Caso de estupro contra Assange é reaberto na Suécia

Por Rafael Arbulu | 13 de Maio de 2019 às 10h30
(Foto: Associated Press)
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Uma das duas acusações de estupro contra o ativista e fundador do WikiLeaks, Julian Assange, será reaberta pelas autoridades da Suécia, segundo informa a Autoridade Sueca de Processos. A outra acusação permanece vencida devido ao prazo limite de sua investigação.

Assange foi preso em abril deste ano após exilar-se por sete anos na embaixada do Equador em Londres. Após a mudança de governo no país latino, o status de “exilado diplomático” do ativista foi revogado e, imediatamente, ele foi recolhido pela polícia londrina a pedido dos Estados Unidos, onde Assange é processado por conspiração no vazamento de documentos militares secretos. A acusação de estupro corre em paralelo a esse caso.

Sobre o estupro: em 2010, Assange supostamente teve relações sexuais com duas mulheres na Suécia sem preservativo. Pelas leis locais, o sexo sem camisinha pode ser tipificado como crime de estupro, após avaliação de contextos relacionados ao consentimento. Uma das acusações acabou vencida, mas a outra passou por repetidas tentativas de reabertura. Agora, as autoridades suecas enfim conseguiram.

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O fundador do Wikileaks, Julian Assange

O objetivo é assegurar a extradição de Julian Assange para uma corte europeia, onde ele deverá ser formalmente processado pelo crime de estupro, investigado e julgado. O problema com isso é que os EUA devem entrar com um pedido de extradição próprio, referente à acusação de conspiração. Diante dos dois casos conflitantes se apresentarem, caberá às autoridades britânicas, que capturaram e estão avaliando o caso de Assange, decidir para onde ele será enviado. Assange manifestou, no início do mês, repúdio a qualquer tentativa de extradição para os EUA.

“Eu estou totalmente ciente do fato de que um processo de extradição foi iniciado no Reino Unido e que ele [Assange] poderá ser enviado aos EUA. Na eventualidade de um conflito entre um mandado de prisão europeu e um pedido de extradição aos Estados Unidos, as autoridades do Reino Unido deverão decidir a ordem de prioridade. O resultado deste processo é impossível de ser previsto. Entretanto, sob minha interpretação, o caso sueco pode correr em paralelo com os procedimentos no Reino Unido”, disse a diretora da promotoria pública da Suécia, Eva-Marie Persson.

O Wikileaks emitiu comunicado em seu perfil oficial no Twitter, dizendo, por meio de seu editor-chefe Kristinn Hrafnsson, que a Suécia reabriu o caso de estupro devido a “intensa pressão política”, alegando ainda que o caso “vem sendo mal gerenciado”. Ele também negou que Assange tenha procurado asilo para evitar a investigação de estupro, apesar de fugir e permanecer residente da embaixada equatoriana pelos últimos sete anos, e sugere que uma nova investigação dará ao ativista “uma chance de limpar o seu nome”.

Já o percalço de Julian Assange relacionado à conspiração segue com novo compromisso em corte marcado para o final deste ano, em novembro. Neste, Assange é acusado pelas autoridades dos Estados Unidos de auxiliar a ex-soldado e agora ativista Chelsea Manning a invadir um computador e vazar cerca de 750 mil documentos secretos sobre as atividades militares do país no Oriente Médio — sobretudo, as campanhas do exército no Iraque e Afeganistão.

Um vídeo vazado por Manning, inclusive, mostra a morte de cidadãos inocentes em meio a um ataque das forças armadas em uma cidade nos arredores de Bagdá. Manning havia sido presa após recusar-se a depor contra Assange após intimação. Atualmente em liberdade provisória, seus advogados creem que ela será novamente encarcerada, pois espera uma nova intimimação, a qual Manning também deve recusar.

Chelsea Manning, ex-soldado do Exército dos Estados Unidos e responsável pelo vazamento de documentos militares secretos relacionados às campanhas do país no Iraque e Afeganistão

Fonte: Swedish Prosecution Authority

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