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Relatório revela perfil do apostador brasileiro e aponta 25 mil sites bloqueados

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André Magalhães/Canaltech
André Magalhães/Canaltech

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) bloqueou mais de 25 mil sites de apostas ilegais entre outubro de 2024 e dezembro de 2025. A "guerra digital" travada pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda utilizou tecnologia para monitorar transações financeiras e derrubar perfis de influenciadores que promoviam jogos irregulares.

Os dados, apresentados no relatório “Panorama Periódico do mercado regulado de apostas de quota fixa”, apontam que a fiscalização se estendeu às redes sociais. Foram abertos 412 processos de fiscalização contra influenciadores digitais, o que resultou na remoção de 324 perfis e na derrubada de 229 conteúdos específicos.

No âmbito corporativo, a Subsecretaria de Monitoramento e Fiscalização instaurou 132 processos administrativos envolvendo 78 agentes operadores e 133 marcas de bets. Destes, 80 processos sancionadores seguem em andamento.

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O cerco financeiro também foi apertado. Com o auxílio de 54 instituições financeiras e de pagamento, o governo analisou 1.255 comunicações com indícios de atuação ilegal. O monitoramento identificou 265 operadores ilegais e encerrou 550 contas bancárias utilizadas para transações não autorizadas.

Bilhões em arrecadação

O mercado regulado movimentou cifras expressivas no último ano. O Gross Gaming Revenue (GGR) — a receita bruta das empresas após o pagamento dos prêmios — totalizou R$ 36,9 bilhões no período acumulado.

Deste montante, 12% foram recolhidos para destinações legais, somando R$ 4,53 bilhões repassados aos cofres públicos. Os recursos foram distribuídos entre diferentes setores, com o Esporte recebendo a maior fatia (R$ 1,62 bilhão), seguido pelo Turismo (R$ 1,26 bilhão) e Segurança Pública (R$ 614 milhões).

Além das destinações sobre a receita, o governo arrecadou R$ 95,4 milhões apenas com a Taxa de Fiscalização paga pelas operadoras licenciadas.

Perfil do apostador brasileiro

O relatório traçou um raio-x dos usuários das plataformas reguladas. Ao todo, 25,2 milhões de CPFs únicos realizaram apostas em 2025. O público é majoritariamente masculino, representando 68,3% dos cadastros, contra 31,7% do público feminino.

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A faixa etária mais ativa está entre 31 e 40 anos, concentrando 28,6% dos apostadores. Os jovens adultos também têm participação relevante: o grupo de 18 a 24 anos e o de 25 a 30 anos representam, cada um, 22,7% do total.

Além disso, quase metade dos usuários (48%) se mostraram fiéis à alguma casa de aposta específica, e mantêm a conta ativa em apenas um operador. Mas, quase 1 em cada quatro apostadores (24,5%) possuem contas ativas em quatro ou mais operadoras de apostas. 

Jogo responsável e autoexclusão

Com a implementação da Plataforma de Autoexclusão Centralizada, o governo registrou mais de 217 mil solicitações de bloqueio voluntário. A ferramenta permite que o usuário impeça seu próprio acesso a todos os sites regulados simultaneamente.

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O principal motivo alegado para a autoexclusão foi a "perda de controle sobre o jogo" e questões de saúde mental, citado por 36,83% dos solicitantes. Outros 24,48% pediram o bloqueio para "prevenir que meus dados sejam utilizados em plataformas", e 14,87% citaram "decisão voluntária" sem especificar problemas de saúde.

A grande maioria optou por se afastar do mercado de forma definitiva ou por longo prazo. Segundo o relatório, 73,39% das autoexclusões foram solicitadas por tempo indeterminado.

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