Quem a IA vai substituir primeiro? Bill Gates lista profissões em risco e alerta para jovens
Por Marcelo Fischer |
:quality(85)/92b5f959-7ac7-4a12-912f-53ffa14cbf74.jpeg)
Vendedores, atendentes, desenvolvedores de software e advogados em início de carreira devem estar entre os primeiros afetados pelo avanço da inteligência artificial no mercado de trabalho.
O alerta é de Bill Gates, cofundador da Microsoft, em ensaio publicado nesta quarta-feira (26) e em entrevista ao New York Times, com atenção especial aos trabalhadores mais jovens.
Quais profissões devem sentir o impacto primeiro
No texto de quase 6 mil palavras publicado em seu site pessoal, Gates afirma que empregos de nível inicial e intermediário correm o maior risco. Vendas e atendimento ao cliente, tanto online quanto por telefone, engenharia de software e trabalhos paralegais aparecem entre as áreas com maior chance de disrupção nos próximos anos.
A lista deve se ampliar. Segundo Gates, tarefas hoje realizadas por profissionais qualificados, como análise de crédito, processamento de dados e triagem de pacientes, também passarão a ser executadas por sistemas de IA.
O bilionário prevê ainda impacto sobre empregos manuais. Ele afirma que robôs mais capazes devem começar a competir com trabalhadores em construção civil e hospitalidade até o fim da década, à medida que o custo dessas máquinas cair.
Jovens já sentem o efeito primeiro
Gates cita uma pesquisa preliminar segundo a qual o emprego caiu de forma significativa entre trabalhadores jovens em funções mais vulneráveis à automação, movimento que não se repetiu entre colegas mais velhos. Para ele, essa geração enfrenta um mercado com menos vagas de entrada, justamente quando mais precisa delas para começar a carreira.
O executivo descarta a comparação com revoluções tecnológicas anteriores, que, segundo ele, criaram mais empregos do que eliminaram ao longo de gerações. Para Gates, a IA substitui a cognição humana em vez de apenas complementá-la, o que torna o processo mais rápido e mais amplo.
Empregos "reservados a humanos"
Como resposta parcial ao problema, Gates propõe reservar determinadas funções exclusivamente para pessoas, conceito que chama de "Human Reserved". A ideia parte da experiência com os cuidadores que assistiram seu pai, que morreu em decorrência do mal de Alzheimer em 2020.
Para Gates, alguns papéis devem ficar fora do alcance da automação por razões econômicas, quando a substituição deixaria um grande número de trabalhadores sem alternativa viável de recolocação. Em outros casos, o critério seria o tipo de tarefa, como comunicar a um paciente um diagnóstico grave.
Taxação sobre uso de IA
Gates também retomou a proposta de taxar o uso de tokens de IA e de robôs em ambientes de trabalho, batizada de "token tax". A ideia é encarecer a substituição de funcionários por máquinas e usar a arrecadação para financiar requalificação profissional e uma rede de proteção social mais robusta.
Atualmente, segundo ele, empresas pagam encargos trabalhistas ao contratar uma pessoa, mas conseguem abater rapidamente o custo de um robô como despesa operacional. Gates defende que esse desequilíbrio incentiva a troca de trabalhadores por tecnologia.
Críticas à autorregulação do setor
Na entrevista ao New York Times, Gates disse que parte do setor de tecnologia minimiza os riscos da IA por interesse financeiro, e que executivos evitam comentar publicamente o tema para não prejudicar negócios e captação de recursos. Ele também questionou a confiança em medidas voluntárias de empresas e governos para conter riscos como o uso da tecnologia em ataques cibernéticos e no desenvolvimento de armas biológicas.
O bilionário defende ainda a criação de acordos internacionais para monitorar essas ameaças e pretende levar a discussão a líderes mundiais. Sua equipe negocia um encontro com o presidente chinês, Xi Jinping, em novembro, para tratar da cooperação global sobre inteligência artificial.
Confira no Canaltech a lista das 11 profissões mais expostas ao avanço da inteligência artificial.