Codecs de vídeo: o que são, para que servem e tudo o que você precisa saber

Por Sérgio Oliveira | 13 de Maio de 2015 às 11h32

Amplamente utilizados, porém pouquíssimo conhecidos, os codecs de vídeo estão em nossas vidas praticamente desde sempre. Eles se popularizaram, sobretudo, com o advento da banda larga e dos sistemas de compartilhamento de arquivos, uma dobradinha que impulsionou o vai-e-vem de arquivos de vídeo por toda a internet no final dos anos 1990 e começo dos anos 2000. Desde então, aqui e acolá ouvimos falar em DivX, XviD, MPEG-4 e tantos outros, contudo pouco sabemos sobre eles e qual a real importância dessa sopa de letrinhas no nosso dia a dia.

Engana-se quem pensa que este é um assunto simples de se explicar. Cada codec leva anos para ser desenvolvido e está imbuído de complexos algoritmos de compressão de dados. Contudo, lançaremos luzes sobre cada um deles no intuito de esclarecer um pouco seu funcionamento e qual a melhor opção para você no seu dia a dia. Vamos lá!

Afinal, o que são codecs?

Se você não faz a mínima ideia do que seja um codec, cabe uma rápida explanação sobre eles. Conhecidos no meio técnico como "coder/decoder", ou "codificador/descodificador" no bom e velho português, os codecs são ferramentas de codificação que processam e armazenam vídeos em uma cadeia de bytes. Para isso, eles utilizam algoritmos de compressão, que reduzem o tamanho não apenas das imagens, mas também do áudio de cada arquivo de vídeo. Quando necessário, ou seja, na hora de reprodução, esse mesmo algoritmo faz a tarefa inversa e descomprime as informações para visualização pelo usuário.

Atualmente, há inúmeros tipos de codecs de vídeo por aí, cada um utilizando uma tecnologia de compressão de dados diferente. Genericamente, contudo, pode-se dizer que existem dois tipos de codec: os que fazem compressão com perdas (lossy) e os que fazem compressão sem perdas (lossless).

Compressão com perdas (lossy)

Por mais que as conexões ultrarrápidas de hoje em dia nos permitam baixar centenas de gigabytes diariamente, a compressão lossy ainda é um mal necessário. Esse tipo de compressão é utilizado principalmente quando se deseja reduzir o tamanho final de um arquivo e, para isso, o codec comprime o vídeo e/ou o áudio de uma maneira que o resultado final ainda seja aceitável.

Mas calma, não estamos falando aqui de filmes de mais de duas horas com menos de 100 MB, pelo contrário. Estamos falando de arquivos de mais de 1 GB e duas horas de duração que, mesmo com perda de qualidade, ainda são capazes de encher os olhos dos mais aficionados por qualidade.

Comparativo de imagem comprimida usando codec lossless e lossy

Apesar disso, ainda há sim técnicas que comprimem os dados além da conta (quem nunca baixou um vídeo em RMVB?). Logo, fica bastante claro que, na realidade, existe toda uma variedade de codecs que atende a uma gama enorme de pessoas, das mais exigentes até as que só querem um arquivo pequeno para repassar para colegas ou distribuir por aí na internet.

Compressão sem perdas (lossless)

Quando a ordem é qualidade total de som e vídeo, então entram em ação os codecs lossless, que praticamente mantêm os arquivos como eles vieram ao mundo. A coisa toda funciona como quando nós apenas armazenamos arquivos dentro de uma pasta ZIP ou RAR, sem nenhum tipo de comprimento.

Por causa dessas características, codecs desse tipo são pouquíssimo utilizados por reles mortais como nós, já que o tamanho do arquivo final é gigantesco e só faz sentido utilizá-los quando se trabalha com propaganda, cinema e vídeo profissional. Como você já deve imaginar, também é praticamente inviável utilizar arquivos tão grandes assim para fazer transmissões sob demanda, como numa Netflix da vida.

Para se ter uma ideia do absurdo disso tudo, aquele Blu-ray do seu filme preferido provavelmente tem 50 gigabytes de dados nele, o que já é bastante coisa. Agora, o primeiro trailer 4K (abaixo) do mundo tem nada mais nada menos do que 160 gigabytes. Já um filme em Full HD que usa um codec lossless pode ocupar até 410 gigabytes por hora de filmagem, sem contar o áudio que adicionaria 7 gigabytes por hora gravada nessa conta. Logo, fica bastante claro que esse tipo de codec não passa nem perto dos nossos computadores, dispositivos móveis e televisores inteligentes.

