Acordo secreto do YouTube sobre vício de crianças no app esconde verdade obscura
Por Marcelo Fischer Salvatico |

O YouTube fechou um acordo extrajudicial com um adolescente de 16 anos da Flórida que processou a plataforma alegando que o app causou danos à sua saúde mental. Os termos do acordo foram mantidos em sigilo, mas a decisão ocorre às vésperas de um novo julgamento na Califórnia, e os advogados do jovem deixaram claro que interpretam o movimento do Google como uma fuga do tribunal.
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O processo, aberto no sistema judiciário estadual da Califórnia, citava quatro réus: YouTube, Instagram (Meta), Snapchat (Snap) e TikTok (ByteDance). Com o acordo fechado pelo Google, as outras três empresas seguem na ação e devem enfrentar o júri a partir de 27 de julho em Los Angeles, segundo informações da Reuters e da CNBC.
Em nota, o porta-voz do Google, José Castañeda, afirmou que "a questão foi resolvida amigavelmente" e que o foco da empresa "permanece em construir produtos adequados para cada faixa etária e controles parentais que cumpram essa promessa".
Os advogados do jovem, John Morgan e Emily Jeffcott, foram mais diretos. "A decisão do YouTube de resolver este caso antes de enfrentar um júri fala por si mesma", disseram em comunicado.
Algoritmo como motor do vício
O adolescente, identificado apenas pelas iniciais R.K.C., afirma nos autos que começou a usar redes sociais aos 8 anos e desenvolveu dependência da plataforma, com consequências como insônia, depressão e ansiedade. Conforme o processo, recursos como rolagem infinita e autoplay foram projetados para gerar uso compulsivo, mantendo o usuário engajado de forma contínua e automática.
A ação de R.K.C. seria o segundo caso a ir a julgamento numa série supervisionada pela juíza Carolyn Kuhl, da Corte Superior de Los Angeles, com o objetivo de resolver mais de 1 mil casos similares na Califórnia.
O primeiro julgamento terminou em março deste ano. Uma jovem californiana, identificada como K.G.M., acusou YouTube e Instagram de projetar plataformas intencionalmente viciantes para usuários jovens. O júri considerou as empresas negligentes e determinou que a Meta pagasse US$ 4,2 milhões e o Google, US$ 1,8 milhão. No início de junho, o juiz rejeitou o pedido das empresas para anular o veredicto.
Onda de processos bilionários
O volume de ações judiciais contra as plataformas é expressivo. Mais de 3,3 mil processos com alegações de vício em redes sociais aguardam julgamento na justiça estadual da Califórnia, com outros 2,6 mil casos tramitando na esfera federal, movidos por indivíduos, distritos escolares, municípios e estados, conforme levantamento da Reuters.
O cenário federal também registrou acordos. Um distrito escolar do Kentucky processou YouTube, Meta, Snap e TikTok por criar uma crise de saúde mental entre seus alunos. Todas as empresas fecharam acordos antes do início do julgamento, pagando juntas US$ 27 milhões ao distrito.
No âmbito dos estados americanos, o Novo México foi o primeiro a levar um caso semelhante a julgamento. O júri condenou a Meta a pagar US$ 375 milhões por induzir usuários ao erro sobre a segurança de suas plataformas para crianças, de acordo com a Reuters. Ainda em julho, a Meta enfrenta um processo movido pelo Tennessee, e em agosto responderá a uma ação federal consolidada por vários estados.
As empresas negam as acusações e afirmam adotar medidas extensas para proteger usuários jovens em suas plataformas.