Publicidade

Processador ARM feito de plástico torna possível a "Internet de Todas as Coisas"

Por  • Editado por  Douglas Ciriaco  | 

Compartilhe:
Reprodução/ARM
Reprodução/ARM

Pesquisadores da empresa de semicondutores ARM desenvolveram um microchip flexível de 32-bits que pode ser usado na criação de rótulos ou sensores inteligentes em embalagens de alimentos comuns, como uma simples caixa de leite ou uma lata com produtos em conserva.

Continua após a publicidade

O microprocessador é composto por transistores de película fina instalados em um substrato de plástico flexível de alto desempenho usado para substituir o silício rígido convencional. Esse processo de fabricação torna o circuito interno dobrável, facilitando sua aplicação em superfícies moles e maleáveis.

Ao contrário dos dispositivos semicondutores convencionais, os chips eletrônicos flexíveis são construídos em bases de papel, plástico ou folha de metal. Eles oferecem uma série de vantagens sobre o silício cristalino, incluindo espessura, conformabilidade e baixos custos de fabricação.

Canaltech
O Canaltech está no WhatsApp!Entre no canal e acompanhe notícias e dicas de tecnologia
Continua após a publicidade

“São apenas 40.000 transistores implementados em cerca de 60 milímetros quadrados. Só para comparar, o processador do iPhone original em 2007 é 14.000 vezes mais rápido. Portanto, este não é um microprocessador de alto desempenho, mas é voltado para aplicações que realmente não precisam desse nível de processamento”, explica o engenheiro John Biggs, autor principal do projeto.

Internet de Todas as Coisas

Os microchips já estão presentes em boa parte dos equipamentos usados no dia a dia, como computadores, smartphones, carros e máquinas de lavar. Esses dispositivos conectados formam a chamada Internet das Coisas (IoT, da sigla em inglês). A ideia dos pesquisadores é ampliar esse termo para Internet de Tudo ou Internet de Todas as Coisas.

Segundo eles, rótulos inteligentes equipados com o novo microchip poderiam alterar a data de validade de produtos alimentícios conforme condições de armazenamento ou dependendo de como foram manuseados desde a linha de produção até o ponto de venda para o consumidor.

“Estamos falando sobre colocar rótulos eletrônicos nas coisas que você compra toda semana no supermercado e que ajudariam no gerenciamento da cadeia de suprimentos, fornecendo informações em tempo real. As etiquetas inteligentes oferecem um nível de computação que não está disponível atualmente porque não é economicamente viável”, acrescenta a vice-presidente de tecnologia da PragmatIC Semiconductor, Catherine Ramsdale, coautora do estudo.

Obstáculos

Continua após a publicidade

Apesar de o microprocessador ter sido construído sobre um substrato de plástico flexível, ele ainda não foi testado em uma superfície dobrável, o que pode comprometer sua eficiência energética. Os próprios pesquisadores admitiram que pretendem avaliar o desempenho do chip dobrado ou flexionado em um próximo estudo.

Outro problema que precisa ser resolvido é que esses dispositivos ainda são muito grandes e consomem energia em excesso. Além disso, é necessário reduzir os custos de produção em grande escala para que esses circuitos integrados possam ser inseridos nas embalagens sem aumentar o preço final dos produtos.

“O que vejo é que a eletrônica flexível está cerca de três a quatro décadas atrás do silício. Se tivermos um desempenho parecido com esse novo microchip, com certeza presenciaremos um desenvolvimento bastante interessante de eficiência e baixo custo de fabricação, como temos nos chips convencionais”, encerra John Biggs.