Ainda vale ressaltar que os codecs são importantes não apenas por comprimirem os dados de um vídeo, mas também fazerem o caminho inverso. Se um vídeo for codificado utilizando, por exemplo, DivX, ele só poderá ser reproduzido se o computador ou gadget oferecerem suporte ao DivX. Caso contrário, problemas reprodução e compatibilidade poderão surgir durante a execução do arquivo, por exemplo.

Quais os codecs mais populares?

São inúmeras opções de codec que existem por aí a fora, mas certamente alguns deles se destacam ou por terem apoio comercial ou por simplesmente terem caído no gosto popular.

DivX/XviD

O DivX foi um dos primeiros codecs a fazer sucesso na internet. Criado pela DivX Inc. no começo dos anos 2000, ele logo caiu no gosto popular pela alta capacidade de compactação de vídeo. À época, softwares de compartilhamento de arquivos como o KaZaa ajudaram na conquista popular, já que as pessoas procuravam alternativas ao formato MPEG, que praticamente dominava os computadores mas não era lá essas coisas.

Não demorou muito e logo o DivX também caiu nas graças de grandes empresas do ramo do entretenimento, sobretudo aquelas que apostaram em DVD Players. Aos poucos, esses aparelhos começaram a chegar às lojas com o selo do codec, que a essa altura do campeonato já se tornara um produto comercial. Foi a partir de então que começamos a assistir vídeos baixados da internet nos aparelhos de DVD em nossas salas, bastando gravar um disco com o arquivo e inseri-lo na bandeja do DVD Player.

Nesse meio tempo, o XviD (DivX de trás para frente) surgiu como uma alternativa open source ao DivX, que "se vendeu à indústria". Seus desenvolvedores apostaram na mesma qualidade de compactação dos arquivos, embora no começo os arquivos XviD apresentassem tamanho ligeiramente maior e qualidade um pouco inferior.

Atualmente, no entanto, o XviD desponta como uma das melhores opções de compactação de arquivos de vídeo e é amplamente utilizado por rippers que povoam a internet com filmes e séries piratas. Por ser open source, o codec tem uma comunidade extremamente ativa e sempre está recebendo atualizações.

MPEG-4

Pode-se dizer que o MPEG-4 é a evolução do desengonçado MPEG amplamente utilizado no fim dos anos 1990. Essa fama, no entanto, passa longe do MPEG-4, que atualmente é referência principalmente quando o assunto é transmissão de vídeos sob demanda.

Xodó de serviços como Netflix, Hulu e outros do gênero, o grande diferencial aqui é que os arquivos são compostos por duas ou mais partes. A parte 2, também conhecida por MPEG-4 Part II, é a responsável por codificar o vídeo em si utilizando outros tipos de codec de vídeo, como o DivX e XviD. As outras 30 partes têm papeis específicos e vão desde a sintetização de texturas e compressão de gráficos 3D, até compressão de áudio, que geralmente ocorre utilizando MP3.

H.264

O H.264 é relativamente novo no mercado e vem ganhando força principalmente pela alta demanda por vídeos em alta definição. Portanto, quando o assunto é vídeo HD, Full HD ou 4K, geralmente o H.264 é utilizado nos bastidores.

O mais interessante de tudo é que ele é uma espécie de faca de dois gumes, podendo atuar tanto como um codec lossy quanto lossless. Fica a cargo do usuário definir a forma como o vídeo será comprimido na hora da conversão, podendo-se escolher entre várias opções de codificação, como o frame rate, qualidade de imagem e o tamanho final do arquivo.

O grande diferencial do H.264 é que o usuário pode definir como quer o arquivo final da conversão. Bitrate maior ou menor, mais qualidade de imagem, menos prioridade para o áudio ou arquivo final com até X gigabytes. Tudo isso pode ser ajustado usando H.264

O grande diferencial do H.264 é que o usuário pode definir como quer o arquivo final da conversão. Bitrate maior ou menor, mais qualidade de imagem, menos prioridade para o áudio ou arquivo final com até X gigabytes. Tudo isso pode ser ajustado usando H.264 (Imagem: Reprodução)

Tal qual o MPEG-4, o H.264 utiliza partes distintas para codificar áudio e vídeo de um único arquivo. Geralmente, o vídeo é comprimido utilizando x264, também podendo ser empregado o DivX ou XviD; enquanto o áudio geralmente é comprimido utilizando AAC ou MP3. Tudo dependerá da configuração escolhida pelo usuário no momento da conversão.

