em pessoas que vejam o material. Pelo que diz a ONG, os ataques vêm sendo feitos diretamente ao seu feed na rede social, justamente no intuito de atingir o maior número de epiléticos possível.

A organização explica que esses são casos do que se convém chamar de “epilepsia fotosensível”, ou seja, a pessoa que sofre disso pode sofrer convulsões apenas de olhar para certos padrões de luz e imagem, além de luzes piscantes serem particularmente perigosas a esse público.

"Ainda que a parcela da população com essa sensibilidade epilética seja pequena, o impacto pode ser bem sério”, disse Jacqueline French, CMIO (Chief Medical and Innovation Officer) da Epilepsy Foundation. “Muitas pessoas sequer estão cientes de que possuem essa sensibilidade até que sofram convulsões”.

Certos padrões de luz e/ou cores podem induzir pessoas epiléticas a sofrerem convulsões: dependendo do grau que afeta a vítima, a morte é um dos resultados possíveis (Imagem: Reprodução/Getty Images)

O fato de os cibercriminosos estarem usando o Twitter para desencadear os ataques torna a situação ainda mais evidente, segundo Allison Nichol, diretora jurídica da ONG, pois, segundo ela, a rede social é o equivalente virtual de uma reunião de pessoas em lugar público.

"Esses ataques não são diferentes de uma pessoa carregando uma luz estroboscópica dentro de uma convenção de pessoas epiléticas, com a intenção clara de induzi-las a terem convulsões e, com isso, causar muito dano aos participantes”, comentou. “O fato de esses ataques serem executados durante o Mês de Conscientização Nacional contra a Epilepsia somente ressalta a sua natureza repreensível”.

Em 2016, um ataque similar foi desencadeado contra o jornalista Kurt Eichenwald. Um notório opositor do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Eichenwald recebeu em seu feed no Twitter um GIF com luzes piscantes e cores específicas, que lhe causaram um ataque grave de convulsão.

O acusado é um homem chamado John Rayne Rivello, que foi preso pelo ataque, porém o processo judicial ainda se arrasta até hoje. A expectativa é que Rivello se declare culpado a fim de evitar sanções mais duras. Vale citar que Rivello, um ex-soldado do exército norte-americano, tuitou diretamente a Eichenwald a frase “Você merece uma convulsão pelas coisas que diz”. Posteriormente ao envio do GIF, as autoridades identificaram posts publicados por Rivello gabando-se do feito.

Eichenwald disse que teve sorte, pois foi encontrado pela esposa e conseguiu sobreviver: “Não fosse ela, eu poderia ter morrido”, ele comentou na época. Ao ver a situação se repetindo em 2019, ele próprio tuitou: “Quando esses idiotas vão entender que nós não vamos mais permitir que eles nos machuquem?”

O jornalista e escritor Kurt Eichenwald teve uma convulsão séria em 2016, após receeber no Twiter uma imagem com cores e luzes estroboscópicas: pessoa que enviou o material admitiu a intenção de lhe causar mal e foi presa, aguardando julgamento (Imagem: Reprodução/Newsweek)

Questionado sobre a situação, o Twitter respondeu dizendo que há mecanismos implementados para que usuários sujeitos a esse tipo de problema fiquem seguros: "Nós queremos que as pessoas se sintam seguras em nossa plataforma”, disse um porta-voz da empresa à CNN. "Nós oferecemos opções que impedem que uma mídia seja automaticamente reproduzida em suas linhas do tempo, além de impedir qualquer GIF de aparecer quando alguém procura pela palavra ‘convulsão’ na busca por GIFs”.

A Epilepsy Foundation diz que queixas criminais foram prestadas contra os cibercriminosos identificados. A ONG ainda oferece orientação jurídica a pessoas nos Estados Unidos que sofram do problema e sintam que são atacadas por causa dele.

Fonte: CNN

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