Sua carreira na mira: as 11 profissões mais expostas à inteligência artificial
Por Marcelo Fischer |
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Apesar do medo de substituição de humanos por inteligência artificial, a IA não está “demitindo pessoas”, mas pode estar diminuindo salários. É o que sugere um estudo da gestora Apollo Global Management, que cruzou dados de uso real do Claude, da Anthropic, com informações do mercado de trabalho dos Estados Unidos.
A pesquisa identificou 11 profissões classificadas como de alta exposição à IA. Nelas, o crescimento salarial real ficou 6,7 pontos percentuais menor do que em ocupações menos expostas à tecnologia.
O estudo, batizado de "The Impact of AI on the U.S. Labor Market" (O impacto da IA no mercado de trabalho dos EUA, em inglês), não encontrou um efeito estatisticamente significativo da exposição à IA sobre o nível de emprego. O impacto mensurável, até agora, aparece nos salários.
O que significa estar "exposto" à IA
Os pesquisadores analisaram 321 empregos nos Estados Unidos e usaram como referência o Anthropic Economic Index. O indicador mede a proporção de tarefas de uma profissão que já é executada com auxílio de ferramentas de IA, com base em interações reais de usuários com o Claude.
Uma ocupação é considerada de alta exposição quando atinge pontuação igual ou superior a 0,5, ou seja, quando pelo menos metade das tarefas relevantes daquele trabalho já conta com apoio de IA. Apenas 11 das 321 profissões analisadas ultrapassaram esse patamar.
Segundo o estudo, cerca de 5,8 milhões de trabalhadores americanos, o equivalente a 3,7% da força de trabalho do país, estão em ocupações de alta exposição. O número se refere ao mercado dos Estados Unidos e não indica uma estimativa para o Brasil.
As 11 profissões mais expostas à IA
O ranking, do maior para o menor índice de exposição, ficou assim:
- Programadores de computador (0,75);
- Representantes de atendimento ao cliente (0,70);
- Operadores de entrada de dados (0,67);
- Especialistas em registros médicos (0,67);
- Analistas de pesquisa de mercado e marketing (0,65);
- Transcritores médicos (0,64);
- Representantes de vendas no atacado e manufatura, não técnicos (0,63);
- Arquitetos de banco de dados (0,58);
- Analistas financeiros e de investimentos (0,57);
- Analistas e testadores de qualidade de software (0,52);
- Assistentes estatísticos (0,51).
Esses números representam o Anthropic Score de cada profissão, não uma porcentagem de trabalhadores demitidos ou de tarefas automatizadas. Estar no topo da lista não significa risco iminente de extinção da ocupação.
Exposição alta não significa emprego em queda
Os próprios dados do estudo mostram que alta exposição à IA não caminha automaticamente junto com perda de vagas.
Entre 2022 e 2024, os analistas financeiros e de investimentos, oitava colocação no ranking de exposição, tiveram crescimento de 16,9% no emprego.
Os profissionais de pesquisa de mercado e marketing também registraram alta, de 7,8% nas vagas, no mesmo período. Já os programadores, no topo da lista de exposição, enfrentaram o cenário oposto: queda de 17,2% no emprego e redução de 6,1% no salário real.
Confira a lista do Canaltech de 12 formas de usar IA no trabalho para produtividade.