Apesar dessa semelhança, o H.264 vem se destacando em relação ao MPEG-4 por proporcionar melhores resultados em arquivos menores, algo extremamente importante em tempos de transmissões Full HD e Ultra HD.

Para finalizar, cabe explicar que os codecs são completamente diferentes dos containers de vídeo. Enquanto aqueles têm como principal função codificar e descodificar arquivos de vídeo, este existe apenas para organizar áudio, vídeo e codecs num único pacote e facilitar a vida dos usuários. Além disso, os containers também podem armazenar metadados para informar, por exemplo, os capítulos de um DVD ou Blu-ray, legendas ou diferentes faixas de áudio.

Alguns containers são bem populares e muitas vezes são confundidos com codecs. É o caso, por exemplo, de:

Vídeos em Flash (.flv e .swf)

Criado pela Macromedia antes dela ser engolida pela Adobe em 2005, o Flash é um container bastante antigo, mas muitíssimo popular na internet. Essa popularidade, no entanto, vem decaindo nos últimos anos, pois a tecnologia vem apresentando sucessivos problemas de segurança e limitações que aparentemente não podem ser contornadas.

O Flash é um container relativamente antigo e ganhou popularidade graças à adoção da tecnologia por grandes sites como o YouTube. Agora, no entanto, a tecnologia está sendo substituída aos poucos pelo HTML5 e logo deve cair no ostracismo

O Flash é um container relativamente antigo e ganhou popularidade graças à adoção da tecnologia por grandes sites como o YouTube. Agora, no entanto, a tecnologia está sendo substituída aos poucos pelo HTML5 e logo deve cair no ostracismo (Imagem: Reprodução)

Há quem diga que a derrocada começou quando Steve Jobs desdenhou a tecnologia e disse que não ofereceria suporte a ela no iPhone e, posteriormente, no iPad. Desde então, a popularidade do Flash vem minguando e a chegada do HTML5 como um substituto à altura parece ser o prego que faltava para selar o caixão. Agora só falta a martelada.

MKV

Os frequentadores do Pirate Bay e sites afins certamente estão familiarizados com o MKV. Figurinha carimbada em arquivos que usam tapa olho e perna de pau, o MKV suporte praticamente qualquer formato de vídeo e áudio graças a sua versatilidade, eficiência e adaptabilidade. Essas características fazem o container ser uma das melhores opções para armazenar vídeo e áudio com qualidade num arquivo de tamanho bastante razoável.

De quebra, o MKV ainda é capaz de suportar múltiplas trilhas de áudio e arquivos de legenda, que podem ser acionados de acordo com a preferência do usuário.

MP4

Se você quer fazer o upload de suas produções para a web, o MP4 é o container que você deve utilizar. Presente nas recomendações de grandes serviços de streaming, como YouTube e Vimeo, o MP4 é capaz de armazenar arquivos de vídeo de excelente qualidade ocupando pouquíssimo espaço. Tudo isso graças ao suporte do H.264 para codificar os vídeos e o AAC e MP3 para dar uma encolhida no tamanho das trilhas de áudio.

Resumindo toda a história, a verdade é que dizer a um amigo que está enviando um arquivo MP4 para ele não diz nada sobre qual codec você utilizou para comprimir aquele vídeo e o seu áudio. Diz apenas que você armazenou tudo, inclusive o codec, em um arquivo no formato MP4 e está despachando para ele.

Caso você esteja em busca de um conselho sobre qual codec utilizar nas suas produções, a recomendação é o H.264, que está se popularizando rapidamente e provavelmente se tornará um padrão daqui a algum tempo. Para despachar os arquivos para amigos e familiares e distribui-lo pela internet, a recomendação é utilizar o MP4, que vem ganhando popularidade e está presente em cada vez mais dispositivos por aí a fora. Logo, é de se esperar que ele também se torne um padrão em breve.

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