Correios decide encerrar e-Sedex; frete de compras online deve ficar mais caro

Por Sérgio Oliveira | 30 de Novembro de 2016 às 12h38

Os Correios confirmou nesta quarta-feira (30) que o e-Sedex está prestes a ser descontinuado. A modalidade de envio de entrega rápida era voltada para o comércio eletrônico e um dos principais produtos da empresa.

Exclusivo para o comércio eletrônico, o serviço oferece preço similar às encomendas convencionais, mas tem os mesmos prazos de entrega do Sedex normal. O único "porém" é que sua cobertura é restrita a algumas cidades e o limite de peso dos objetos postados é limitado a até 15 quilos.

Além disso, segundo a Associação Brasileira de Franquias Postais (Abrapost), a modalidade responde por 30% do faturamento das lojas franqueadas, que ficaram assustadas com a decisão.

"O que está deixando a gente assustado é que recebemos centenas de ligações de associados querendo saber o porquê de os Correios terem decidido acabar com o e-Sedex. Não sei responder", disse Chamoun Hanna Joukeh, presidente da Abrapost, ao Globo. "A gente está muito preocupado com a possibilidade de o cliente ir para a concorrência".

Em comunicado, os Correios confirmaram que o fim do e-Sedex passa a vigorar a partir do dia 1º de janeiro de 2017. Procurado pelo jornal, o presidente dos Correios, Guilherme Campos Júnior, alegou que a medida tem a ver com o corte de custos: "O e-Sedex tem preço de PAC e qualidade de Sedex. Isso é ter a liberdade de ser solteiro com o conforto de casado". Atualmente, a companhia enfrenta a maior crise financeira de sua história. No ano passado, ela registrou um prejuízo de R$ 2,1 bilhões mesmo monopolizando a entrega de cartas no Brasil.

Nota enviada pelos Correios confirmando o fim do e-Sedex. Modalidade de envio passa a deixar de existir a partir de 1º de janeiro de 2017

Impacto no comércio eletrônico

Apesar da súplica da Abrapost, que sugeriu o reajuste do valor do e-Sedex ao invés do fim do serviço, o presidente dos Correios disse que não tem mais volta.

Além de impactar negativamente o faturamento dos franqueados, a medida também deve pesar no bolso do consumidor que compra produtos online. A tendência é que o valor dos fretes se torne ainda mais caro, sobretudo para quem tem urgência em receber a mercadoria.

Outra possibilidade é que vejamos cada vez mais varejistas lançando assinaturas anuais para que o cliente sempre possa contar com frete grátis em suas compras, uma modalidade popularizada nos Estados Unidos pela Amazon com o Prime e que recentemente foi implantada aqui no Brasil pelo Submarino.

Contrariados, os franqueados garantiram ao Globo que vão entrar na Justiça para impedir o fim do e-Sedex.

Via O GLOBO